Documento do partido incluiu temas que podem não agradar legendas de centro como reforma agrária e reforma do sistema de comunicação. (Foto: Freepik)
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou seu manifesto com diretrizes do partido para este ano. A versão final do texto, excluindo mais de dez citações diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e também retirando um parágrafo que fazia a defesa da reforma no sistema financeiro e mencionava o caso do Banco Master.
O documento final foca na comparação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Bolsonaro, mas se referindo ao governo anterior e sem citar o nome do ex-presidente. Lula não participou do congresso, conforme previsto inicialmente pelo partido. O presidente passou por procedimentos de saúde na última sexta-feira (23), em São Paulo.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sentou-se ao lado direito do presidente do PT, Edinho Silva, na cerimônia. Para contornar a ausência do presidente da República, o PT transmitiu um discurso de Lula em encontro global de líderes progressistas, em Barcelona, realizado na última semana.
Banco Master
Um dos principais pontos que acabou sendo retirado do manifesto foi a defesa de uma reforma do sistema financeiro, mencionando especificamente a necessidade desse tipo de mudança por causa do escândalo envolvendo o Banco Master.
O presidente do partido, Edinho Silva, justificou que o caso Master foi debatido durante o Congresso e também o caso do INSS. Mas os dois temas não são citados no texto final.
Edinho repetiu do discurso do governo de que foi a gestão Lula que instaurou investigação sobre o Master e também sobre as fraudes com aposentadorias do INSS. Uma CPI investigou o caso e chegou a pedir o indiciamento de Fábio Luís, o Lulinha, mas o relatório final não foi aprovado.
O partido manteve outros pontos no manifesto. A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento – reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) – foi mantida.
O manifesto trata como “eixo central da tática política” a reeleição do presidente Lula. Também propõe sete reformas essenciais – duas delas acrescentadas ao longo do fim de semana para atender a outras alas do partido. Constavam no documento desde sexta-feira (24), a defesa de uma reforma política e eleitoral; uma tributária; uma tecnológica; uma reforma do Judiciário; e uma administrativa.
Mudança
A cúpula do partido acrescentou, no rol de reformas essenciais, a reforma agrária, “garantindo soberania alimentar”. Também foi incluída a reforma do setor de comunicação. O texto justifica a medida citando que Constituição deve ser cumprida. O documento fala que a reforma deve proibir “monopólios no setor”.
Apesar da inclusão desses dois temas que não são bem recebidos pelos partidos de centro e de direita, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que o objetivo do manifesto é “chamar o centro para compor com o Lula”, evitando polêmicas que possam afastar setores que não são da esquerda da candidatura petista.
“O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental”, disse o ministro na chegada ao congresso do PT neste domingo.
Uma versão preliminar do documento chegou a citar a necessidade de o partido buscar apoios eleitorais também à direita, mas esse trecho também foi suprimido.
Defesa de projeto sobre terras raras e mudança nas emendas parlamentares O manifesto cita como um dos desafios a disputa pelo controle de recursos estratégicos, em meio ao debate no Congresso sobre terras raras e também ao interesse manifestado pelo governo americano sobre esses recursos.
O documento também defende mudança no regime de emendas parlamentares, acabando com a impositividade, reduzindo o volume e o modo de funcionamento. Atualmente, o governo é obrigado a destinar recursos indicados por deputados e senadores e a aplicação do dinheiro é obrigatória.
Um ponto mantido é a defesa de uma “permanente transição geracional” no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir “no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação”. A proposta de programa não falava nem em garantir a renovação interna no partido nem a equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.
O presidente Lula se envolveu na construção do manifesto ao longo da última sexta, principalmente, assim como o Palácio do Planalto. Veio do governo, por exemplo, o pedido para que o documento fizesse mais comparações entre as gestões de Lula e de Bolsonaro. (Com informações de O Estados de S. Paulo)
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A ideia de apoiar Flávio tem sido descartada por uma avaliação de que o parlamentar, assim como qualquer integrante de sua família, carrega a rejeição do bolsonarismo. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado) Parte dos integrantes da cúpula dos partidos de Centrão que articulam uma candidatura de oposição para 2026 critica a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro …
Manifesto do PT omite casos do Banco Master e do INSS, excluindo mais de dez citações diretas a Bolsonaro
Documento do partido incluiu temas que podem não agradar legendas de centro como reforma agrária e reforma do sistema de comunicação. (Foto: Freepik)
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou seu manifesto com diretrizes do partido para este ano. A versão final do texto, excluindo mais de dez citações diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e também retirando um parágrafo que fazia a defesa da reforma no sistema financeiro e mencionava o caso do Banco Master.
O documento final foca na comparação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Bolsonaro, mas se referindo ao governo anterior e sem citar o nome do ex-presidente. Lula não participou do congresso, conforme previsto inicialmente pelo partido. O presidente passou por procedimentos de saúde na última sexta-feira (23), em São Paulo.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, sentou-se ao lado direito do presidente do PT, Edinho Silva, na cerimônia. Para contornar a ausência do presidente da República, o PT transmitiu um discurso de Lula em encontro global de líderes progressistas, em Barcelona, realizado na última semana.
Banco Master
Um dos principais pontos que acabou sendo retirado do manifesto foi a defesa de uma reforma do sistema financeiro, mencionando especificamente a necessidade desse tipo de mudança por causa do escândalo envolvendo o Banco Master.
O presidente do partido, Edinho Silva, justificou que o caso Master foi debatido durante o Congresso e também o caso do INSS. Mas os dois temas não são citados no texto final.
Edinho repetiu do discurso do governo de que foi a gestão Lula que instaurou investigação sobre o Master e também sobre as fraudes com aposentadorias do INSS. Uma CPI investigou o caso e chegou a pedir o indiciamento de Fábio Luís, o Lulinha, mas o relatório final não foi aprovado.
O partido manteve outros pontos no manifesto. A linha de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento – reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento (marca da esquerda), retomada do crescimento econômico com distribuição de renda (marca dos governos petistas) e transição produtiva, tecnológica e ambiental (adotada com mais ênfase a partir da campanha de 2022) – foi mantida.
O manifesto trata como “eixo central da tática política” a reeleição do presidente Lula. Também propõe sete reformas essenciais – duas delas acrescentadas ao longo do fim de semana para atender a outras alas do partido. Constavam no documento desde sexta-feira (24), a defesa de uma reforma política e eleitoral; uma tributária; uma tecnológica; uma reforma do Judiciário; e uma administrativa.
Mudança
A cúpula do partido acrescentou, no rol de reformas essenciais, a reforma agrária, “garantindo soberania alimentar”. Também foi incluída a reforma do setor de comunicação. O texto justifica a medida citando que Constituição deve ser cumprida. O documento fala que a reforma deve proibir “monopólios no setor”.
Apesar da inclusão desses dois temas que não são bem recebidos pelos partidos de centro e de direita, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que o objetivo do manifesto é “chamar o centro para compor com o Lula”, evitando polêmicas que possam afastar setores que não são da esquerda da candidatura petista.
“O manifesto tem de ser a centralidade de falar com o País e chamar o centro para compor com o Lula, isso que é fundamental”, disse o ministro na chegada ao congresso do PT neste domingo.
Uma versão preliminar do documento chegou a citar a necessidade de o partido buscar apoios eleitorais também à direita, mas esse trecho também foi suprimido.
Defesa de projeto sobre terras raras e mudança nas emendas parlamentares
O manifesto cita como um dos desafios a disputa pelo controle de recursos estratégicos, em meio ao debate no Congresso sobre terras raras e também ao interesse manifestado pelo governo americano sobre esses recursos.
O documento também defende mudança no regime de emendas parlamentares, acabando com a impositividade, reduzindo o volume e o modo de funcionamento. Atualmente, o governo é obrigado a destinar recursos indicados por deputados e senadores e a aplicação do dinheiro é obrigatória.
Um ponto mantido é a defesa de uma “permanente transição geracional” no próprio partido, com limite no número de mandatos (no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância). A versão final também fala em garantir “no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação”. A proposta de programa não falava nem em garantir a renovação interna no partido nem a equidade de gênero nos postos de decisão da legenda.
O presidente Lula se envolveu na construção do manifesto ao longo da última sexta, principalmente, assim como o Palácio do Planalto. Veio do governo, por exemplo, o pedido para que o documento fizesse mais comparações entre as gestões de Lula e de Bolsonaro. (Com informações de O Estados de S. Paulo)
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