Especialistas citam tendência de eleitores por voto útil e desejo social sem sintonia com projeto eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Nenhum candidato à Presidência da República que terminou em terceiro lugar conseguiu se eleger presidente em novas tentativas. Desde a redemocratização, em 1989, todas as alternativas aos dois primeiros colocados – alguns rotulados de terceira via – acabaram se voltando para as disputas estaduais.
Em 2026, 5 dos 7 presidenciáveis que ficaram em terceiro nas eleições dos últimos 36 anos devem encarar disputas regionais: Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) são pré-candidatas ao Senado em São Paulo; Ciro Gomes (PSDB) é pré-candidato a governador no Ceará; e Heloísa Helena (Rede) e Anthony Garotinho (Republicanos) devem se lançar como deputados federais pelo Rio de Janeiro.
Além deles, outros dois nomes que ficaram em terceiro lugar voltaram as atenções para palanques estaduais no passado: Leonel Brizola (PDT) foi eleito governador do Rio de Janeiro após a eleição presidencial de 1989 e Enéas Carneiro (Prona), terceiro em 1994, foi o deputado federal mais votado do país em 2002, com 1,5 milhão de votos.
O contexto das candidaturas de Brizola e Enéas também é diferente. Os dois foram candidatos em períodos anteriores à polarização entre o PT e o PSDB, que ocorreu entre 1994 e 2014, e entre o PT e o bolsonarismo, que marcou a política brasileira a partir de 2018.
A cientista política Luciana Santana, professora da UFAL (Universidade Federal de Alagoas), avalia que a aceitação da polarização por boa parte dos políticos, em especial pelos quadros que tentaram fugir dela, segue a tendência do eleitorado brasileiro.
“Por mais que a gente tenha um sistema multipartidário no Brasil, há uma polarização natural do comportamento do próprio eleitor, que na reta final se define pelo voto útil, porque vê pelas pesquisas quem está mais bem colocado e joga as fichas ali”, diz.
Para Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva (voltado para pesquisas de mercado e de opinião pública), a ideia de uma candidatura de terceira via é “muito viável como desejo social, mas quase impossível como projeto eleitoral” por não conseguir reunir votos o suficiente. “É como se existisse mercado, mas não existisse produto”, afirma.
Em 2026, as pesquisas de intenção de voto apontam novamente um cenário de polarização entre Lula (PT) e a família Bolsonaro – desta vez, com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na última pesquisa Datafolha, eles lideravam em primeiro turno com 39% e 35%, respectivamente. Bem atrás apareciam outros nomes que tentam se projetar como uma terceira via: Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Romeu Zema (Novo), com 4%, Renan Santos (Missão), com 2%, Aldo Rebelo (DC), com 1%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%.
A principal aposta nos últimos meses de um nome alternativo foi articulada por Gilberto Kassab, presidente do PSD, que ainda cogitou lançar os governadores do PR, Ratinho Junior, e do RS, Eduardo Leite. Nenhum, porém, deu sinais de decolagem. As últimas tentativas envolveram um convite do PSDB para Ciro Gomes tentar novamente a Presidência, em vez da disputa pelo Governo do Ceará, e a pré-candidatura lançada pelo Avante de um novo outsider, o psiquiatra Augusto Cury.
Adesão
Simone Tebet se candidatou em 2022 pelo MDB como alternativa de centro à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). A eleição foi a mais acirrada da história e, após terminar a disputa em terceiro, apoiou o petista no segundo turno. Com a vitória de Lula, foi nomeada ministra do Planejamento.
Embora tenha construído uma carreira política longe da esquerda, com pautas ligadas ao liberalismo econômico e ao agronegócio em Mato Grosso do Sul, filiou-se ao PSB em 2026 para ser candidata ao Senado na chapa encabeçada pelo PT em São Paulo a pedido do próprio Lula.
Sua companheira de chapa, a também pré-candidata ao Senado Marina Silva, é outra ex-presidenciável. Terceira colocada duas vezes (2010 e 2014) em disputas presidenciais, ela obteve o melhor resultado da posição em 2014 (21,3%), no último ano em que PT e PSDB se enfrentaram no segundo turno –ex-petista, apoiou o tucano Aécio Neves na reta final daquela eleição.
Marina já estava rompida com o PT quando se candidatou a presidente pela primeira vez, em 2010. Ela passou por outras legendas à esquerda (PV e PSB) antes de fundar a Rede, sigla pela qual concorreu novamente à Presidência em 2018 – sua terceira e última tentativa –, sempre com agendas ambientalistas alinhadas à esquerda.
Em 2022, se reconciliou com Lula e integrou o palanque dele em São Paulo, por onde se elegeu deputada federal. Foi nomeada ministra do Meio Ambiente, função que já havia exercido nos primeiros mandatos dele (2003-2008), e retorna às urnas em costura política feita pelo PT.
Também ex-petista e filiada à Rede, a pré-candidata a deputada federal no Rio de Janeiro Heloísa Helena se apresentou como opção mais à esquerda na eleição de 2006, concorrendo pelo PSOL. Na ocasião, promoveu ataques ao PT e ao mensalão, terminando em terceiro lugar. Até hoje faz críticas abertas ao PT e ao próprio Lula, mesmo com uma ala do seu partido apoiando a reeleição dele. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Além deles, outros dois nomes que ficaram em terceiro lugar voltaram as atenções para palanques estaduais no passado: Leonel Brizola (PDT) foi eleito governador do Rio de Janeiro após a eleição presidencial de 1989 e Enéas Carneiro (Prona), terceiro em 1994, foi o deputado federal mais votado do país em 2002, com 1,5 milhão de votos.
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“Por mais que a gente tenha um sistema multipartidário no Brasil, há uma polarização natural do comportamento do próprio eleitor, que na reta final se define pelo voto útil, porque vê pelas pesquisas quem está mais bem colocado e joga as fichas ali”, diz.
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Adesão
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