Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País.
Foto: Apple/Divulgação
Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País. (Foto: Apple/Divulgação)
A Apple completa 50 anos na última quarta-feira (22) com uma característica incomum para uma empresa de tecnologia: uma base de fãs que se comporta como torcida organizada. No Brasil, apesar dos preços elevados, a marca também reúne admiradores que colecionam produtos e acumulam histórias — algumas delas envolvendo encontros com Steve Jobs, fundador e principal símbolo da companhia. O cineasta Paulo Machline, de 59 anos, viveu uma dessas experiências ainda jovem. Aos 18 anos, participou de uma reunião de negócios com Jobs, em Nova York, pouco tempo depois do lançamento do Macintosh original. O encontro, que parecia um sonho, acabou se tornando uma situação constrangedora.
Filho de Matias Machline, fundador da Sharp do Brasil, Paulo acompanhou o pai após um contato feito pelo executivo americano Richard Harrison, que integrava conselhos tanto da Apple quanto da Sharp. Na época, a Apple buscava expandir sua atuação global, e a empresa brasileira era vista como potencial parceira na América Latina.
Apesar do interesse inicial, Matias já demonstrava ceticismo em relação ao projeto. “O grande negócio, naquele momento, era fabricar PCs da IBM”, relembra Paulo. Ainda assim, uma reunião foi marcada com Jobs, em 1985, no hotel Pierre, em Nova York.
Previsto para as 22h, o encontro começou apenas às 2h da manhã, após atraso do executivo. Durante cerca de 20 minutos, Matias apresentou a proposta. A resposta de Jobs foi direta. “O Brasil não é um país sério. Eu não acredito na estrutura de impostos do Brasil. E também é o único país que pirateou a Apple. Não tenho interesse em fazer negócios”, disse, segundo o relato.
Apesar do episódio, a admiração de Paulo pela empresa não diminuiu. Ele adquiriu um Macintosh 512 e, anos depois, entre 1990 e 1996, tornou-se testador de produtos da Apple, recebendo equipamentos da empresa. Hoje, mantém uma coleção que inclui itens históricos, como o Newton, considerado um fracasso comercial da década de 1990, além de dispositivos mais recentes, como o Vision Pro.
Outro entusiasta é o jornalista Sérgio Miranda, de 58 anos, que teve contato com Jobs em 2008, durante o lançamento do MacBook Air. Sem histórias marcantes do encontro, ele direcionou sua paixão para outro objetivo: visitar lojas da Apple ao redor do mundo.
Miranda mantém um registro detalhado das visitas, que já somam 70 unidades. “Já conheci mais de 10% das lojas da Apple no mundo”, afirma. O interesse pela marca começou no fim dos anos 1990, durante trabalhos com quadrinhos, e se consolidou em 2000. Desde então, ele reuniu uma coleção que inclui praticamente todos os modelos de iPod, além de diferentes versões do iPhone.
Entre as experiências, ele destaca a visita à primeira loja da Apple, onde chegou a registrar uma foto em frente ao local. “Na época, o primeiro funcionário ainda trabalhava lá”, conta.
Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País. Os preços elevados são um obstáculo recorrente. Em 2024, o Brasil figurou entre os países com o iPhone mais caro do mundo, atrás apenas da Turquia, segundo levantamento do site japonês Nukeni.
“Há questões fiscais e também a própria política de preços da empresa, que já é alta globalmente. Eu consigo comprar fora do país, o que facilita”, diz Miranda.
Ao completar meio século, a Apple mantém não apenas relevância no mercado de tecnologia, mas também uma relação singular com seus consumidores — marcada por fidelidade, histórias pessoais e, em alguns casos, encontros inesquecíveis.
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Brasileiros “super fãs” da Apple revelam encontros constrangedores com Steve Jobs
Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País.
Foto: Apple/Divulgação
Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País. (Foto: Apple/Divulgação)
A Apple completa 50 anos na última quarta-feira (22) com uma característica incomum para uma empresa de tecnologia: uma base de fãs que se comporta como torcida organizada. No Brasil, apesar dos preços elevados, a marca também reúne admiradores que colecionam produtos e acumulam histórias — algumas delas envolvendo encontros com Steve Jobs, fundador e principal símbolo da companhia.
O cineasta Paulo Machline, de 59 anos, viveu uma dessas experiências ainda jovem. Aos 18 anos, participou de uma reunião de negócios com Jobs, em Nova York, pouco tempo depois do lançamento do Macintosh original. O encontro, que parecia um sonho, acabou se tornando uma situação constrangedora.
Filho de Matias Machline, fundador da Sharp do Brasil, Paulo acompanhou o pai após um contato feito pelo executivo americano Richard Harrison, que integrava conselhos tanto da Apple quanto da Sharp. Na época, a Apple buscava expandir sua atuação global, e a empresa brasileira era vista como potencial parceira na América Latina.
Apesar do interesse inicial, Matias já demonstrava ceticismo em relação ao projeto. “O grande negócio, naquele momento, era fabricar PCs da IBM”, relembra Paulo. Ainda assim, uma reunião foi marcada com Jobs, em 1985, no hotel Pierre, em Nova York.
Previsto para as 22h, o encontro começou apenas às 2h da manhã, após atraso do executivo. Durante cerca de 20 minutos, Matias apresentou a proposta. A resposta de Jobs foi direta. “O Brasil não é um país sério. Eu não acredito na estrutura de impostos do Brasil. E também é o único país que pirateou a Apple. Não tenho interesse em fazer negócios”, disse, segundo o relato.
Apesar do episódio, a admiração de Paulo pela empresa não diminuiu. Ele adquiriu um Macintosh 512 e, anos depois, entre 1990 e 1996, tornou-se testador de produtos da Apple, recebendo equipamentos da empresa. Hoje, mantém uma coleção que inclui itens históricos, como o Newton, considerado um fracasso comercial da década de 1990, além de dispositivos mais recentes, como o Vision Pro.
Outro entusiasta é o jornalista Sérgio Miranda, de 58 anos, que teve contato com Jobs em 2008, durante o lançamento do MacBook Air. Sem histórias marcantes do encontro, ele direcionou sua paixão para outro objetivo: visitar lojas da Apple ao redor do mundo.
Miranda mantém um registro detalhado das visitas, que já somam 70 unidades. “Já conheci mais de 10% das lojas da Apple no mundo”, afirma. O interesse pela marca começou no fim dos anos 1990, durante trabalhos com quadrinhos, e se consolidou em 2000. Desde então, ele reuniu uma coleção que inclui praticamente todos os modelos de iPod, além de diferentes versões do iPhone.
Entre as experiências, ele destaca a visita à primeira loja da Apple, onde chegou a registrar uma foto em frente ao local. “Na época, o primeiro funcionário ainda trabalhava lá”, conta.
Mesmo com o entusiasmo, fãs brasileiros reconhecem as dificuldades de acompanhar a marca no País. Os preços elevados são um obstáculo recorrente. Em 2024, o Brasil figurou entre os países com o iPhone mais caro do mundo, atrás apenas da Turquia, segundo levantamento do site japonês Nukeni.
“Há questões fiscais e também a própria política de preços da empresa, que já é alta globalmente. Eu consigo comprar fora do país, o que facilita”, diz Miranda.
Ao completar meio século, a Apple mantém não apenas relevância no mercado de tecnologia, mas também uma relação singular com seus consumidores — marcada por fidelidade, histórias pessoais e, em alguns casos, encontros inesquecíveis.
(Com O Globo)
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