Liderados por Eduardo Pazuello (PL-RJ), deputados querem abrir canais para que empresas participem da “reconstrução” do país. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A oposição ao governo Lula conseguiu aprovar na Câmara dos Deputados uma viagem parlamentar a Caracas, na Venezuela. O objetivo da visita é estabelecer canais com o governo interino de Delcy Rodríguez e abrir espaço para empresas brasileiras voltarem ao mercado do país vizinho.
A viagem ocorre em meio à abertura econômica e política promovida pela sucessora do ditador Nicolás Maduro, capturado em uma operação especial do Exército americano em janeiro. Sob tutela de Donald Trump, a então vice-presidente chavista, agora no poder, iniciou uma onda de reformas.
Delcy promoveu a libertação parcial de presos políticos e uma lei de anistia ainda criticada pela sociedade civil, propôs a liberalização do setor do petróleo e recente reforma da mineração.
O objetivo de Delcy é atrair capital estrangeiro e dinamizar a economia, bem como promover uma acomodação política do grupo chavista que compôs com Washington e permaneceu no poder. Segundo observadores diplomáticos em Caracas, no entanto, há discordâncias entre os herdeiros do espólio chavista sobre como se dará a transição.
O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), general da reserva do Exército e ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, lidera a organização da viagem. Ele afirmou na Câmara que pretende buscar interlocução de alto nível. O deputado citou como exemplo que, em março, Delcy Rodríguez recebeu um comissão de senadores dos EUA.
“Não tem como deixar o Brasil de fora da reconstrução da Venezuela. É um absurdo a gente não estar falando institucionalmente disso. Resolve a situação econômica do nosso País se a gente entrar de cabeça na reconstrução”, disse o deputado, segundo quem ainda não está definido se empresários nacionais vão ou não acompanhar a viagem. “É abrir os canais oficialmente. Por que o governo não faz?”
Interesses econômicos
Um dos principais grupos empresariais brasileiros com interesses na Venezuela é o J&F, liderado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Joesley, principal rosto do grupo, já estive em Caracas e conversou com Delcy em janeiro. Joesley também fez um apelo a Maduro no fim de 2025, antes de o ditador ser preso.
Empresas do grupo estão presentes na Venezuela e prospectam oportunidades de negócios nos setores de petróleo, gás e energia, além de alimentos. A Fluxus, comprada pelo grupo, teria interesse na exploração de poços de petróleo.
Desde a queda de Maduro, a capital venezuelana tem sido destino de diversas visitas empresariais, políticas e diplomáticas, de americanos e europeus, assim como de colombianos. Para eles, uma missão brasileira é oportuna pelo momento de abertura. Houve um afluxo nas últimas semanas, com uma espécie de normalização e retomada das conexões aéreas e sinalizações positivas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
Energia hidrelétrica
Pazuello é ex-comandante da Operação Acolhida, em Roraima, Estado fronteiriço que tem vínculos diretos com a Venezuela e depende da energia gerada no país vizinho. No ano passado, o Brasil voltou a comprar energia gerada pela hidrelétrica de Guri, após seis anos, para abastecer a demanda da região Norte. A operação recebe no Brasil desde 2018 imigrantes venezuelanos.
O deputado diz que a agenda vai ser construída em parceria com as chancelarias e que deseja encontrar uma data para a missão ainda no primeiro semestre, antes das eleições.
“A Venezuela é um parceiro que nós não podemos abrir mão. Principalmente para o Estado de Roraima, para o Amazonas e o Norte de nosso País. Isso não pode ficar por conta de interlocutores sei lá de que nível. A ida da Comissão de Minas e Energia e da Comissão de Relações Exteriores para tratar em alto nível com a Venezuela, levando nossas possibilidades e o que temos de bom em setores produtivos, principalmente de petróleo, com nossa expertise, é uma oportunidade de trabalhar”, afirmou o ex-ministro.
No requerimento para que a Câmara custeie a missão oficial, o deputado disse que pretende manter contatos com o Palácio Miraflores e com a Assembleia Nacional. Ele citou que a visita deve ter três eixos:
* Comércio Bilateral: Identificar oportunidades de expansão das exportações brasileiras e a normalização de fluxos comerciais que beneficiem o setor produtivo nacional.
* Integração Energética (Hidroelétrica de Guri): Acompanhar os protocolos de retomada da importação de energia elétrica de Guri para o estado de Roraima, visando garantir segurança energética e redução de custos para a região Norte.
* Cooperação Regional na Amazônia: Discutir mecanismos de preservação ambiental, segurança fronteiriça e desenvolvimento sustentável no bioma amazônico compartilhado. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
A cerca de dois meses do início oficial do período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda enfrentam desafios para a formação de palanques nos oito maiores colégios eleitorais do Brasil. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e …
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Deputados contrários a Lula articulam missão oficial a Caracas antes das eleições
Liderados por Eduardo Pazuello (PL-RJ), deputados querem abrir canais para que empresas participem da “reconstrução” do país. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A oposição ao governo Lula conseguiu aprovar na Câmara dos Deputados uma viagem parlamentar a Caracas, na Venezuela. O objetivo da visita é estabelecer canais com o governo interino de Delcy Rodríguez e abrir espaço para empresas brasileiras voltarem ao mercado do país vizinho.
A viagem ocorre em meio à abertura econômica e política promovida pela sucessora do ditador Nicolás Maduro, capturado em uma operação especial do Exército americano em janeiro. Sob tutela de Donald Trump, a então vice-presidente chavista, agora no poder, iniciou uma onda de reformas.
Delcy promoveu a libertação parcial de presos políticos e uma lei de anistia ainda criticada pela sociedade civil, propôs a liberalização do setor do petróleo e recente reforma da mineração.
O objetivo de Delcy é atrair capital estrangeiro e dinamizar a economia, bem como promover uma acomodação política do grupo chavista que compôs com Washington e permaneceu no poder. Segundo observadores diplomáticos em Caracas, no entanto, há discordâncias entre os herdeiros do espólio chavista sobre como se dará a transição.
O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), general da reserva do Exército e ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, lidera a organização da viagem. Ele afirmou na Câmara que pretende buscar interlocução de alto nível. O deputado citou como exemplo que, em março, Delcy Rodríguez recebeu um comissão de senadores dos EUA.
“Não tem como deixar o Brasil de fora da reconstrução da Venezuela. É um absurdo a gente não estar falando institucionalmente disso. Resolve a situação econômica do nosso País se a gente entrar de cabeça na reconstrução”, disse o deputado, segundo quem ainda não está definido se empresários nacionais vão ou não acompanhar a viagem. “É abrir os canais oficialmente. Por que o governo não faz?”
Interesses econômicos
Um dos principais grupos empresariais brasileiros com interesses na Venezuela é o J&F, liderado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Joesley, principal rosto do grupo, já estive em Caracas e conversou com Delcy em janeiro. Joesley também fez um apelo a Maduro no fim de 2025, antes de o ditador ser preso.
Empresas do grupo estão presentes na Venezuela e prospectam oportunidades de negócios nos setores de petróleo, gás e energia, além de alimentos. A Fluxus, comprada pelo grupo, teria interesse na exploração de poços de petróleo.
Desde a queda de Maduro, a capital venezuelana tem sido destino de diversas visitas empresariais, políticas e diplomáticas, de americanos e europeus, assim como de colombianos. Para eles, uma missão brasileira é oportuna pelo momento de abertura. Houve um afluxo nas últimas semanas, com uma espécie de normalização e retomada das conexões aéreas e sinalizações positivas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
Energia hidrelétrica
Pazuello é ex-comandante da Operação Acolhida, em Roraima, Estado fronteiriço que tem vínculos diretos com a Venezuela e depende da energia gerada no país vizinho. No ano passado, o Brasil voltou a comprar energia gerada pela hidrelétrica de Guri, após seis anos, para abastecer a demanda da região Norte. A operação recebe no Brasil desde 2018 imigrantes venezuelanos.
O deputado diz que a agenda vai ser construída em parceria com as chancelarias e que deseja encontrar uma data para a missão ainda no primeiro semestre, antes das eleições.
“A Venezuela é um parceiro que nós não podemos abrir mão. Principalmente para o Estado de Roraima, para o Amazonas e o Norte de nosso País. Isso não pode ficar por conta de interlocutores sei lá de que nível. A ida da Comissão de Minas e Energia e da Comissão de Relações Exteriores para tratar em alto nível com a Venezuela, levando nossas possibilidades e o que temos de bom em setores produtivos, principalmente de petróleo, com nossa expertise, é uma oportunidade de trabalhar”, afirmou o ex-ministro.
No requerimento para que a Câmara custeie a missão oficial, o deputado disse que pretende manter contatos com o Palácio Miraflores e com a Assembleia Nacional. Ele citou que a visita deve ter três eixos:
* Comércio Bilateral: Identificar oportunidades de expansão das exportações brasileiras e a normalização de fluxos comerciais que beneficiem o setor produtivo nacional.
* Integração Energética (Hidroelétrica de Guri): Acompanhar os protocolos de retomada da importação de energia elétrica de Guri para o estado de Roraima, visando garantir segurança energética e redução de custos para a região Norte.
* Cooperação Regional na Amazônia: Discutir mecanismos de preservação ambiental, segurança fronteiriça e desenvolvimento sustentável no bioma amazônico compartilhado. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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