Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação.
Foto: Pixabay
Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação. (Foto: Pixabay)
Quatro em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais (41%) relatam perceber contato diário com deepfakes. Os dados são da pesquisa “Painel TIC – Integridade da Informação”, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. O estudo define deepfakes como “imagens, vídeos ou áudios produzidos ou manipulados por Inteligência Artificial generativa para parecerem verdadeiros”.
A percepção é maior entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 44%. Os pesquisadores destacam desigualdades relacionadas ao letramento digital: o desconhecimento sobre o tema ou sobre o próprio contato com deepfakes é mais frequente entre pessoas das classes D e E (20%) e com menor escolaridade (24%).
A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, afirmou que os resultados evidenciam desafios no combate à manipulação informacional e a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em ano eleitoral. “É um ano no qual os conteúdos produzidos por IA generativa trazem elemento adicional de complexidade para identificar quando um conteúdo é falso ou não. A pesquisa é um alerta às instituições, ao Estado e aos meios jornalísticos sobre a necessidade de revisitar mecanismos para valorizar o espaço informacional”, disse.
O analista do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, Bernardo Balardin, ressaltou que o levantamento mede a percepção de contato, e não necessariamente a circulação real desse tipo de conteúdo. “Se o conteúdo não é entendido como deepfake, a pessoa tende a dizer que não tem contato. A maior percepção entre jovens pode estar ligada à maior capacidade de identificar esses materiais e também ao consumo mais intenso de redes sociais e aplicativos de mensagem”, explicou.
Ainda sobre o tema, 13% dos entrevistados disseram não saber o que são deepfakes ou com que frequência têm contato com eles. Esse índice é maior entre pessoas das classes D e E (20%) e com escolaridade nos anos iniciais do ensino fundamental (24%).
Para o gerente de projetos do Cetic.br, Fabio Senne, os dados refletem a crescente complexidade em identificar a origem e a veracidade das informações. Ele defende a combinação de medidas educacionais e regulatórias, como o ECA Digital. “Não se trata de atribuir toda a responsabilidade ao usuário. É necessário avançar na regulação e na transparência das plataformas, ao mesmo tempo em que se fortalece a educação midiática para melhorar a capacidade de análise das informações”, afirmou.
Sobre a checagem de conteúdos, 69% disseram verificar sempre ou na maioria das vezes a veracidade de informações que parecem urgentes. Outros 64% associam a checagem ao interesse no tema, enquanto 49% afirmam fazê-la quando o conteúdo vem de influenciadores que acompanham.
“A decisão de checar também é influenciada pelo contexto e pela importância da informação para o usuário, como o impacto que ela pode ter no trabalho ou no compartilhamento em grupos”, disse Balardin.
Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação. A falta de tempo é mais citada por pessoas de 25 a 34 anos (43%, ante 33% na média geral). Já o desinteresse aparece em 33% dos casos, com maior incidência entre pessoas das classes A e B e com ensino superior (40%).
Segundo o levantamento, fatores sociodemográficos, socioeconômicos e de conectividade influenciam a capacidade de identificar informações falsas. Em teste realizado com apoio da Agência Lupa, participantes com 45 anos ou mais, das classes A e B e com maior escolaridade tiveram melhor desempenho, assim como usuários com acesso à internet por fibra óptica e múltiplos dispositivos.
Os piores resultados foram registrados entre moradores das regiões Norte (26%) e Nordeste (19%), acima da média das demais regiões (16%), além de residentes em áreas rurais. Já os entrevistados mais engajados em práticas de verificação apresentaram desempenho superior.
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Pesquisa inédita mostra que 41% dos brasileiros de 16 anos ou mais têm contato diário com deepfakes
Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação.
Foto: Pixabay
Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação. (Foto: Pixabay)
Quatro em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais (41%) relatam perceber contato diário com deepfakes. Os dados são da pesquisa “Painel TIC – Integridade da Informação”, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. O estudo define deepfakes como “imagens, vídeos ou áudios produzidos ou manipulados por Inteligência Artificial generativa para parecerem verdadeiros”.
A percepção é maior entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 44%. Os pesquisadores destacam desigualdades relacionadas ao letramento digital: o desconhecimento sobre o tema ou sobre o próprio contato com deepfakes é mais frequente entre pessoas das classes D e E (20%) e com menor escolaridade (24%).
A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, afirmou que os resultados evidenciam desafios no combate à manipulação informacional e a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em ano eleitoral. “É um ano no qual os conteúdos produzidos por IA generativa trazem elemento adicional de complexidade para identificar quando um conteúdo é falso ou não. A pesquisa é um alerta às instituições, ao Estado e aos meios jornalísticos sobre a necessidade de revisitar mecanismos para valorizar o espaço informacional”, disse.
O analista do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, Bernardo Balardin, ressaltou que o levantamento mede a percepção de contato, e não necessariamente a circulação real desse tipo de conteúdo. “Se o conteúdo não é entendido como deepfake, a pessoa tende a dizer que não tem contato. A maior percepção entre jovens pode estar ligada à maior capacidade de identificar esses materiais e também ao consumo mais intenso de redes sociais e aplicativos de mensagem”, explicou.
Ainda sobre o tema, 13% dos entrevistados disseram não saber o que são deepfakes ou com que frequência têm contato com eles. Esse índice é maior entre pessoas das classes D e E (20%) e com escolaridade nos anos iniciais do ensino fundamental (24%).
Para o gerente de projetos do Cetic.br, Fabio Senne, os dados refletem a crescente complexidade em identificar a origem e a veracidade das informações. Ele defende a combinação de medidas educacionais e regulatórias, como o ECA Digital. “Não se trata de atribuir toda a responsabilidade ao usuário. É necessário avançar na regulação e na transparência das plataformas, ao mesmo tempo em que se fortalece a educação midiática para melhorar a capacidade de análise das informações”, afirmou.
Sobre a checagem de conteúdos, 69% disseram verificar sempre ou na maioria das vezes a veracidade de informações que parecem urgentes. Outros 64% associam a checagem ao interesse no tema, enquanto 49% afirmam fazê-la quando o conteúdo vem de influenciadores que acompanham.
“A decisão de checar também é influenciada pelo contexto e pela importância da informação para o usuário, como o impacto que ela pode ter no trabalho ou no compartilhamento em grupos”, disse Balardin.
Motivos como esquecer de checar, falta de tempo ou desinteresse pesam mais do que dificuldades técnicas na verificação. A falta de tempo é mais citada por pessoas de 25 a 34 anos (43%, ante 33% na média geral). Já o desinteresse aparece em 33% dos casos, com maior incidência entre pessoas das classes A e B e com ensino superior (40%).
Segundo o levantamento, fatores sociodemográficos, socioeconômicos e de conectividade influenciam a capacidade de identificar informações falsas. Em teste realizado com apoio da Agência Lupa, participantes com 45 anos ou mais, das classes A e B e com maior escolaridade tiveram melhor desempenho, assim como usuários com acesso à internet por fibra óptica e múltiplos dispositivos.
Os piores resultados foram registrados entre moradores das regiões Norte (26%) e Nordeste (19%), acima da média das demais regiões (16%), além de residentes em áreas rurais. Já os entrevistados mais engajados em práticas de verificação apresentaram desempenho superior.
(Com O Globo)
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