Vorcaro movimentou R$ 18 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos.
Foto: Reprodução
Vorcaro movimentou R$ 18 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos. (Foto: Reprodução)
Daniel Vorcaro pode fazer um acordo de delação premiada após os escândalos do caso envolvendo o Banco Master. O ex-banqueiro poderá ser ouvido e, como resultado, a delação pode render devolução de R$ 40 bilhões. Contudo, o valor seria devolvido ao longo de 10 anos. O relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal) é o ministro André Mendonça.
Assim, o magistrado, que tem experiência prévia na AGU (Advocacia-Geral da União), CGU (Controladoria-Geral da União) e no Ministério da Justiça, tem histórico de negociações. Entre elas, algumas na Operação Lava Jato. Existe preocupação sobre uma possível renegociação dos valores acordados. O movimento seria semelhante ao que aconteceu na Operação Lava Jato. Então, Mendonça teria preferência por um acordo com garantia de retorno imediato dos valores desviados.
Apenas Vorcaro e Zettel tentaram negociar delações até o momento. Assim, os advogados dos investigados tentam espécie de mapeamento das informações que já estão nas mãos dos investigadores — ou seja, informações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Logo, irão decidir o que relatar.
A expectativa é de que o ministro do STF homologue a colaboração apenas se houver avanço significativo. Quanto ao valor que possivelmente seria devolvido, há dúvidas sobre como será angariado. A origem desses R$ 40 bilhões citados nas negociações até agora é alvo de dúvidas.
Movimentações
Vorcaro movimentou R$ 18,1 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos. Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPMI que investigou os desvios em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e que foi encerrada no dia 27 de março. Eles fazem parte da e-financeira, um conjunto de dados que traz informações a respeito de contas bancárias, de investimento, consórcio, entre outras.
Dentre o total informado pelo Fisco, R$ 11,5 bilhões (64%) eram recursos enviados por terceiros a contas de titularidade de Vorcaro. O restante, R$ 6,6 bilhões, foram transações entre contas do próprio banqueiro. No período, as contas correntes registraram entradas de R$ 9,1 bilhões, sendo R$ 6,2 bi de terceiros. Enquanto as saídas nas contas somaram R$ 9 bilhões, sendo R$ 5,3 bilhões de terceiros.
Ao longo do período, o banco mais utilizado foi o próprio Master, responsável por R$ 12,3 bilhões das movimentações. Em seguida, aparece o Bradesco com R$ 2,4 bilhões e em terceiro, o banco BTG, com R$ 1,7 bilhão. Parte dessas movimentações tiveram como contrapartida o envio ou recebimento de dinheiro de fundos de investimento em que Vorcaro mantinha aplicações. Ao longo do mesmo período, foram enviados R$ 2,6 bilhões e sacados outros R$ 362 milhões.
O principal fundo destinatário dos recursos de Vorcaro foi o Hans II FIP MULT, de propriedade da Reag Trust, que faz parte do grupo Reag. O fundo é comandado por João Mansur, suspeito de fazer parte da lavagem de dinheiro feita por Vorcaro e pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Hans II é um fundo de investimento em participações (FIP) multiestratégia, que são condomínios fechados para uma quantidade definida de pessoas e que possibilitam investir todo o capital aportado por seus cotistas em ativos no exterior. O fundo possui 28 cotas, entre eles, Vorcaro. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido era de R$ 3,6 bilhões em 31 de dezembro de 2025.
A principal função deste fundo era investir no FIP Jaya, que, por sua vez, aplicava recursos no fundo Jade. Este último concentrava investimentos, principalmente, em ações da Golden Green Participações, empresa ligada à família Vorcaro que atua com crédito de carbono.
Em fevereiro o fundo Jade atualizou o valor que tinha investido na Golden Green, passando de R$ 14,3 bilhões, para zero, após reportagens mostrarem que, mesmo cientes da fraude nos ativos, a Reag e os gestores mantiveram a avaliação patrimonial bilionária do fundo Jade inalterada ao longo de 2025. Com isso, em um efeito cascata, o valor patrimonial do fundo Hans II passou de R$ 3,6 bilhões para R$ 83 milhões.
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Delação de Vorcaro pode prever devolução de R$ 40 bilhões em 10 anos
Vorcaro movimentou R$ 18 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos.
Foto: Reprodução
Vorcaro movimentou R$ 18 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos. (Foto: Reprodução)
Daniel Vorcaro pode fazer um acordo de delação premiada após os escândalos do caso envolvendo o Banco Master. O ex-banqueiro poderá ser ouvido e, como resultado, a delação pode render devolução de R$ 40 bilhões. Contudo, o valor seria devolvido ao longo de 10 anos. O relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal) é o ministro André Mendonça.
Assim, o magistrado, que tem experiência prévia na AGU (Advocacia-Geral da União), CGU (Controladoria-Geral da União) e no Ministério da Justiça, tem histórico de negociações. Entre elas, algumas na Operação Lava Jato. Existe preocupação sobre uma possível renegociação dos valores acordados. O movimento seria semelhante ao que aconteceu na Operação Lava Jato. Então, Mendonça teria preferência por um acordo com garantia de retorno imediato dos valores desviados.
Apenas Vorcaro e Zettel tentaram negociar delações até o momento. Assim, os advogados dos investigados tentam espécie de mapeamento das informações que já estão nas mãos dos investigadores — ou seja, informações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Logo, irão decidir o que relatar.
A expectativa é de que o ministro do STF homologue a colaboração apenas se houver avanço significativo. Quanto ao valor que possivelmente seria devolvido, há dúvidas sobre como será angariado. A origem desses R$ 40 bilhões citados nas negociações até agora é alvo de dúvidas.
Movimentações
Vorcaro movimentou R$ 18,1 bilhões em suas próprias contas correntes ao longo de 10 anos. Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPMI que investigou os desvios em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e que foi encerrada no dia 27 de março. Eles fazem parte da e-financeira, um conjunto de dados que traz informações a respeito de contas bancárias, de investimento, consórcio, entre outras.
Dentre o total informado pelo Fisco, R$ 11,5 bilhões (64%) eram recursos enviados por terceiros a contas de titularidade de Vorcaro. O restante, R$ 6,6 bilhões, foram transações entre contas do próprio banqueiro. No período, as contas correntes registraram entradas de R$ 9,1 bilhões, sendo R$ 6,2 bi de terceiros. Enquanto as saídas nas contas somaram R$ 9 bilhões, sendo R$ 5,3 bilhões de terceiros.
Ao longo do período, o banco mais utilizado foi o próprio Master, responsável por R$ 12,3 bilhões das movimentações. Em seguida, aparece o Bradesco com R$ 2,4 bilhões e em terceiro, o banco BTG, com R$ 1,7 bilhão. Parte dessas movimentações tiveram como contrapartida o envio ou recebimento de dinheiro de fundos de investimento em que Vorcaro mantinha aplicações. Ao longo do mesmo período, foram enviados R$ 2,6 bilhões e sacados outros R$ 362 milhões.
O principal fundo destinatário dos recursos de Vorcaro foi o Hans II FIP MULT, de propriedade da Reag Trust, que faz parte do grupo Reag. O fundo é comandado por João Mansur, suspeito de fazer parte da lavagem de dinheiro feita por Vorcaro e pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Hans II é um fundo de investimento em participações (FIP) multiestratégia, que são condomínios fechados para uma quantidade definida de pessoas e que possibilitam investir todo o capital aportado por seus cotistas em ativos no exterior. O fundo possui 28 cotas, entre eles, Vorcaro. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido era de R$ 3,6 bilhões em 31 de dezembro de 2025.
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