Ao atuar como “escudo” de Lula e filtro das propostas feitas nas várias áreas do governo como ministro da Casa Civil, Rui Costa acumulou atritos com colegas, mas se manteve afastado das crises políticas envolvendo o Congresso
No decorrer do mandato, Rui Costa passou a ser classificado por integrantes do governo como um “workaholic” e “gerentão”. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Após mais de três anos à frente da Casa Civil, pasta que centraliza a gestão do governo federal e é usada nas administrações petistas como um espaço para a projeção nacional de quadros do partido, o ministro Rui Costa deixa o governo para disputar uma vaga no Senado pela Bahia. Um evento foi programado em Salvador para esta quinta-feira (2), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para marcar a transição da Esplanada para a campanha.
Ao atuar como “escudo” de Lula e filtro das propostas feitas nas várias áreas do governo durante esse período, acumulou atritos com colegas de Esplanada, mas se manteve afastado das crises políticas envolvendo o Congresso. Por outro lado, não conseguiu dar novo brilho ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que alavancou a imagem da ex-presidente Dilma Rousseff quando ela chefiava a Casa Civil e foi mais um programa histórico petista reeditado pela atual administração.
Já no período de transição entre os governos, após a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022, Rui Costa era apenas cotado para assumir a pasta, mas já dizia que retiraria a pasta da articulação política e que não pretendia usar o título de “chefe” da Casa Civil. De fato, afastou-se das tratativas diárias com o Legislativo. A exceção foi em 2024, quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), rompeu com Alexandre Padilha, ministro que à época ocupava a Secretaria de Relações Institucionais e fazia a articulação política. Ele, no entanto, não conseguiu se livrar da alcunha de “chefe”.
No decorrer do mandato, Rui Costa passou a ser classificado por integrantes do governo como um “workaholic” e “gerentão”. Ambas as características, para alguns, são motivo de críticas ao ministro, tido como ríspido. Outros membros da Esplanada, contudo, elogiam a sua capacidade de trabalho e fidelidade a Lula, que logo no início do governo fez questão de dizer que nenhuma proposta deveria ser anunciada sem antes passar pelo crivo do titular da Casa Civil.
Em paralelo, passaram por ele os esforços para relançar programas que já haviam feito sucesso em governos anteriores do PT, como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Mais Médicos, Farmácia Popular e o próprio PAC. Nesse último caso, aliás, o Palácio do Planalto até tentou formular um novo nome, mas acabou lançando a terceira versão com a mesma sigla, em agosto de 2023.
No entanto, diferentemente do que ocorreu no passado, a atual gestão não manteve a prática de atualizar publicamente o balanço das atividades do PAC, que reúne diversas obras e projetos estratégicos em vários setores e em todas as regiões do país – 34,8 mil empreendimentos espalhados por 99% dos municípios brasileiros. Quando ele foi lançado, aliás o governo anunciou que ele previa R$ 1,7 trilhão até 2026. A conta inclui várias formas de investimentos: os previstos com recursos do Orçamento-Geral da União somam R$ 371 bilhões; o das empresas estatais, R$ 343 bilhões; financiamentos, R$ 362 bilhões; e setor privado, R$ 612 bilhões.
O Novo PAC foi reformulado e relançado com o desafio de elevar o índice de conclusão das obras, que ficou abaixo de 10% na primeira versão do programa (entre 2007 e 2010) e pouco mais de 25% na segunda versão (a partir de 2010). Mesmo assim, o programa, que recebe uma das maiores cifras da Esplanada, foi objeto de uma decisão em 2025 do Tribunal de Contas da União (TCU) por meio da qual foi pedido ao Palácio do Planalto a ampliação da transparência do programa federal.
A última atualização do andamento dos empreendimentos no site oficial do programa é de agosto de 2025. Dados incluídos na mensagem do presidente da República enviada ao Congresso em fevereiro apontam, sem dar mais detalhes, que cerca de R$ 945 bilhões já foram executados, o que representa 70,8% do estimado para o período. Até junho de 2026, de acordo com as expectativas da gestão federal, espera-se R$ 1,1 trilhão em execução financeira, ou 87% do previsto. Ainda assim, conforme mostrou o Valor, o fato de o programa ser relativamente pouco bem avaliado ligou um alerta no Planalto ainda no ano passado.
Em paralelo, a popularidade de Rui Costa caía à medida que ele executava a missão dada pelo próprio presidente de filtrar o que chegava a seu gabinete. Isso fez com que o ministro virasse alvo de fortes críticas dos próprios colegas de Esplanada, que o viam como uma barreira para despachar com o chefe do Executivo.
Fontes relatam episódios em que ministros levavam ideias ao titular da Casa Civil, que divergia das propostas. Eles, então, pediam agenda direta com Lula para despachar o assunto, e o presidente perguntava, justamente, se a proposta já tinha passado por Rui Costa. O chefe do Executivo, então, mandava chamar o auxiliar para a reunião, e o ministro fazia questão de explicar seu posicionamento, muitas das vezes relacionado à inconsistência do projeto apresentado. Com informações do portal Valor Econômico.
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Ao atuar como “escudo” de Lula e filtro das propostas feitas nas várias áreas do governo durante esse período, acumulou atritos com colegas de Esplanada, mas se manteve afastado das crises políticas envolvendo o Congresso. Por outro lado, não conseguiu dar novo brilho ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que alavancou a imagem da ex-presidente Dilma Rousseff quando ela chefiava a Casa Civil e foi mais um programa histórico petista reeditado pela atual administração.
Já no período de transição entre os governos, após a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022, Rui Costa era apenas cotado para assumir a pasta, mas já dizia que retiraria a pasta da articulação política e que não pretendia usar o título de “chefe” da Casa Civil. De fato, afastou-se das tratativas diárias com o Legislativo. A exceção foi em 2024, quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), rompeu com Alexandre Padilha, ministro que à época ocupava a Secretaria de Relações Institucionais e fazia a articulação política. Ele, no entanto, não conseguiu se livrar da alcunha de “chefe”.
No decorrer do mandato, Rui Costa passou a ser classificado por integrantes do governo como um “workaholic” e “gerentão”. Ambas as características, para alguns, são motivo de críticas ao ministro, tido como ríspido. Outros membros da Esplanada, contudo, elogiam a sua capacidade de trabalho e fidelidade a Lula, que logo no início do governo fez questão de dizer que nenhuma proposta deveria ser anunciada sem antes passar pelo crivo do titular da Casa Civil.
Em paralelo, passaram por ele os esforços para relançar programas que já haviam feito sucesso em governos anteriores do PT, como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Mais Médicos, Farmácia Popular e o próprio PAC. Nesse último caso, aliás, o Palácio do Planalto até tentou formular um novo nome, mas acabou lançando a terceira versão com a mesma sigla, em agosto de 2023.
No entanto, diferentemente do que ocorreu no passado, a atual gestão não manteve a prática de atualizar publicamente o balanço das atividades do PAC, que reúne diversas obras e projetos estratégicos em vários setores e em todas as regiões do país – 34,8 mil empreendimentos espalhados por 99% dos municípios brasileiros. Quando ele foi lançado, aliás o governo anunciou que ele previa R$ 1,7 trilhão até 2026. A conta inclui várias formas de investimentos: os previstos com recursos do Orçamento-Geral da União somam R$ 371 bilhões; o das empresas estatais, R$ 343 bilhões; financiamentos, R$ 362 bilhões; e setor privado, R$ 612 bilhões.
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Fontes relatam episódios em que ministros levavam ideias ao titular da Casa Civil, que divergia das propostas. Eles, então, pediam agenda direta com Lula para despachar o assunto, e o presidente perguntava, justamente, se a proposta já tinha passado por Rui Costa. O chefe do Executivo, então, mandava chamar o auxiliar para a reunião, e o ministro fazia questão de explicar seu posicionamento, muitas das vezes relacionado à inconsistência do projeto apresentado. Com informações do portal Valor Econômico.
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