O Tribunal de Contas da União não encontrou indícios de “precipitação” do Banco Central na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, como chegou a apontar um ministro do Primeiro Tribunal em dezembro
Além disso auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo. (Foto: ABr)
A auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master concluiu que não foram identificadas “impropriedades, omissões ou negligência” por parte do órgão regulador.
O relatório, que permanece sigiloso por decisão do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, não encontrou indícios de “precipitação” do Banco Central na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, como chegou a apontar Jhonatan em dezembro. Em janeiro, o relator chegou a mencionar a possibilidade de adotar medidas cautelares contra o BC e determinou uma diligência no órgão.
Segundo trecho do documento a liquidação foi considerada medida “imperativa, legal, e tecnicamente fundamentada”, depois de esgotadas as opções de recuperação do banco e após serem encontradas práticas de ilícitos por parte da administração do Master.
“Conclui-se, ao final, que não foram identificadas impropriedades, omissões, ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil. A decretação da liquidação extrajudicial foi considerada medida imperativa, legal, e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento fático das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição supervisionada”, conclui o relatório.
A atuação de Jhonatan de Jesus no caso Master e o cerco ao Banco Central provocaram questionamentos sobre os limites da Corte de Contas no processo que envolve o sistema financeiro. Além disso auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo.
A íntegra do relatório dos técnicos do TCU foi encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), sob a guarda do presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Renan está consultando a área jurídica do Senado para avaliar a queda de sigilo sobre essa análise.
Na semana passada o subprocurador-geral do Ministério Público de Contas junto ao TCU (MP-TCU) Lucas Furtado respondeu ofício de Renan apontando que cabe ao Senado decidir pelo sigilo, e não o TCU, já que a Corte de contas é um órgão vinculado ao Congresso.
No Banco Central, a conclusão do relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (Audbancos) foi recebida com alívio porque reforça o caráter técnico do trabalho feito pelo BC durante o processo de análise da liquidação do Master.
Ainda assim, segundo apurou a reportagem, causa surpresa dentro do órgão que todo o relatório permaneça sob sigilo, por ordem de Jhonatan – mais de um mês após o término da diligência.
Atuação questionada A atuação do ministro Jhonatan de Jesus no caso provocou questionamentos entre especialistas e técnicos do TCU ouvidos que afirmam que tribunal não poderia interferir no processo de liquidação determinada pelo Banco Central.
Figura próxima ao Centrão, Jhonatan de Jesus entrou no TCU em 2023 pelas mãos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) após quatro eleições para deputado federal.
Enquanto era deputado, Jhonatan indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados. A maior parte “sumiu” sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro.
O ministro nega desvio de finalidade nas indicações e afirma que a execução e a prestação de contas são de responsabilidade dos Estados e municípios que receberam os recursos. Com informações do portal Estadão.
Barroso disse na semana passada que não existe anistia antes de julgamento. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), atribui a uma declaração do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, o clima propício para deflagração do movimento pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro —incluindo Jair Bolsonaro …
Ainda de acordo com o levantamento, 49% dos brasileiros afirmam não confiar no Supremo, ante 43% que dizem confiar na instituição. (Foto: Luiz Silveira/STF) Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana aponta que 72% dos brasileiros entendem que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem poder demais. Além disso, 66% disseram ser importante votar neste ano em candidatos …
O presidente e a primeira-dama têm duas vira-lata: Resistência e Esperança, adotada nas enchentes de 2024 no RS. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa quinta-feira (26) que brasileiros estão gastando muito com cachorros e que na China “não deve ter esse problema”. A declaração ocorreu durante visita do …
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é o responsável pela convocação da sessão conjunta. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado de que o Congresso Nacional não pretende convocar, por ora, uma sessão conjunta para analisar os vetos do Executivo. O motivo é o impasse envolvendo as …
O Tribunal de Contas da União não encontrou indícios de “precipitação” do Banco Central na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, como chegou a apontar um ministro do Primeiro Tribunal em dezembro
Além disso auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo. (Foto: ABr)
A auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master concluiu que não foram identificadas “impropriedades, omissões ou negligência” por parte do órgão regulador.
O relatório, que permanece sigiloso por decisão do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, não encontrou indícios de “precipitação” do Banco Central na liquidação do banco de Daniel Vorcaro, como chegou a apontar Jhonatan em dezembro. Em janeiro, o relator chegou a mencionar a possibilidade de adotar medidas cautelares contra o BC e determinou uma diligência no órgão.
Segundo trecho do documento a liquidação foi considerada medida “imperativa, legal, e tecnicamente fundamentada”, depois de esgotadas as opções de recuperação do banco e após serem encontradas práticas de ilícitos por parte da administração do Master.
“Conclui-se, ao final, que não foram identificadas impropriedades, omissões, ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil. A decretação da liquidação extrajudicial foi considerada medida imperativa, legal, e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento fático das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição supervisionada”, conclui o relatório.
A atuação de Jhonatan de Jesus no caso Master e o cerco ao Banco Central provocaram questionamentos sobre os limites da Corte de Contas no processo que envolve o sistema financeiro. Além disso auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo.
A íntegra do relatório dos técnicos do TCU foi encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), sob a guarda do presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Renan está consultando a área jurídica do Senado para avaliar a queda de sigilo sobre essa análise.
Na semana passada o subprocurador-geral do Ministério Público de Contas junto ao TCU (MP-TCU) Lucas Furtado respondeu ofício de Renan apontando que cabe ao Senado decidir pelo sigilo, e não o TCU, já que a Corte de contas é um órgão vinculado ao Congresso.
No Banco Central, a conclusão do relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (Audbancos) foi recebida com alívio porque reforça o caráter técnico do trabalho feito pelo BC durante o processo de análise da liquidação do Master.
Ainda assim, segundo apurou a reportagem, causa surpresa dentro do órgão que todo o relatório permaneça sob sigilo, por ordem de Jhonatan – mais de um mês após o término da diligência.
Atuação questionada
A atuação do ministro Jhonatan de Jesus no caso provocou questionamentos entre especialistas e técnicos do TCU ouvidos que afirmam que tribunal não poderia interferir no processo de liquidação determinada pelo Banco Central.
Figura próxima ao Centrão, Jhonatan de Jesus entrou no TCU em 2023 pelas mãos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) após quatro eleições para deputado federal.
Enquanto era deputado, Jhonatan indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados. A maior parte “sumiu” sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro.
O ministro nega desvio de finalidade nas indicações e afirma que a execução e a prestação de contas são de responsabilidade dos Estados e municípios que receberam os recursos. Com informações do portal Estadão.
Related Posts
Fala do ministro Barroso mudou clima para anistia e filhos de Bolsonaro vão obedecer o pai em 2026, diz o presidente do partido Progressistas, Ciro Nogueira
Barroso disse na semana passada que não existe anistia antes de julgamento. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), atribui a uma declaração do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, o clima propício para deflagração do movimento pela anistia aos condenados do 8 de Janeiro —incluindo Jair Bolsonaro …
Pesquisa Genial/Quaest: maioria vê o Supremo com poder demais e considera votar em candidato pró-impeachment
Ainda de acordo com o levantamento, 49% dos brasileiros afirmam não confiar no Supremo, ante 43% que dizem confiar na instituição. (Foto: Luiz Silveira/STF) Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana aponta que 72% dos brasileiros entendem que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem poder demais. Além disso, 66% disseram ser importante votar neste ano em candidatos …
Lula diz que brasileiro gasta muito com cachorros e que a “China não deve ter esse problema”
O presidente e a primeira-dama têm duas vira-lata: Resistência e Esperança, adotada nas enchentes de 2024 no RS. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa quinta-feira (26) que brasileiros estão gastando muito com cachorros e que na China “não deve ter esse problema”. A declaração ocorreu durante visita do …
Lula foi informado de que o Congresso Nacional não pretende convocar, por ora, uma sessão conjunta para analisar os vetos do governo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é o responsável pela convocação da sessão conjunta. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado de que o Congresso Nacional não pretende convocar, por ora, uma sessão conjunta para analisar os vetos do Executivo. O motivo é o impasse envolvendo as …