O ex-diretor do Banco Central é suspeito de ter manipulado informações sobre a atuação do Banco Master para afastar suspeitas da cúpula do órgão e driblar investigações internas
Paulo Sérgio atuou como diretor de Fiscalização da autoridade monetária entre 2017 e 2023. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza é suspeito de ter manipulado informações sobre a atuação do Banco Master quando chefiava a área de Fiscalização, na gestão de Roberto Campos Neto, para afastar suspeitas da cúpula do órgão e driblar investigações internas.
Segundo relato feito por duas pessoas com conhecimento no assunto, Paulo Sérgio fornecia dados incorretos à diretoria do BC sobre o balanço do Master, de Daniel Vorcaro, e minimizava as queixas de banqueiros rivais sobre o modelo de negócio agressivo da instituição.
Por meio de sua defesa, o ex-diretor disse que nunca houve manipulação e que jamais foi indagado pela cúpula do BC sobre a atuação do Master. “Diversas equipes da área de Fiscalização e de outras áreas interagem com informações acerca das instituições financeiras e todo processo é documentado, não sendo passível de manipulação por uma única pessoa”, afirmou.
Na segunda-feira (16), por volta das 15h30, o portal Folha de S. Paulo esteve na antiga residência do servidor em Brasília, mas foi informada de sua mudança para Guaxupé, em Minas Gerais. Ele trabalhou no BC de forma remota nos últimos anos.
O ex-diretor não foi à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado Federal sobre o crime organizado nesta quarta-feira (18), depois de ter sido desobrigado a comparecer por decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, ele é suspeito de ter atuado como consultor informal de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. No início do mês, Mendonça determinou o afastamento do servidor pela via judicial. Desde janeiro seus acessos ao Banco Central já tinham sido desligados.
Um episódio que chamou a atenção de um desses interlocutores trata das carteiras de crédito para pessoas jurídicas. Entre 2022 e 2023, quando era diretor do BC, Paulo Sérgio recebeu de Roberto Campos Neto a incumbência de verificar carteiras de crédito de empresas e fundos ligados ao banco de Vorcaro e visitar algumas dessas companhias para checar as operações.
O modelo de investimento do Master englobava elementos considerados inusuais, entre eles, a possibilidade de conversão de empréstimos não quitados em participação societária na empresa. Somado a isso, havia um ponto cego na regulação vigente à época que limitava a capacidade de fiscalização do BC.
A provisão (reserva de capital) que as instituições devem fazer para lidar com casos de inadimplência se apoiava em dados históricos. No entanto, as operações do Master foram estruturadas de forma que esse histórico levava mais tempo para ser repassado e às vezes acabavam nem chegando ao banco.
A combinação desses fatores levou a presidência do BC a direcionar um olhar mais atento para a atuação do banco de Vorcaro. Depois de conduzir o estudo solicitado pelo então presidente do BC, Paulo Sérgio levou à diretoria colegiada a convicção de que as empresas tinham negócios genuínos e que não havia motivo para preocupação.
Posteriormente, investigação feita pela Polícia Federal listou 36 empresas que tomaram empréstimos suspeitos com o Master. Pelo menos 23 delas atuam diretamente com negócios do ramos imobiliário, hotelaria e de construção.
Questionado sobre esse estudo, Paulo Sérgio disse por meio de seu advogado que Roberto Campos Neto encomendou um trabalho sobre carteira de precatórios, e não sobre carteira PJ. Mas, segundo apuração da Folha de S. Paulo, tratavam-se de duas análises distintas.
De acordo com o servidor do BC, um trabalho mais amplo sobre a carteira de crédito PJ e gestão do risco de liquidez foi conduzido pelo departamento de Supervisão Bancária quando ele já atuava como chefe-adjunto. “Tendo sido identificadas irregularidades relevantes sobre a carteira de crédito e devidamente formalizadas ao Banco Master na metade de setembro de 2024.”
Entre banqueiros, havia desconfiança de que conversas no BC com temas relacionados a Vorcaro eram repassadas para o próprio dono do Master, de acordo com relatos ouvidos pela reportagem por duas pessoas a par do assunto. Um participante dessas reuniões chegou a especular que os encontros poderiam estar até mesmo estar sendo gravados.
Quanto às queixas dos banqueiros em relação ao Master, Paulo Sérgio afirmou que apenas um conselheiro do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) criticou durante uma reunião presencial o fato de o banco fazer operações típicas de private equity. “Foram realizados trabalhos em 2022 e 2023 na carteira de crédito. Jamais qualquer banco do S1 [segmento que reúne as maiores instituições do país] levou preocupação sobre o Master durante seu mandato como diretor”, acrescentou. Com informações da Folha de São Paulo.
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Segundo relato feito por duas pessoas com conhecimento no assunto, Paulo Sérgio fornecia dados incorretos à diretoria do BC sobre o balanço do Master, de Daniel Vorcaro, e minimizava as queixas de banqueiros rivais sobre o modelo de negócio agressivo da instituição.
Por meio de sua defesa, o ex-diretor disse que nunca houve manipulação e que jamais foi indagado pela cúpula do BC sobre a atuação do Master. “Diversas equipes da área de Fiscalização e de outras áreas interagem com informações acerca das instituições financeiras e todo processo é documentado, não sendo passível de manipulação por uma única pessoa”, afirmou.
Na segunda-feira (16), por volta das 15h30, o portal Folha de S. Paulo esteve na antiga residência do servidor em Brasília, mas foi informada de sua mudança para Guaxupé, em Minas Gerais. Ele trabalhou no BC de forma remota nos últimos anos.
O ex-diretor não foi à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado Federal sobre o crime organizado nesta quarta-feira (18), depois de ter sido desobrigado a comparecer por decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, ele é suspeito de ter atuado como consultor informal de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. No início do mês, Mendonça determinou o afastamento do servidor pela via judicial. Desde janeiro seus acessos ao Banco Central já tinham sido desligados.
Um episódio que chamou a atenção de um desses interlocutores trata das carteiras de crédito para pessoas jurídicas. Entre 2022 e 2023, quando era diretor do BC, Paulo Sérgio recebeu de Roberto Campos Neto a incumbência de verificar carteiras de crédito de empresas e fundos ligados ao banco de Vorcaro e visitar algumas dessas companhias para checar as operações.
O modelo de investimento do Master englobava elementos considerados inusuais, entre eles, a possibilidade de conversão de empréstimos não quitados em participação societária na empresa. Somado a isso, havia um ponto cego na regulação vigente à época que limitava a capacidade de fiscalização do BC.
A provisão (reserva de capital) que as instituições devem fazer para lidar com casos de inadimplência se apoiava em dados históricos. No entanto, as operações do Master foram estruturadas de forma que esse histórico levava mais tempo para ser repassado e às vezes acabavam nem chegando ao banco.
A combinação desses fatores levou a presidência do BC a direcionar um olhar mais atento para a atuação do banco de Vorcaro. Depois de conduzir o estudo solicitado pelo então presidente do BC, Paulo Sérgio levou à diretoria colegiada a convicção de que as empresas tinham negócios genuínos e que não havia motivo para preocupação.
Posteriormente, investigação feita pela Polícia Federal listou 36 empresas que tomaram empréstimos suspeitos com o Master. Pelo menos 23 delas atuam diretamente com negócios do ramos imobiliário, hotelaria e de construção.
Questionado sobre esse estudo, Paulo Sérgio disse por meio de seu advogado que Roberto Campos Neto encomendou um trabalho sobre carteira de precatórios, e não sobre carteira PJ. Mas, segundo apuração da Folha de S. Paulo, tratavam-se de duas análises distintas.
De acordo com o servidor do BC, um trabalho mais amplo sobre a carteira de crédito PJ e gestão do risco de liquidez foi conduzido pelo departamento de Supervisão Bancária quando ele já atuava como chefe-adjunto. “Tendo sido identificadas irregularidades relevantes sobre a carteira de crédito e devidamente formalizadas ao Banco Master na metade de setembro de 2024.”
Entre banqueiros, havia desconfiança de que conversas no BC com temas relacionados a Vorcaro eram repassadas para o próprio dono do Master, de acordo com relatos ouvidos pela reportagem por duas pessoas a par do assunto. Um participante dessas reuniões chegou a especular que os encontros poderiam estar até mesmo estar sendo gravados.
Quanto às queixas dos banqueiros em relação ao Master, Paulo Sérgio afirmou que apenas um conselheiro do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) criticou durante uma reunião presencial o fato de o banco fazer operações típicas de private equity. “Foram realizados trabalhos em 2022 e 2023 na carteira de crédito. Jamais qualquer banco do S1 [segmento que reúne as maiores instituições do país] levou preocupação sobre o Master durante seu mandato como diretor”, acrescentou. Com informações da Folha de São Paulo.
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