Entrevero ocorreu durante a votação de requerimentos que quebravam sigilo bancário do filho do presidente Lula. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Os leitores mais jovens talvez não tenham conhecido o Telecatch, uma espécie de luta livre coreografada muito popular entre as décadas de 1960 e 1980. Nela, ninguém efetivamente se machucava, pois o objetivo dos participantes era divertir o público. Se alguém sentir saudade ou curiosidade sobre os combates, basta conferir a sessão mais recente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o esquema de fraudes no INSS.
A exemplo da modalidade, a reunião terminou com uma encenação de troca de sopapos, com a diferença de que o espetáculo protagonizado por deputados e senadores não fez ninguém rir. Foi só mais um capítulo de uma comissão que prometia muito, não entregou nada e que felizmente se encerra no fim de março – a não ser que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP), perca o juízo e aceite prorrogar seus trabalhos.
Meses depois, deputados e senadores da base aliada, da oposição e do Centrão pisam em ovos para poupar aliados e a si mesmos. A longevidade de um esquema que atravessou governos desde 2016 indica, no mínimo, uma conivência suprapartidária do Congresso que permitiu que os débitos irregulares atingissem milhões de pessoas.
Não chegar a lugar algum já seria ruim para uma CPMI, mas transformar o plenário em um ringue e aprovar no tapetão um pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, é um epílogo verdadeiramente indigno para qualquer comissão.
Goste-se ou não, a base aliada estava presente em peso, o suficiente para impedir a aprovação do requerimento do relator, Alfredo Gaspar (União-AL). Diante da confusão, era obrigação do presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), fazer a recontagem dos votos. Se o Regimento Interno do Congresso ainda tem algum valor, anular a votação é um dever de Alcolumbre.
Tudo isso só serviu para colocar os holofotes sobre uma CPMI que anda de lado desde sua criação e conferir alguma notoriedade para o presidente e o relator, que disputarão, respectivamente, o Senado por Minas Gerais e o governo de Alagoas em oposição a candidatos apoiados pelo governo Lula.
Não por acaso, Viana e Gaspar foram mencionados no documento fotografado por toda a imprensa no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou sua estratégia para formar palanques nos Estados para sua candidatura à Presidência.
Se Lulinha vai se dar mal, não será pelas mãos de uma CPMI natimorta, que apela a manobras para chamar a atenção e que nunca esteve disposta a colocar o dedo na ferida para esclarecer as fraudes que deveria investigar. (Opinião/O Estado de S. Paulo)
Ex-presidente do INSS foi preso e PF vê também participação de ex-ministro no governo Jair Bolsonaro.(Foto: Pedro França/Agência Senado) A Polícia Federal (PF) descreveu a existência de três núcleos de pessoas, com divisão de tarefas e hierarquia, que atuaram na suposta organização criminosa que desviou R$ 640 milhões de aposentados e pensionistas do INSS por …
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Quebra de sigilo de Lulinha no tapetão cria fato político sem qualquer serventia para elucidar o escândalo
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A exemplo da modalidade, a reunião terminou com uma encenação de troca de sopapos, com a diferença de que o espetáculo protagonizado por deputados e senadores não fez ninguém rir. Foi só mais um capítulo de uma comissão que prometia muito, não entregou nada e que felizmente se encerra no fim de março – a não ser que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP), perca o juízo e aceite prorrogar seus trabalhos.
Meses depois, deputados e senadores da base aliada, da oposição e do Centrão pisam em ovos para poupar aliados e a si mesmos. A longevidade de um esquema que atravessou governos desde 2016 indica, no mínimo, uma conivência suprapartidária do Congresso que permitiu que os débitos irregulares atingissem milhões de pessoas.
Não chegar a lugar algum já seria ruim para uma CPMI, mas transformar o plenário em um ringue e aprovar no tapetão um pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, é um epílogo verdadeiramente indigno para qualquer comissão.
Goste-se ou não, a base aliada estava presente em peso, o suficiente para impedir a aprovação do requerimento do relator, Alfredo Gaspar (União-AL). Diante da confusão, era obrigação do presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), fazer a recontagem dos votos. Se o Regimento Interno do Congresso ainda tem algum valor, anular a votação é um dever de Alcolumbre.
Tudo isso só serviu para colocar os holofotes sobre uma CPMI que anda de lado desde sua criação e conferir alguma notoriedade para o presidente e o relator, que disputarão, respectivamente, o Senado por Minas Gerais e o governo de Alagoas em oposição a candidatos apoiados pelo governo Lula.
Não por acaso, Viana e Gaspar foram mencionados no documento fotografado por toda a imprensa no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou sua estratégia para formar palanques nos Estados para sua candidatura à Presidência.
Se Lulinha vai se dar mal, não será pelas mãos de uma CPMI natimorta, que apela a manobras para chamar a atenção e que nunca esteve disposta a colocar o dedo na ferida para esclarecer as fraudes que deveria investigar. (Opinião/O Estado de S. Paulo)
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