A Huawei, do setor de telecomunicações e eletrônicos, lidera a corrida dos chips na China. (Foto: Reprodução)
Em uma conferência na Universidade Tsinghua, em Pequim, realizada em janeiro, um grupo de executivos e fundadores mais influentes que atuam na área de inteligência artificial (IA) na China se reuniu para discutir o setor. O clima era de otimismo. Uma das empresas ali presentes – havia executivos da Tencent, Alibaba e Zhipu AI – poderia em breve liderar o setor no mundo, concordaram eles.
Mas um fator os impedia: eles precisavam de mais semicondutores super-rápidos.
Este ano, os fabricantes chineses de chips produzirão uma pequena fração do número de chips avançados fabricados por empresas estrangeiras. A Huawei, do setor de telecomunicações e eletrônicos, que lidera a corrida dos chips na China, disse que precisará de cerca de dois anos para produzir modelos com desempenho equivalente aos atuais da Nvidia, do Vale do Silício.
“Até mesmo a campeã nacional está travando uma batalha árdua”, disse Xiaomeng Lu, diretora do Eurasia Group, consultoria política e grupo de pesquisa em Washington.
Embora os controles de exportação de Washington tenham desacelerado o desenvolvimento de chips na China, eles impulsionaram o esforço de Pequim, que já dura uma década, para desenvolver tecnologias estratégicas, como semicondutores e IA, inteiramente em território nacional.
Recursos públicos e privados têm sido investidos no desenvolvimento da inteligência artificial chinesa. Diversas startups de IA estão abrindo capital. No mês passado, duas das empresas mais promissoras do ramo na China captaram mais de US$ 1 bilhão em ofertas públicas iniciais (IPOs), em Hong Kong.
A discrepância entre o dinheiro investido no setor de IA da China e a realidade de que as empresas chinesas produzem menos chips do que o país precisa revela a urgência dos esforços de Pequim para alcançar a autossuficiência – e quanto o setor de IA chinês ainda depende de chips estrangeiros.
Em dezembro, o presidente Trump deu uma sobrevida à China ao permitir que a Nvidia vendesse alguns de seus chips avançados para empresas chinesas. Mas se o país terá amplo acesso a eles permanece uma incógnita, às vésperas da visita de Trump a Pequim, em março.
O esforço do governo chinês para produzir internamente chips de ponta começou há mais de uma década. E já foram investidos mais de US$ 150 bilhões nessa empreitada.
As maiores empresas de tecnologia da China, incluindo Huawei, Alibaba e a ByteDance, que é dona do TikTok, iniciaram negócios de design de chips. Fabricantes de chips, muitos trabalhando com a Huawei, estão construindo dezenas de fábricas e contrataram os melhores engenheiros de Taiwan e da Coreia do Sul.
Mas a tarefa de alcançar o nível dos demais concorrentes tem se tornado progressivamente mais difícil. Embora as empresas chinesas tenham construído sua própria cadeia de suprimentos para produzir chips, autoridades em Washington tentaram impedi-las. Três administrações americanas utilizaram controles de exportação de chips avançados e dos meios para produzi-los.
As restrições impediram que empresas chinesas comprassem equipamentos fabricados pela empresa holandesa ASML, que realizam uma etapa crucial no processo de fabricação de chips. A falta de acesso a essas máquinas, que têm o tamanho de ônibus escolares, é um dos motivos pelos quais as empresas chinesas estão produzindo chips com desempenho inferior aos da Nvidia, que são os melhores do mercado.
Esses são os tipos de chips que alimentam os sistemas de IA. As empresas chinesas devem produzir apenas 2% dos chips de IA fabricados por empresas estrangeiras este ano, diz Tim Fist, diretor do Institute for Progress, um “think tank” em Washington.
A diferença de produção entre fabricantes chineses e estrangeiros é especialmente grande para os chips de memória, essenciais para os grandes cálculos feitos pela IA.
A impossibilidade de obter ferramentas essenciais da ASML tem sido um grande obstáculo para as fabricantes chinesas de chips. Por isso, as fabricantes chinesas de chips recrutaram engenheiros com experiência no uso dessas máquinas na TSMC, a maior fabricante de chips do mundo. E agora startups chinesas estão tentando fabricar seus próprios equipamentos para produção de chips. As informações são do jornal The New York Times.
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China corre para ter indústria de chips à altura dos desafios da inteligência artificial
A Huawei, do setor de telecomunicações e eletrônicos, lidera a corrida dos chips na China. (Foto: Reprodução)
Em uma conferência na Universidade Tsinghua, em Pequim, realizada em janeiro, um grupo de executivos e fundadores mais influentes que atuam na área de inteligência artificial (IA) na China se reuniu para discutir o setor. O clima era de otimismo. Uma das empresas ali presentes – havia executivos da Tencent, Alibaba e Zhipu AI – poderia em breve liderar o setor no mundo, concordaram eles.
Mas um fator os impedia: eles precisavam de mais semicondutores super-rápidos.
Este ano, os fabricantes chineses de chips produzirão uma pequena fração do número de chips avançados fabricados por empresas estrangeiras. A Huawei, do setor de telecomunicações e eletrônicos, que lidera a corrida dos chips na China, disse que precisará de cerca de dois anos para produzir modelos com desempenho equivalente aos atuais da Nvidia, do Vale do Silício.
“Até mesmo a campeã nacional está travando uma batalha árdua”, disse Xiaomeng Lu, diretora do Eurasia Group, consultoria política e grupo de pesquisa em Washington.
Embora os controles de exportação de Washington tenham desacelerado o desenvolvimento de chips na China, eles impulsionaram o esforço de Pequim, que já dura uma década, para desenvolver tecnologias estratégicas, como semicondutores e IA, inteiramente em território nacional.
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A discrepância entre o dinheiro investido no setor de IA da China e a realidade de que as empresas chinesas produzem menos chips do que o país precisa revela a urgência dos esforços de Pequim para alcançar a autossuficiência – e quanto o setor de IA chinês ainda depende de chips estrangeiros.
Em dezembro, o presidente Trump deu uma sobrevida à China ao permitir que a Nvidia vendesse alguns de seus chips avançados para empresas chinesas. Mas se o país terá amplo acesso a eles permanece uma incógnita, às vésperas da visita de Trump a Pequim, em março.
O esforço do governo chinês para produzir internamente chips de ponta começou há mais de uma década. E já foram investidos mais de US$ 150 bilhões nessa empreitada.
As maiores empresas de tecnologia da China, incluindo Huawei, Alibaba e a ByteDance, que é dona do TikTok, iniciaram negócios de design de chips. Fabricantes de chips, muitos trabalhando com a Huawei, estão construindo dezenas de fábricas e contrataram os melhores engenheiros de Taiwan e da Coreia do Sul.
Mas a tarefa de alcançar o nível dos demais concorrentes tem se tornado progressivamente mais difícil. Embora as empresas chinesas tenham construído sua própria cadeia de suprimentos para produzir chips, autoridades em Washington tentaram impedi-las. Três administrações americanas utilizaram controles de exportação de chips avançados e dos meios para produzi-los.
As restrições impediram que empresas chinesas comprassem equipamentos fabricados pela empresa holandesa ASML, que realizam uma etapa crucial no processo de fabricação de chips. A falta de acesso a essas máquinas, que têm o tamanho de ônibus escolares, é um dos motivos pelos quais as empresas chinesas estão produzindo chips com desempenho inferior aos da Nvidia, que são os melhores do mercado.
Esses são os tipos de chips que alimentam os sistemas de IA. As empresas chinesas devem produzir apenas 2% dos chips de IA fabricados por empresas estrangeiras este ano, diz Tim Fist, diretor do Institute for Progress, um “think tank” em Washington.
A diferença de produção entre fabricantes chineses e estrangeiros é especialmente grande para os chips de memória, essenciais para os grandes cálculos feitos pela IA.
A impossibilidade de obter ferramentas essenciais da ASML tem sido um grande obstáculo para as fabricantes chinesas de chips. Por isso, as fabricantes chinesas de chips recrutaram engenheiros com experiência no uso dessas máquinas na TSMC, a maior fabricante de chips do mundo. E agora startups chinesas estão tentando fabricar seus próprios equipamentos para produção de chips. As informações são do jornal The New York Times.
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