Bolsonaro e Kassab (PSD) precisam dos votos do Centrão.
Foto: Ag. Senado
Bolsonaro e Kassab (PSD) precisam dos votos do Centrão. (Foto: Ag. Senado)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o PSD intensificaram a disputa pelo apoio do Republicanos e da federação formada por União Brasil e PP na corrida presidencial. As duas forças políticas, no entanto, adotam uma estratégia de cautela e evitam antecipar definições, mantendo margem para negociar condições mais vantajosas no futuro. Além disso, ambos os blocos seguem dialogando com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que reforça o caráter pragmático das tratativas.
Republicanos e a federação União-PP são vistos como peças-chave tanto pelo entorno de Flávio Bolsonaro quanto pela cúpula do PSD, comandado por Gilberto Kassab. O peso dessas siglas no Congresso Nacional, o tempo de propaganda eleitoral na televisão e a capilaridade nos estados são considerados fatores decisivos para a formação de uma candidatura competitiva ao Palácio do Planalto.
O PL, presidido por Valdemar Costa Neto, passou a estruturar a pré-candidatura de Flávio após sinalização do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação, contudo, ganhou um novo elemento de concorrência com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, há duas semanas. A legenda também apresenta como possíveis presidenciáveis os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
O surgimento de novas alternativas acelerou as articulações nos bastidores. Integrantes do PL relatam que representantes de Flávio Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto intensificaram conversas com dirigentes do Republicanos, do União Brasil e do PP. O principal argumento é que a direita teria mais chances eleitorais se reduzisse a fragmentação desde já, fortalecendo um nome nacional e garantindo previsibilidade às alianças estaduais.
As negociações incluem discussões sobre a composição da chapa presidencial, com acenos para a vaga de vice, além da construção de palanques regionais. O PSD também atua nesse campo, especialmente em estados onde União, PP e Republicanos dispõem de quadros competitivos para disputas majoritárias.
Em Minas Gerais, o PSD trabalha a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões e sinaliza abertura para alianças com a federação União-PP e com o Republicanos, tanto na chapa ao governo quanto nas disputas ao Senado. O União, por sua vez, avalia a possível filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enquanto o Republicanos conta com o senador Cleitinho Azevedo como nome relevante, ainda sem decisão formal.
No Paraná, o PSD deve lançar o secretário de Cidades, Guto Silva, e aposta na influência do governador Ratinho Jr. para se aproximar das demais legendas. No Rio de Janeiro, onde o Republicanos integra a base do governador Cláudio Castro (PL), o PSD busca explorar divisões internas do grupo para ampliar o espaço político do prefeito Eduardo Paes.
O Republicanos é considerado estratégico também pela ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus e pela forte presença no eleitorado evangélico. A legenda afirma que qualquer definição será tomada em conjunto com as decisões regionais. Entre aliados de Flávio Bolsonaro, há a avaliação de que a chapa poderia incluir uma mulher como vice, com nomes do Republicanos e do PP sendo mencionados internamente.
Apesar da aproximação com a direita, o Republicanos mantém posições no governo federal e defende preservar canais de interlocução com o Planalto. Dirigentes admitem que a sigla dificilmente adotará uma posição uniforme no curto prazo e avaliam liberar diretórios estaduais para alianças distintas, sobretudo no Nordeste.
Na federação União-PP, o diagnóstico é de um ambiente ainda indefinido. Dirigentes reconhecem Flávio Bolsonaro como um nome viável, mas condicionam qualquer apoio ao desenho final da campanha e às negociações nos estados. A cautela também reflete a participação das duas siglas no governo federal, o que mantém abertas as pontes com o Palácio do Planalto.
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Flávio Bolsonaro e PSD disputam partidos do Centrão, que flertam com governo
Bolsonaro e Kassab (PSD) precisam dos votos do Centrão.
Foto: Ag. Senado
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o PSD intensificaram a disputa pelo apoio do Republicanos e da federação formada por União Brasil e PP na corrida presidencial. As duas forças políticas, no entanto, adotam uma estratégia de cautela e evitam antecipar definições, mantendo margem para negociar condições mais vantajosas no futuro. Além disso, ambos os blocos seguem dialogando com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que reforça o caráter pragmático das tratativas.
Republicanos e a federação União-PP são vistos como peças-chave tanto pelo entorno de Flávio Bolsonaro quanto pela cúpula do PSD, comandado por Gilberto Kassab. O peso dessas siglas no Congresso Nacional, o tempo de propaganda eleitoral na televisão e a capilaridade nos estados são considerados fatores decisivos para a formação de uma candidatura competitiva ao Palácio do Planalto.
O PL, presidido por Valdemar Costa Neto, passou a estruturar a pré-candidatura de Flávio após sinalização do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação, contudo, ganhou um novo elemento de concorrência com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, há duas semanas. A legenda também apresenta como possíveis presidenciáveis os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
O surgimento de novas alternativas acelerou as articulações nos bastidores. Integrantes do PL relatam que representantes de Flávio Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto intensificaram conversas com dirigentes do Republicanos, do União Brasil e do PP. O principal argumento é que a direita teria mais chances eleitorais se reduzisse a fragmentação desde já, fortalecendo um nome nacional e garantindo previsibilidade às alianças estaduais.
As negociações incluem discussões sobre a composição da chapa presidencial, com acenos para a vaga de vice, além da construção de palanques regionais. O PSD também atua nesse campo, especialmente em estados onde União, PP e Republicanos dispõem de quadros competitivos para disputas majoritárias.
Em Minas Gerais, o PSD trabalha a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões e sinaliza abertura para alianças com a federação União-PP e com o Republicanos, tanto na chapa ao governo quanto nas disputas ao Senado. O União, por sua vez, avalia a possível filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), enquanto o Republicanos conta com o senador Cleitinho Azevedo como nome relevante, ainda sem decisão formal.
No Paraná, o PSD deve lançar o secretário de Cidades, Guto Silva, e aposta na influência do governador Ratinho Jr. para se aproximar das demais legendas. No Rio de Janeiro, onde o Republicanos integra a base do governador Cláudio Castro (PL), o PSD busca explorar divisões internas do grupo para ampliar o espaço político do prefeito Eduardo Paes.
O Republicanos é considerado estratégico também pela ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus e pela forte presença no eleitorado evangélico. A legenda afirma que qualquer definição será tomada em conjunto com as decisões regionais. Entre aliados de Flávio Bolsonaro, há a avaliação de que a chapa poderia incluir uma mulher como vice, com nomes do Republicanos e do PP sendo mencionados internamente.
Apesar da aproximação com a direita, o Republicanos mantém posições no governo federal e defende preservar canais de interlocução com o Planalto. Dirigentes admitem que a sigla dificilmente adotará uma posição uniforme no curto prazo e avaliam liberar diretórios estaduais para alianças distintas, sobretudo no Nordeste.
Na federação União-PP, o diagnóstico é de um ambiente ainda indefinido. Dirigentes reconhecem Flávio Bolsonaro como um nome viável, mas condicionam qualquer apoio ao desenho final da campanha e às negociações nos estados. A cautela também reflete a participação das duas siglas no governo federal, o que mantém abertas as pontes com o Palácio do Planalto.
(Com O Globo)
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