Siglas de centro aguardam negociação de termos mais favoráveis, enquanto ainda buscam aproximação a gestão Lula. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o PSD abriram disputa pelo apoio do Republicanos e da federação formada por União Brasil e PP na corrida presidencial, mas esbarram na estratégia de ambos os blocos de adiar a definição para negociarem termos mais favoráveis. Além disso, os grupos ainda flertam com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As duas estruturas partidárias são vistas pelo entorno do senador e pela sigla de Gilberto Kassab como ativos cruciais por vários fatores. Entre eles, o tempo que podem agregar à propaganda na TV, o peso no Congresso e a capacidade de organizar palanques locais.
O PL, de Valdemar Costa Neto, passou a encampar a iniciativa de Flávio após a indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas conta com concorrência mais acirrada na oposição desde que o PSD filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, há duas semanas. A legenda apresenta como presidenciáveis o mais novo quadro e os governadores do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
O fortalecimento de outra alternativa apressou as articulações. Integrantes do PL relatam que emissários de Flávio e Valdemar intensificaram conversas com dirigentes dessas siglas nas últimas semanas. O argumento central é que a direita largaria mais competitiva se já reduzisse a dispersão, fortalecendo o nome à Presidência e dando previsibilidade às alianças estaduais.
As conversas incluem acenos sobre espaço na chapa como vice e participação em palanques regionais. As alianças nos estados também integram a lista do PSD, especialmente onde União, PP e Republicanos têm nomes competitivos.
Em Minas Gerais, por exemplo, o PSD tem como pré-candidato o vice-governador Mateus Simões e acena à federação União-PP e ao Republicanos com espaço na composição majoritária e nas chapas ao Senado. Já o União flerta com a filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), possível concorrente à sucessão de Romeu Zema, enquanto o Republicanos tem o senador Cleitinho Azevedo como nome competitivo, mas sem decisão formal.
No Paraná, o secretário de Cidades, Guto Silva, deve ser o escolhido pelo PSD para a disputa, e o partido conta com a projeção de Ratinho para aproximar as legendas da chapa. Já no Rio, onde o Republicanos integra a gestão de Cláudio Castro (PL), o plano do PSD é usar a desorganização da base do governador para oferecer espaços na aliança do prefeito Eduardo Paes.
Eleitorado evangélico
O Republicanos aparece como alvo relevante pela relação com a Igreja Universal e a penetração no eleitorado evangélico. Dirigentes da legenda afirmam que o tema está em avaliação e que a decisão sobre coligação será tomada em conjunto com o arranjo nos estados. No caso de Flávio, uma das possibilidades é convidar uma mulher para vice, e um grupo de aliados defende a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nesse papel.
“Eu levantei essa bandeira de que Flávio precisa ter uma vice mulher, e a minha indicação é a (senadora) Tereza Cristina (PP-MS). Ainda não sei se meu partido estará com Flávio, mas seguirei a orientação de Bolsonaro”, diz Damares.
Além de ser cortejado pela direita, o Republicanos mantém o pé no governo. A sigla comanda o Ministério de Portos e Aeroportos, com Silvio Costa Filho, e abriga quadros que defendem preservar a interlocução com o Planalto.
Dirigentes admitem que a legenda dificilmente caminhará homogênea para qualquer um dos polos neste momento e avaliam a liberação dos diretórios regionais para composições distintas, especialmente no Nordeste, caso a legenda opte por um alinhamento nacional à direita.
Na federação União-PP, o diagnóstico é de um cenário polarizado. Dirigentes afirmam que Flávio passou a ser tratado como nome viável, mas destacam que o apoio dependerá do desenho da campanha e de negociações regionais.
A avaliação interna é que o senador teria mais facilidade de consolidar apoio se concentrar o discurso em temas de maior convergência no eleitorado conservador, como segurança pública e combate à corrupção, e evitar pautas que gerem resistência fora do núcleo mais fiel ao bolsonarismo.
“Minha relação com o Flávio é a melhor possível, mas essa decisão só tomaremos mais para frente”, diz o presidente do PP, senador Ciro Nogueira.
A cautela do PP é influenciada ainda pela relação com o governo – o partido ocupa o Ministério do Esporte. Na outra ponta da federação, o União também tem laços com o Planalto, com indicações nos ministérios de Desenvolvimento Regional, Turismo e Comunicações. O entorno de Lula avalia que 20 deputados da bancada de 59 podem apoiá-lo. (Com informações do jornal O Globo)
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Flávio Bolsonaro e o PSD disputam apoio do partido Republicanos e da federação União-PP, que ainda flertam com o governo Lula
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O fortalecimento de outra alternativa apressou as articulações. Integrantes do PL relatam que emissários de Flávio e Valdemar intensificaram conversas com dirigentes dessas siglas nas últimas semanas. O argumento central é que a direita largaria mais competitiva se já reduzisse a dispersão, fortalecendo o nome à Presidência e dando previsibilidade às alianças estaduais.
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A avaliação interna é que o senador teria mais facilidade de consolidar apoio se concentrar o discurso em temas de maior convergência no eleitorado conservador, como segurança pública e combate à corrupção, e evitar pautas que gerem resistência fora do núcleo mais fiel ao bolsonarismo.
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A cautela do PP é influenciada ainda pela relação com o governo – o partido ocupa o Ministério do Esporte. Na outra ponta da federação, o União também tem laços com o Planalto, com indicações nos ministérios de Desenvolvimento Regional, Turismo e Comunicações. O entorno de Lula avalia que 20 deputados da bancada de 59 podem apoiá-lo. (Com informações do jornal O Globo)
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