Integrantes do tribunal se dizem perplexos com a precisão de suas falas reproduzidas por site. (Foto: Luiz Silveira/STF)
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) acreditam que foram gravados clandestinamente por Dias Toffoli na sessão secreta que, na quinta-feira (12), decidiu pela saída dele da relatoria do processo do Banco Master. Os diálogos vieram à tona em reportagem do site Poder360. O texto reproduz as palavras dos ministros de forma literal e precisa.
Magistrados já enviaram inclusive a reportagem a Toffoli mostrando que a gravação ocorreu. O ministro negou ter feito qualquer registro. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirma ele. Em seguida, levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de informática pode ter feito a gravação.
Magistrados afirmaram à coluna que a situação é sem precedentes, de perplexidade e desconforto, gerando uma quebra de confiança inédita. Disseram ainda que os diálogos selecionados por quem fez a gravação trazem apenas trechos favoráveis a Toffoli e não mostram a complexidade do que foi discutido na sessão.
A reportagem começa dizendo que a reunião “teve um forte tom político e uma busca de autopreservação por parte de todos os ministros”. Diz ainda que muitos magistrados apoiavam Toffoli. E publica falas literais dos ministros.
Gilmar Mendes, por exemplo, disse na reunião, segundo a reportagem: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.
Em seguida, coloca uma fala de Cármen Lúcia que mostraria que ela estava na reunião com a intenção de sacrificar Toffoli para recuperar a imagem do STF. A fala é a seguinte: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Disse ainda que, apesar de ter “confiança” em Toffoli, era necessário “pensar na institucionalidade”.
Luiz Fux, de acordo com a reportagem, disse: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.
Moraes não teve falas literais publicadas, mas aparece como um duro crítico da Polícia Federal, que entregou ao presidente da Corte, Edson Fachin, o relatório que culminou na saída de Toffoli do cargo.
Nunes Marques aparece dizendo: “Para mim, isso é um nada jurídico”. Em seguida, critica Fachin por querer votar a suspeição de Toffoli. Sua frase, publicada de forma literal, é a seguinte: “Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O sr. (Fachin) não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”.
André Mendonça aparece afirmando: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli”. Em seguida: “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”.
O ministro Cristiano Zanin afirma: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares? Isso aqui tudo é nulo”.
Flávio Dino também critica a PF: “Essas 200 páginas (de relatório da PF) para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente (Fachin). Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.
Apesar de todas essas falas, os magistrados concluíram que o melhor para o STF era o afastamento de Toffoli.
A suspeita de que ele gravou os próprios colegas tem o condão de isolar o magistrado na Corte, segundo um de seus integrantes, já que houve uma quebra de confiança. (Com informações da colunista Mônica Bergamo/Folha de S.Paulo)
Magistrado só precisaria se aposentar em 2033, mas antecipou saída mencionando “sacrifícios” dos familiares. (Foto: Antonio Augusto/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que anunciou na última quinta-feira (9) a antecipação de sua aposentadoria na Corte, confidenciou a vários interlocutores nos últimos meses que se sente o magistrado mais atingido diretamente …
A publicação de Quaquá nos stories do Instagram, que foi acompanhada ainda de um texto enviado por WhatsApp, é direcionada a Lindbergh, ao secretário especial de assuntos parlamentares do governo Lula, André Ceciliano. (Foto: Divulgação/Câmara) Em episódio que acirra o embate entre setores do PT do Rio, o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do …
Números foram calculados pela Polícia Federal com base no controle mensal de despesas do banqueiro preso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A Polícia Federal (PF) afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou ao menos R$ 24 milhões a Luiz Phillipi Mourão, o seu “sicário”, pela realização de serviços ilícitos como a invasão de sistemas de investigação, …
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o pedido “não tem a mínima pertinência”. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o pedido “não tem a mínima pertinência”. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por unanimidade, um pedido …
Ministros do Supremo dizem acreditar que foram gravados pelo colega Dias Toffoli em sessão secreta
Integrantes do tribunal se dizem perplexos com a precisão de suas falas reproduzidas por site. (Foto: Luiz Silveira/STF)
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) acreditam que foram gravados clandestinamente por Dias Toffoli na sessão secreta que, na quinta-feira (12), decidiu pela saída dele da relatoria do processo do Banco Master. Os diálogos vieram à tona em reportagem do site Poder360. O texto reproduz as palavras dos ministros de forma literal e precisa.
Magistrados já enviaram inclusive a reportagem a Toffoli mostrando que a gravação ocorreu. O ministro negou ter feito qualquer registro. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirma ele. Em seguida, levantou a suspeita de que algum funcionário do setor de informática pode ter feito a gravação.
Magistrados afirmaram à coluna que a situação é sem precedentes, de perplexidade e desconforto, gerando uma quebra de confiança inédita. Disseram ainda que os diálogos selecionados por quem fez a gravação trazem apenas trechos favoráveis a Toffoli e não mostram a complexidade do que foi discutido na sessão.
A reportagem começa dizendo que a reunião “teve um forte tom político e uma busca de autopreservação por parte de todos os ministros”. Diz ainda que muitos magistrados apoiavam Toffoli. E publica falas literais dos ministros.
Gilmar Mendes, por exemplo, disse na reunião, segundo a reportagem: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.
Em seguida, coloca uma fala de Cármen Lúcia que mostraria que ela estava na reunião com a intenção de sacrificar Toffoli para recuperar a imagem do STF. A fala é a seguinte: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Disse ainda que, apesar de ter “confiança” em Toffoli, era necessário “pensar na institucionalidade”.
Luiz Fux, de acordo com a reportagem, disse: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.
Moraes não teve falas literais publicadas, mas aparece como um duro crítico da Polícia Federal, que entregou ao presidente da Corte, Edson Fachin, o relatório que culminou na saída de Toffoli do cargo.
Nunes Marques aparece dizendo: “Para mim, isso é um nada jurídico”. Em seguida, critica Fachin por querer votar a suspeição de Toffoli. Sua frase, publicada de forma literal, é a seguinte: “Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O sr. (Fachin) não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”.
André Mendonça aparece afirmando: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli”. Em seguida: “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”.
O ministro Cristiano Zanin afirma: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares? Isso aqui tudo é nulo”.
Flávio Dino também critica a PF: “Essas 200 páginas (de relatório da PF) para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente (Fachin). Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.
Apesar de todas essas falas, os magistrados concluíram que o melhor para o STF era o afastamento de Toffoli.
A suspeita de que ele gravou os próprios colegas tem o condão de isolar o magistrado na Corte, segundo um de seus integrantes, já que houve uma quebra de confiança. (Com informações da colunista Mônica Bergamo/Folha de S.Paulo)
Related Posts
Aposentadoria: Luís Roberto Barroso se sentia o ministro do Supremo mais atingido por sanções de Trump
Magistrado só precisaria se aposentar em 2033, mas antecipou saída mencionando “sacrifícios” dos familiares. (Foto: Antonio Augusto/STF) O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que anunciou na última quinta-feira (9) a antecipação de sua aposentadoria na Corte, confidenciou a vários interlocutores nos últimos meses que se sente o magistrado mais atingido diretamente …
Briga interna do PT tem acusações de uso particular da máquina do governo
A publicação de Quaquá nos stories do Instagram, que foi acompanhada ainda de um texto enviado por WhatsApp, é direcionada a Lindbergh, ao secretário especial de assuntos parlamentares do governo Lula, André Ceciliano. (Foto: Divulgação/Câmara) Em episódio que acirra o embate entre setores do PT do Rio, o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do …
A investigação da Polícia Federal revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou R$ 24 milhões a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, por serviços ilícitos como invasão de sistemas e ameaças
Números foram calculados pela Polícia Federal com base no controle mensal de despesas do banqueiro preso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A Polícia Federal (PF) afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou ao menos R$ 24 milhões a Luiz Phillipi Mourão, o seu “sicário”, pela realização de serviços ilícitos como a invasão de sistemas de investigação, …
Supremo nega pedido para o ministro Luiz Fux julgar núcleo 2 do plano de golpe; “absurdo” e “protelatório”, reage Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o pedido “não tem a mínima pertinência”. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o pedido “não tem a mínima pertinência”. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por unanimidade, um pedido …