O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. (Foto: Reprodução)
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo político do ex-presidente. Ao escolher o filho-senador Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que se imagina, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.
O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o ex-ministro Braga Netto sejam excluídos do Exército.
Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu Bolsonaro, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários no Exército. À época, ele negou participação no episódio.
Ao que tudo indica, no entanto, o STM não salvará Bolsonaro pela segunda vez. Nos bastidores da caserna, há convicção de que os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por sua vez, serão poupados por seus antigos pares. Já o veredicto sobre o destino do ex-comandante da Marinha Almir Garnier é uma incógnita.
O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. Se isso ocorrer e a direita estiver bem posicionada na campanha, o ambiente político do momento influenciará na decisão do STM? As opiniões se dividem a esse respeito. Detalhe: o tribunal é composto por 15 integrantes, sendo cinco civis, e há divergências ali sobre a participação de militares em uma tentativa de golpe.
É justamente com esse fator imponderável que conta Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses em regime fechado e hoje preso na Papudinha. Para os bolsonaristas, quanto mais o STF ficar enfraquecido pelo escândalo do Banco Master, melhor.
Muito se pergunta no meio político por que Bolsonaro não escolheu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao invés de Flávio, para desafiar o presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de outubro.
Dois interlocutores do ex-presidente, um deles com trânsito nas Forças Armadas, disseram ter ouvido do próprio o seguinte raciocínio: “É melhor perder mantendo a liderança do que ganhar liderado”.
Pesquisas indicam que Bolsonaro, mesmo preso, tem potencial de transferência de votos que se desloca para quem carrega o seu sobrenome. Além disso, Flávio vai vestir o figurino de um Bolsonaro pós-harmonização facial. Se o capitão reformado for expulso das Forças Armadas, o discurso do candidato ganhará ainda mais o tom da “perseguição política”.
Desconfiado, o ex-presidente também não põe a mão no fogo por Tarcísio. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro recorreu ao argumento de que não é raro criaturas traírem o criador. Com essa constatação, perguntou a aliados quais garantias poderia ter de que o governador lhe daria anistia, caso fosse eleito presidente.
A cúpula do PL torce agora para que, se a candidatura da centro-direita ao Planalto for adiante, o nome ungido pelo PSD de Gilberto Kassab seja o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL quer fazer um pacto com Kassab para que o postulante do PSD poupe Flávio e atue como franco-atirador contra Lula no primeiro turno.
O problema é que Kassab tem um pé em cada canoa: controla três ministérios no governo do PT (Minas e Energia, Agricultura e Pesca) e é secretário na gestão Tarcísio. Trata-se de um roteiro que torna o desfecho dessa história ainda mais imprevisível. ( Por Vera Rosa, Agência Estado).
O líder da oposição, cabo Gilberto Silva, apresentou pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou nessa quarta-feira, dia 22, pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, por solicitar a inclusão do ex-governador Romeu …
Alessandro Stefanutto foi demitido do INSS quando as fraudes dos descontos ilegais foram reveladas. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) A defesa de Stefanutto afirma que não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão dele e que trata-se de uma prisão “completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço …
A percepção de que a medida adotada por Mendonça pode favorecer a negociação de um acordo não é apenas uma hipótese. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF) A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que flexibilizou as regras de visitação da defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na Penitenciária Federal de Brasília, …
Valdemar Costa Neto e Bolsonaro se reuniram na casa do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar Foto: Reprodução de vídeo Valdemar Costa Neto e Bolsonaro se reuniram na casa do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar. (Foto: Reprodução vídeo) O presidente nacional do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, negou que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro …
O impacto do julgamento militar de Bolsonaro na campanha de Flávio ao Planalto
O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. (Foto: Reprodução)
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo político do ex-presidente. Ao escolher o filho-senador Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que se imagina, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.
O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o ex-ministro Braga Netto sejam excluídos do Exército.
Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu Bolsonaro, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários no Exército. À época, ele negou participação no episódio.
Ao que tudo indica, no entanto, o STM não salvará Bolsonaro pela segunda vez. Nos bastidores da caserna, há convicção de que os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, por sua vez, serão poupados por seus antigos pares. Já o veredicto sobre o destino do ex-comandante da Marinha Almir Garnier é uma incógnita.
O julgamento não tem data para acabar e pode atingir o período eleitoral. Se isso ocorrer e a direita estiver bem posicionada na campanha, o ambiente político do momento influenciará na decisão do STM? As opiniões se dividem a esse respeito. Detalhe: o tribunal é composto por 15 integrantes, sendo cinco civis, e há divergências ali sobre a participação de militares em uma tentativa de golpe.
É justamente com esse fator imponderável que conta Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses em regime fechado e hoje preso na Papudinha. Para os bolsonaristas, quanto mais o STF ficar enfraquecido pelo escândalo do Banco Master, melhor.
Muito se pergunta no meio político por que Bolsonaro não escolheu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao invés de Flávio, para desafiar o presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de outubro.
Dois interlocutores do ex-presidente, um deles com trânsito nas Forças Armadas, disseram ter ouvido do próprio o seguinte raciocínio: “É melhor perder mantendo a liderança do que ganhar liderado”.
Pesquisas indicam que Bolsonaro, mesmo preso, tem potencial de transferência de votos que se desloca para quem carrega o seu sobrenome. Além disso, Flávio vai vestir o figurino de um Bolsonaro pós-harmonização facial. Se o capitão reformado for expulso das Forças Armadas, o discurso do candidato ganhará ainda mais o tom da “perseguição política”.
Desconfiado, o ex-presidente também não põe a mão no fogo por Tarcísio. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro recorreu ao argumento de que não é raro criaturas traírem o criador. Com essa constatação, perguntou a aliados quais garantias poderia ter de que o governador lhe daria anistia, caso fosse eleito presidente.
A cúpula do PL torce agora para que, se a candidatura da centro-direita ao Planalto for adiante, o nome ungido pelo PSD de Gilberto Kassab seja o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL quer fazer um pacto com Kassab para que o postulante do PSD poupe Flávio e atue como franco-atirador contra Lula no primeiro turno.
O problema é que Kassab tem um pé em cada canoa: controla três ministérios no governo do PT (Minas e Energia, Agricultura e Pesca) e é secretário na gestão Tarcísio. Trata-se de um roteiro que torna o desfecho dessa história ainda mais imprevisível. ( Por Vera Rosa, Agência Estado).
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