Partido aposta na reeleição de Tarcísio e vê apoio a Flávio como caminho mais seguro. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP)
Com Tarcísio de Freitas fora da disputa presidencial e o PSD, de Gilberto Kassab, articulando um candidato próprio, o Republicanos entra no ano eleitoral dividido entre se alinhar à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ou preservar a relação com o governo Lula, defendida por parte da cúpula da sigla.
Essa divisão passa por fatores regionais, como as alianças construídas neste mandato entre dirigentes da sigla com bolsonaristas e petistas, e pela incerteza interna sobre a conveniência de apoiar uma candidatura do PSD no plano nacional.
Em São Paulo, o partido vive um momento de expectativa de crescimento com Tarcísio. Deputados e vereadores da legenda o avaliam como favorito à reeleição e, assim, veem como mais seguro seguir o posicionamento já externado pelo governador de apoio a Flávio.
Na última semana, Tarcísio fez um gesto importante ao Republicanos e aos demais partidos de centro-direita, ao nomear o presidente estadual da legenda, Roberto Carneiro, como secretário da Casa Civil.
Sob reserva, uma liderança do partido no Estado afirmou à Folha de S. Paulo que a perspectiva é que Carneiro alinhe toda a centro-direita paulista em torno do governador. O caminho natural, desse modo, é que os partidos sigam os planos traçados por Tarcísio para o plano nacional, ainda na visão desse aliado.
Sob reserva, há integrantes do partido que dizem considerar o cenário em aberto. Parlamentares da sigla em São Paulo afirmam que a candidatura de Flávio ainda é vista como incerta e mantêm o desejo de ver Tarcísio na disputa presidencial.
Fator Lula
Contudo, o cálculo da sigla passa pelas articulações feitas em outros estados que atrelam o Republicanos ao governo Lula. O exemplo mais evidente é Pernambuco.
O estado é reduto eleitoral do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deve deixar o cargo nos próximos dias para disputar uma vaga no Senado. Lula mantém uma relação histórica com o grupo político do ministro.
“Vou trabalhar para que os partidos do centro possam ajudar no projeto de reeleição do presidente Lula”, disse o ministro, no fim de dezembro, em entrevista à CNN. Na ocasião, Costa Filho afirmou que procurou dirigentes de outras legendas para articular apoios ao petista.
O PSD e o Republicanos são siglas de perfis parecidos. Representam, respectivamente, a quarta e a quinta maiores bancadas da Câmara dos Deputados, com 47 e 44 assentos. Ambos indicaram ministros para o governo Lula e, ao mesmo tempo, controlam o governo paulista (com Kassab e Tarcísio).
A legenda nasceu em 2005 como Partido Municipalista Renovador (PMR), criada por lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus, e foi se tornando mais pragmática à medida que cresceu.
O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, prefere evitar sinalizar para algum dos cenários antes da construção de consensos. “Nada certo ainda. Teremos que conversar com o partido e ver o sentimento da maioria”, disse o deputado federal à Folha.
Pelo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o registro de candidaturas ocorre até 15 de agosto, o que permite ao partido postergar decisões até a reta final da pré-campanha.
Atrito com Kassab
Na quarta-feira (28), em São Paulo, durante sua primeira entrevista como membro do PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado – um dos presidenciáveis da sigla, ao lado do gaúcho Eduardo Leite e do paranaense Ratinho Jr. –, disse que buscaria o apoio do Republicanos para construir uma opção ao eleitor de centro-direita que não fosse Flávio.
No dia seguinte, ao sair da visita que fez a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, Tarcísio afirmou que o ex-presidente apoiou o movimento de Caiado e disse que todos estariam contra Lula em um eventual segundo turno.
Entretanto, entre integrantes do partido, a opção de apoiar o PSD é considerada a mais remota. Além das dúvidas quanto à possibilidade de uma candidatura da legenda chegar ao segundo turno, a relação entre Kassab e Marcos Pereira passou por atritos recentes.
Pereira esteve cotado, em 2024, para assumir a presidência da Câmara, concorrendo pela indicação do então presidente Arthur Lira (PP-AL), com apoio do presidente Lula e do PT. Kassab, por sua vez, defendia a indicação de Antonio Brito (PSD-BA) e não cedeu aos pedidos do republicano. Sem consenso, Lira terminou indicando Hugo Motta (Republicanos-PB), que venceu.
Após a derrota, Pereira deu uma entrevista à Folha culpando Kassab pelo desfecho. “Disse a ele [Kassab]: ‘se você me apoiar, vou ser eternamente grato e devedor a você. Se você não me apoiar, eu também vou lembrar, todas as vezes que olhar para você, que não fui presidente da Câmara por sua causa’”, afirmou. (Com informações da Folha de S. Paulo)
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Na última semana, Tarcísio fez um gesto importante ao Republicanos e aos demais partidos de centro-direita, ao nomear o presidente estadual da legenda, Roberto Carneiro, como secretário da Casa Civil.
Sob reserva, uma liderança do partido no Estado afirmou à Folha de S. Paulo que a perspectiva é que Carneiro alinhe toda a centro-direita paulista em torno do governador. O caminho natural, desse modo, é que os partidos sigam os planos traçados por Tarcísio para o plano nacional, ainda na visão desse aliado.
Sob reserva, há integrantes do partido que dizem considerar o cenário em aberto. Parlamentares da sigla em São Paulo afirmam que a candidatura de Flávio ainda é vista como incerta e mantêm o desejo de ver Tarcísio na disputa presidencial.
Fator Lula
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“Vou trabalhar para que os partidos do centro possam ajudar no projeto de reeleição do presidente Lula”, disse o ministro, no fim de dezembro, em entrevista à CNN. Na ocasião, Costa Filho afirmou que procurou dirigentes de outras legendas para articular apoios ao petista.
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A legenda nasceu em 2005 como Partido Municipalista Renovador (PMR), criada por lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus, e foi se tornando mais pragmática à medida que cresceu.
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Atrito com Kassab
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Pereira esteve cotado, em 2024, para assumir a presidência da Câmara, concorrendo pela indicação do então presidente Arthur Lira (PP-AL), com apoio do presidente Lula e do PT. Kassab, por sua vez, defendia a indicação de Antonio Brito (PSD-BA) e não cedeu aos pedidos do republicano. Sem consenso, Lira terminou indicando Hugo Motta (Republicanos-PB), que venceu.
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https://www.osul.com.br/partido-republicanos-flerta-com-flavio-bolsonaro-sem-se-soltar-de-lula/
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2026-02-01
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