Procurado pela reportagem, Edinho Silva não retornou os contatos. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem procurado dirigentes do PDT para costurar alianças em três estados considerados prioritários pelo partido. O movimento busca reeditar a parceria entre as duas siglas na eleição de 2026, após um período de estremecimento com a demissão do presidente do PDT, Carlos Lupi, do Ministério da Previdência, em meio ao escândalo do INSS.
Em um sinal de que a relação ficou abalada após o caso, no primeiro semestre, a bancada do PDT na Câmara chegou a anunciar seu desembarque da base do governo Lula. Apesar disso, interlocutores de Lupi consideram encaminhado o apoio à reeleição de Lula. Os partidos caminham separados, contudo, em Minas, Paraná e Rio Grande do Sul, três estados vistos como estratégicos pelos pedetistas.
Para o governo gaúcho, o PDT anunciou a pré-candidatura da ex-deputada estadual Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola. Já o PT prioriza lançar o atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.
Em evento no estado, Edinho disse que buscaria “amplo diálogo” com a pedetista e que reconhece “sua força política”. Aliados de Pretto, por sua vez, negam que ele vá abrir mão da candidatura. A hipótese de uma chapa com PT e PDT também esbarra na insistência de ambos os lados por encabeçar a aliança.
— Não há hipótese de Juliana como vice. Esperamos reciprocidade, pois apoiaremos o PT na Bahia, no Ceará, no Rio Grande do Norte, no Piauí, estaremos juntos na maioria dos estados. Esperamos esse reconhecimento — diz Lupi.
As negociações miram ainda o apoio do PT a Alexandre Kalil, recém-filiado ao PDT, ao governo de Minas; e a Requião Filho, deputado estadual e pré-candidato do PDT ao governo do Paraná.
Em Minas, as chances de acordo aumentaram depois que o PSD, partido do senador Rodrigo Pacheco, filiou o vice-governador Mateus Simões, adversário do PT.
Pacheco ainda é o nome preferido de Lula para encabeçar seu palanque no estado, mas tem dito que não pretende se candidatar, e a necessidade de mudar de partido para concorrer torna essa hipótese ainda mais remota.
Além de conversar com Kalil — ex-prefeito de Belo Horizonte e que já foi apoiado por Lula em 2022 —, o PT avalia uma composição em que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concorra ao Senado. Ele também está filiado hoje ao PSD, mesmo partido de Pacheco.
Edinho vem articulando uma aliança em torno de Kalil, mas há resistências no diretório petista em Minas. Uma ala do partido defende compor com outros nomes, como o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Leite (MDB), ou o ex-senador Clésio Andrade (PSB).
No Paraná, Requião Filho anunciou na semana passada um acordo com o petista Enio Verri, atual presidente de Itaipu Binacional, para as eleições de 2026. A ideia é que Verri ocupe uma das duas vagas ao Senado na chapa, e que o pedetista se lance ao governo. Requião Filho estava filiado ao PT até o início deste ano, mas ele e o pai, o ex-governador Roberto Requião, deixaram a sigla em meio a atritos com a direção nacional.
Ainda há conversas em andamento para acomodar na chapa outra ala do PT paranaense, liderada pelo deputado Zeca Dirceu.
Procurado pela reportagem, Edinho Silva não retornou os contatos.
Rusgas internas
A costura da aliança com o PT provocou, no PDT, a desfiliação do ex-ministro Ciro Gomes, que preferiu ficar na oposição à sigla de Lula no Ceará.
Ciro também foi crítico ao que chamou de “fritura” de Lupi, presidente do PDT, após a crise do INSS. Embora não tenha constado entre os investigados pela Polícia Federal, que apura um esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias, Lupi sofreu desgaste por ter indicado o ex-diretor do INSS, Alessandro Stefanutto, preso neste mês pela PF sob suspeita de recebimento de propina.
Entenda as disputas por estado
Rio Grande do Sul – O PDT lançou a ex-deputada Juliana Brizola, neta de Leonel Brizola, como pré-candidata ao governo, e descarta abrir mão da cabeça de chapa em uma aliança com o PT — que, por sua vez, não abre mão de ter o presidente da Conab, Edegar Pretto, como candidato a governador.
Minas Gerais – Recém-filiado ao PDT, Alexandre Kalil já recebeu sinalização positiva do presidente do PT, Edinho Silva, para uma aliança. Há resistência, porém, no diretório do PT em Minas, que prefere outras composições. Lula já mostrou preferência por apoiar Rodrigo Pacheco, que nega ser candidato.
Paraná – Na semana passada, o pedetista Requião Filho — que saiu brigado do PT no início do ano — anunciou acordo com Enio Verri (PT), que deve ser o candidato ao Senado na sua chapa. Ainda há conversas em andamento para tentar acomodar outra ala do PT estadual, liderada por Zeca Dirceu. Com informações do portal O Globo.
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Em um sinal de que a relação ficou abalada após o caso, no primeiro semestre, a bancada do PDT na Câmara chegou a anunciar seu desembarque da base do governo Lula. Apesar disso, interlocutores de Lupi consideram encaminhado o apoio à reeleição de Lula. Os partidos caminham separados, contudo, em Minas, Paraná e Rio Grande do Sul, três estados vistos como estratégicos pelos pedetistas.
Para o governo gaúcho, o PDT anunciou a pré-candidatura da ex-deputada estadual Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola. Já o PT prioriza lançar o atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.
Em evento no estado, Edinho disse que buscaria “amplo diálogo” com a pedetista e que reconhece “sua força política”. Aliados de Pretto, por sua vez, negam que ele vá abrir mão da candidatura. A hipótese de uma chapa com PT e PDT também esbarra na insistência de ambos os lados por encabeçar a aliança.
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As negociações miram ainda o apoio do PT a Alexandre Kalil, recém-filiado ao PDT, ao governo de Minas; e a Requião Filho, deputado estadual e pré-candidato do PDT ao governo do Paraná.
Em Minas, as chances de acordo aumentaram depois que o PSD, partido do senador Rodrigo Pacheco, filiou o vice-governador Mateus Simões, adversário do PT.
Pacheco ainda é o nome preferido de Lula para encabeçar seu palanque no estado, mas tem dito que não pretende se candidatar, e a necessidade de mudar de partido para concorrer torna essa hipótese ainda mais remota.
Além de conversar com Kalil — ex-prefeito de Belo Horizonte e que já foi apoiado por Lula em 2022 —, o PT avalia uma composição em que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concorra ao Senado. Ele também está filiado hoje ao PSD, mesmo partido de Pacheco.
Edinho vem articulando uma aliança em torno de Kalil, mas há resistências no diretório petista em Minas. Uma ala do partido defende compor com outros nomes, como o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Leite (MDB), ou o ex-senador Clésio Andrade (PSB).
No Paraná, Requião Filho anunciou na semana passada um acordo com o petista Enio Verri, atual presidente de Itaipu Binacional, para as eleições de 2026. A ideia é que Verri ocupe uma das duas vagas ao Senado na chapa, e que o pedetista se lance ao governo. Requião Filho estava filiado ao PT até o início deste ano, mas ele e o pai, o ex-governador Roberto Requião, deixaram a sigla em meio a atritos com a direção nacional.
Ainda há conversas em andamento para acomodar na chapa outra ala do PT paranaense, liderada pelo deputado Zeca Dirceu.
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A costura da aliança com o PT provocou, no PDT, a desfiliação do ex-ministro Ciro Gomes, que preferiu ficar na oposição à sigla de Lula no Ceará.
Ciro também foi crítico ao que chamou de “fritura” de Lupi, presidente do PDT, após a crise do INSS. Embora não tenha constado entre os investigados pela Polícia Federal, que apura um esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias, Lupi sofreu desgaste por ter indicado o ex-diretor do INSS, Alessandro Stefanutto, preso neste mês pela PF sob suspeita de recebimento de propina.
Entenda as disputas por estado
Rio Grande do Sul – O PDT lançou a ex-deputada Juliana Brizola, neta de Leonel Brizola, como pré-candidata ao governo, e descarta abrir mão da cabeça de chapa em uma aliança com o PT — que, por sua vez, não abre mão de ter o presidente da Conab, Edegar Pretto, como candidato a governador.
Minas Gerais – Recém-filiado ao PDT, Alexandre Kalil já recebeu sinalização positiva do presidente do PT, Edinho Silva, para uma aliança. Há resistência, porém, no diretório do PT em Minas, que prefere outras composições. Lula já mostrou preferência por apoiar Rodrigo Pacheco, que nega ser candidato.
Paraná – Na semana passada, o pedetista Requião Filho — que saiu brigado do PT no início do ano — anunciou acordo com Enio Verri (PT), que deve ser o candidato ao Senado na sua chapa. Ainda há conversas em andamento para tentar acomodar outra ala do PT estadual, liderada por Zeca Dirceu. Com informações do portal O Globo.
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