Washington Quaquá já havia se manifestado em apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País.
Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara
Washington Quaquá já havia se manifestado em apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País. (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)
O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Washington Quaquá, protagonizou nesta terça-feira (2) um bate-boca com participantes de um seminário sobre segurança pública organizado pelo partido no Rio de Janeiro.
Ao defender a megaoperação que deixou 122 mortos — entre eles cinco policiais — nos Complexos da Penha do Alemão, em outubro, Quaquá disse que o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) “só matou otário”.
“Ou a gente entra nesses territórios para mudar a prática e a vida do território e libertar a vida do povo…se a gente não faz isso, ninguém o fará. É óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: ‘Tem trabalhador aí?’. Não. Tudo bandido”, afirmou Quaquá.
Concluída a frase, gritos de “mentira” passaram a ecoar entre a plateia que ouvia o discurso do prefeito. Em seguida, uma mulher confrontou Quaquá: “O [nome inaudível] era pedreiro e foi degolado, decapitado. Você está falando mentiras!”
Quaquá então rebateu a mulher: “Você vai ouvir eu falar ou vai ficar berrando? Então, era tudo bandido. Eu ouço bobagens à vontade. Espero que na democracia se ouça as bobagens dos outros. Eu ouço a de vocês, valeu? E depois querem dizer que são de esquerda e democráticos, mas só ouvem a própria opinião”.
A posição do prefeito não é novidade. Em outras ocasiões ele manifestou publicamente apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País, superando, inclusive, o Massacre do Carandiru, que deixou 111 mortos na capital paulista em 1992.
As colocações de Quaquá também não encontram respaldo dentro do próprio PT. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a operação policial como “matança”. Por sua vez, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), chamou a ação de “desastrosa”.
Em entrevista a jornalistas após o discurso, Quaquá defendeu a ocupação de territórios tomados por facções criminosas no Rio de Janeiro e destacou que a megaoperação foi “mal sucedida” por não ter ocupado essas áreas.
“O povo pobre é todo dia oprimido, assassinado, tem suas filhas estupradas e seus filhos roubados pelo tráfico. Então, a ocupação do território é fundamental. Eu acho que a operação foi mal sucedida não é pelo número de mortos. O Complexo da Penha tem mais de 1.000 soldados do tráfico. Então, se fosse para matar, tinha que matar 1.000 soldados. A questão é que a operação foi uma operação de entrar e não de ocupar”, declarou Quaquá.
Ainda de acordo com o prefeito de Maricá, “se fosse para ocupar o território, não ligo quantos soldados do tráfico, bandidos, que oprimem o povo, vão cair”. Para Quaquá, se um único inocente morreu durante a megaoperação, “foi muito”.
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Vice-presidente do PT diz que operação policial no Rio de Janeiro “só matou otário”
Washington Quaquá já havia se manifestado em apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País.
Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara
Washington Quaquá já havia se manifestado em apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País. (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)
O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Washington Quaquá, protagonizou nesta terça-feira (2) um bate-boca com participantes de um seminário sobre segurança pública organizado pelo partido no Rio de Janeiro.
Ao defender a megaoperação que deixou 122 mortos — entre eles cinco policiais — nos Complexos da Penha do Alemão, em outubro, Quaquá disse que o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) “só matou otário”.
“Ou a gente entra nesses territórios para mudar a prática e a vida do território e libertar a vida do povo…se a gente não faz isso, ninguém o fará. É óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: ‘Tem trabalhador aí?’. Não. Tudo bandido”, afirmou Quaquá.
Concluída a frase, gritos de “mentira” passaram a ecoar entre a plateia que ouvia o discurso do prefeito. Em seguida, uma mulher confrontou Quaquá: “O [nome inaudível] era pedreiro e foi degolado, decapitado. Você está falando mentiras!”
Quaquá então rebateu a mulher: “Você vai ouvir eu falar ou vai ficar berrando? Então, era tudo bandido. Eu ouço bobagens à vontade. Espero que na democracia se ouça as bobagens dos outros. Eu ouço a de vocês, valeu? E depois querem dizer que são de esquerda e democráticos, mas só ouvem a própria opinião”.
A posição do prefeito não é novidade. Em outras ocasiões ele manifestou publicamente apoio à ação que se tornou a mais letal na história do País, superando, inclusive, o Massacre do Carandiru, que deixou 111 mortos na capital paulista em 1992.
As colocações de Quaquá também não encontram respaldo dentro do próprio PT. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a operação policial como “matança”. Por sua vez, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), chamou a ação de “desastrosa”.
Em entrevista a jornalistas após o discurso, Quaquá defendeu a ocupação de territórios tomados por facções criminosas no Rio de Janeiro e destacou que a megaoperação foi “mal sucedida” por não ter ocupado essas áreas.
“O povo pobre é todo dia oprimido, assassinado, tem suas filhas estupradas e seus filhos roubados pelo tráfico. Então, a ocupação do território é fundamental. Eu acho que a operação foi mal sucedida não é pelo número de mortos. O Complexo da Penha tem mais de 1.000 soldados do tráfico. Então, se fosse para matar, tinha que matar 1.000 soldados. A questão é que a operação foi uma operação de entrar e não de ocupar”, declarou Quaquá.
Ainda de acordo com o prefeito de Maricá, “se fosse para ocupar o território, não ligo quantos soldados do tráfico, bandidos, que oprimem o povo, vão cair”. Para Quaquá, se um único inocente morreu durante a megaoperação, “foi muito”.
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Vice-presidente do PT diz que operação policial no Rio de Janeiro “só matou otário”
2025-12-02
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