Para Moraes, esses episódios reforçam que o ex-presidente poderia adotar a mesma estratégia diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação que lhe impôs 27 anos e 3 meses de prisão. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
A decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro dá destaque à evasão de aliados próximos, apresentada como prova concreta de que o ex-presidente poderia repetir a mesma estratégia. O documento menciona nominalmente Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, afirmando que todos deixaram o país para se furtar à aplicação da lei penal.
Para Moraes, esses episódios reforçam que o ex-presidente poderia adotar a mesma estratégia diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação que lhe impôs 27 anos e 3 meses de prisão.
Eduardo, Zambelli e a continuidade de crimes
O trecho mais duro do texto aponta que Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, além de buscarem impedir a atuação da Justiça, deixaram o país com o propósito de continuar praticando crimes, incluindo coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e atos de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
De acordo com a decisão, essas condutas demonstram que o núcleo político próximo a Jair Bolsonaro atua de forma coordenada para neutralizar investigações e desarticular ações do STF.
Moraes afirma que a fuga de Eduardo – denunciado pela PGR no próprio Supremo – e de Zambelli, já condenada na mesma ação que envolve Bolsonaro, “teve como propósito a continuidade do cometimento dos crimes”. Isso reforça, segundo o ministro, um padrão de atuação prolongado e organizado.
Ramagem nos EUA para fugir da lei penal
A decisão também afirma que Alexandre Ramagem – condenado na mesma ação penal que Bolsonaro – evadiu-se do país com a finalidade explícita de evitar a aplicação da lei penal. Hoje, segundo a PF, ele se encontra em Miami.
Moraes vincula a fuga de Ramagem à atuação coordenada da chamada “organização criminosa” liderada pelo ex-presidente, reforçando o risco de que Bolsonaro tentasse repetir o padrão.
Padrão familiar e político
A decisão destaca que a soma das fugas, das tentativas de tumulto e da mobilização de apoiadores – incluindo a vigília convocada por Flávio Bolsonaro – indica um padrão de atuação: evitar decisões judiciais pela desestabilização institucional.
Para Moraes, a reincidência desse comportamento comprova que o ex-presidente faz parte de um núcleo político que opera para frustrar a Justiça.
O ministro cita ainda que a investigação anterior revelou um plano formal de fuga do ex-presidente caso o golpe fracassasse – o RAFE-LAFE, baseado em doutrina militar. A menção ao plano reforça que a ideia de evadir-se não era inédita, mas já articulada em 2022.
Somado ao rompimento da tornozeleira registrado às 0h08 do dia 22 e ao tumulto incitado pela vigília, Moraes concluiu que a prisão preventiva era necessária para impedir que Bolsonaro seguisse o caminho já adotado por Eduardo e Ramagem.
Assim, determinou o recolhimento imediato do ex-presidente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Jair Bolsonaro teve a prisão preventiva decretada neste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a Polícia Federal informar risco de fuga e a violação da tornozeleira eletrônica às 0h08 do mesmo dia. A decisão converteu a prisão domiciliar em preventiva e determinou o recolhimento imediato do ex-presidente à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
A ordem foi fundamentada em dois pontos centrais: o rompimento do monitoramento eletrônico, a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro nas imediações do condomínio do ex-presidente – o que, segundo Moraes, poderia tumultuar a fiscalização e facilitar a fuga – e as fugas de familiares e aliados. O ministro também ressaltou a proximidade do trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro na Ação Penal 2.668.
Com a decisão, Bolsonaro permanece sob custódia da Polícia Federal enquanto aguarda a audiência de custódia marcada para domingo (23), ao meio-dia, por videoconferência.
A 1ª Turma do STF analisará o referendo da decisão em sessão virtual convocada para segunda-feira (24), das 8h às 20h, que deverá confirmar ou não a manutenção da prisão preventiva.
https://www.osul.com.br/historico-de-fugas-de-bolsonaristas-motivou-alexandre-de-moraes-a-decidir-pela-prisao-preventiva-do-ex-presidente/ Histórico de fugas de bolsonaristas motivou Alexandre de Moraes a decidir pela prisão preventiva do ex-presidente 2025-11-23
A modelo teve conversas íntimas com Vorcaro divulgadas.(Foto: Reprodução/Instagram) A defesa de Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, afirmou, em nota enviada ao blog da colunista Andréia Sadi, do portal de notícias g1, que a modelo e influenciadora não possui patrimônio vinculado ao empresário. O posicionamento foi divulgado após a repercussão de investigações que envolvem …
Nas investigações, a Polícia Federal apontou citações a Lulinha nas investigações sobre desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS.(Foto: ABr) O esquema de fraudes no INSS teve desdobramentos que causaram incômodo em lideranças evangélicas — com direito a bate-boca entre o pastor Silas Malafaia e a senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF). O …
Com a entrega das alegações finais, as defesas terão prazo de 15 dias para se manifestar antes do julgamento. (Foto: José Cruz/Agência Brasil) A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do chamado núcleo dois da trama golpista. Nas alegações finais, entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PGR acusa o grupo formado por seis …
O incômodo de deputados do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é antigo e extrapolou para a irritação. (Foto: Carolina Antunes/PR) O incômodo de deputados do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é antigo e extrapolou para a irritação antes mesmo de ela brigar publicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O descontentamento foi além …
Histórico de fugas de bolsonaristas motivou Alexandre de Moraes a decidir pela prisão preventiva do ex-presidente
Para Moraes, esses episódios reforçam que o ex-presidente poderia adotar a mesma estratégia diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação que lhe impôs 27 anos e 3 meses de prisão. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
A decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro dá destaque à evasão de aliados próximos, apresentada como prova concreta de que o ex-presidente poderia repetir a mesma estratégia. O documento menciona nominalmente Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, afirmando que todos deixaram o país para se furtar à aplicação da lei penal.
Para Moraes, esses episódios reforçam que o ex-presidente poderia adotar a mesma estratégia diante da proximidade do trânsito em julgado da condenação que lhe impôs 27 anos e 3 meses de prisão.
Eduardo, Zambelli e a continuidade de crimes
O trecho mais duro do texto aponta que Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, além de buscarem impedir a atuação da Justiça, deixaram o país com o propósito de continuar praticando crimes, incluindo coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e atos de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
De acordo com a decisão, essas condutas demonstram que o núcleo político próximo a Jair Bolsonaro atua de forma coordenada para neutralizar investigações e desarticular ações do STF.
Moraes afirma que a fuga de Eduardo – denunciado pela PGR no próprio Supremo – e de Zambelli, já condenada na mesma ação que envolve Bolsonaro, “teve como propósito a continuidade do cometimento dos crimes”. Isso reforça, segundo o ministro, um padrão de atuação prolongado e organizado.
Ramagem nos EUA para fugir da lei penal
A decisão também afirma que Alexandre Ramagem – condenado na mesma ação penal que Bolsonaro – evadiu-se do país com a finalidade explícita de evitar a aplicação da lei penal. Hoje, segundo a PF, ele se encontra em Miami.
Moraes vincula a fuga de Ramagem à atuação coordenada da chamada “organização criminosa” liderada pelo ex-presidente, reforçando o risco de que Bolsonaro tentasse repetir o padrão.
Padrão familiar e político
A decisão destaca que a soma das fugas, das tentativas de tumulto e da mobilização de apoiadores – incluindo a vigília convocada por Flávio Bolsonaro – indica um padrão de atuação: evitar decisões judiciais pela desestabilização institucional.
Para Moraes, a reincidência desse comportamento comprova que o ex-presidente faz parte de um núcleo político que opera para frustrar a Justiça.
O ministro cita ainda que a investigação anterior revelou um plano formal de fuga do ex-presidente caso o golpe fracassasse – o RAFE-LAFE, baseado em doutrina militar. A menção ao plano reforça que a ideia de evadir-se não era inédita, mas já articulada em 2022.
Somado ao rompimento da tornozeleira registrado às 0h08 do dia 22 e ao tumulto incitado pela vigília, Moraes concluiu que a prisão preventiva era necessária para impedir que Bolsonaro seguisse o caminho já adotado por Eduardo e Ramagem.
Assim, determinou o recolhimento imediato do ex-presidente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Jair Bolsonaro teve a prisão preventiva decretada neste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após a Polícia Federal informar risco de fuga e a violação da tornozeleira eletrônica às 0h08 do mesmo dia. A decisão converteu a prisão domiciliar em preventiva e determinou o recolhimento imediato do ex-presidente à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
A ordem foi fundamentada em dois pontos centrais: o rompimento do monitoramento eletrônico, a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro nas imediações do condomínio do ex-presidente – o que, segundo Moraes, poderia tumultuar a fiscalização e facilitar a fuga – e as fugas de familiares e aliados. O ministro também ressaltou a proximidade do trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro na Ação Penal 2.668.
Com a decisão, Bolsonaro permanece sob custódia da Polícia Federal enquanto aguarda a audiência de custódia marcada para domingo (23), ao meio-dia, por videoconferência.
A 1ª Turma do STF analisará o referendo da decisão em sessão virtual convocada para segunda-feira (24), das 8h às 20h, que deverá confirmar ou não a manutenção da prisão preventiva.
https://www.osul.com.br/historico-de-fugas-de-bolsonaristas-motivou-alexandre-de-moraes-a-decidir-pela-prisao-preventiva-do-ex-presidente/
Histórico de fugas de bolsonaristas motivou Alexandre de Moraes a decidir pela prisão preventiva do ex-presidente
2025-11-23
Related Posts
Ex de Daniel Vorcaro nega ter patrimônio ligado ao empresário
A modelo teve conversas íntimas com Vorcaro divulgadas.(Foto: Reprodução/Instagram) A defesa de Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, afirmou, em nota enviada ao blog da colunista Andréia Sadi, do portal de notícias g1, que a modelo e influenciadora não possui patrimônio vinculado ao empresário. O posicionamento foi divulgado após a repercussão de investigações que envolvem …
Repórter explica elo entre a fraude no INSS e as brigas na bancada evangélica
Nas investigações, a Polícia Federal apontou citações a Lulinha nas investigações sobre desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS.(Foto: ABr) O esquema de fraudes no INSS teve desdobramentos que causaram incômodo em lideranças evangélicas — com direito a bate-boca entre o pastor Silas Malafaia e a senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF). O …
Procuradoria-Geral da República pede condenação de general, ex-assessores de Bolsonaro, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal e dois delegados da Polícia Federal
Com a entrega das alegações finais, as defesas terão prazo de 15 dias para se manifestar antes do julgamento. (Foto: José Cruz/Agência Brasil) A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do chamado núcleo dois da trama golpista. Nas alegações finais, entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PGR acusa o grupo formado por seis …
Irritação da bancada do partido de Bolsonaro com Michelle vinha de antes da crise com Flávio
O incômodo de deputados do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é antigo e extrapolou para a irritação. (Foto: Carolina Antunes/PR) O incômodo de deputados do PL com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é antigo e extrapolou para a irritação antes mesmo de ela brigar publicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O descontentamento foi além …