Após a tragédia, governadores do campo conservador, como Tarcísio, Cláudio Castro (Rio), Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas), se apropriaram da pauta da segurança. (Foto: João Valério/Governo do Estado de SP)
O Palácio do Planalto montou uma força-tarefa para desgastar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o bolsonarismo ao vincular o relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o projeto antifacção à blindagem de políticos. O discurso unificado, elevando o tom contra essa proteção, faz parte de uma estratégia definida pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
Escalado como relator do projeto do governo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Derrite já apresentou quatro versões de seu parecer, com várias modificações no texto enviado pelo Ministério da Justiça. A escolha de Derrite, que se licenciou do cargo de secretário da Segurança Pública do governo Tarcísio para retornar à Câmara, atiçou o embate que tem como pano de fundo as eleições de 2026.
O governo Lula vinha perdendo a batalha da comunicação após pesquisas mostrarem que a maioria dos eleitores aprovou a recente operação policial do Rio contra o Comando Vermelho, que deixou 121 mortos. Após a tragédia, governadores do campo conservador, como Tarcísio, Cláudio Castro (Rio), Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas), se apropriaram da pauta da segurança e acusaram a gestão federal de omissão no combate ao crime organizado.
O projeto de lei encaminhado à Câmara prevê penas mais duras para líderes de facções, além da infiltração de policiais em empresas suspeitas de lavar o dinheiro do crime. Não bastou, porém, para Lula passar a imagem de que seu governo enfrenta a bandidagem.
Levantamentos feitos pela Genial/Quaest indicaram que a direita conseguiu dividendos eleitorais ao explorar a crise da segurança, tanto que a avaliação positiva de Lula foi interrompida após a operação da polícia nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio.
Foi então que, por orientação de Sidônio, ministros, secretários executivos e dirigentes do PT passaram a associar as mudanças feitas por Derrite no projeto antifacção à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dificultava investigações criminais contra deputados, senadores e presidentes de partidos.
Conhecida como “PEC da Blindagem”, a proposta chegou a ser aprovada pela Câmara, em setembro, mas foi derrubada no Senado após manifestações de protesto nas ruas.
Homem da confiança de Tarcísio, possível adversário de Lula nas eleições de 2026, Derrite é cotado para concorrer ao Senado ou mesmo ao Palácio dos Bandeirantes, dependendo do cenário político.
Depois de ter o primeiro relatório chamado de “inconstitucional” pelo titular da Justiça, Ricardo Lewandowski, e por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Derrite divulgou outras três versões do parecer.
“Faz meses que o Centrão e os bolsonaristas estão tentando passar alguma coisa de blindagem aqui porque operações da Polícia Federal mostram que facções como o PCC e o Comando Vermelho têm um braço político”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Aí tiveram uma ideia: vamos pegar o xerife Derrite e botar essa blindagem aí no meio para proteger os interesses de parlamentares e empresários”, acusou.
O deputado do PP acabou subtraindo do relatório o trecho que desidratava o poder da Polícia Federal e também o parágrafo encaixado na última hora para equiparar facções criminosas a organizações terroristas. “Não tem nada de recuo, mas, sim, de estratégia”, justificou ele. “Eu atendo os interesses do povo brasileiro”.
Derrite mudou o parecer várias vezes, com muita rapidez, para não deixar que a oposição perdesse a oportunidade de empunhar a bandeira da segurança pública. Na pressa, cometeu erros de redação, como parágrafos inteiros repetidos no mesmo texto.
O governo alega ter levado seis meses discutindo com especialistas o projeto antifacção, após ter apresentado, em abril, a PEC da Segurança, que até hoje caminha a passos de tartaruga na Câmara.
Por causa de seu estilo, Derrite ganhou de ministros o apelido de “Jack Bauer”, o protagonista da série “24 horas” que tenta fazer justiça com as próprias mãos.
“A quarta versão do relatório ainda nos preocupa porque as mudanças comprometem a eficácia no combate às facções criminosas”, afirmou a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Com informações do portal Estadão.
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Escalado como relator do projeto do governo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Derrite já apresentou quatro versões de seu parecer, com várias modificações no texto enviado pelo Ministério da Justiça. A escolha de Derrite, que se licenciou do cargo de secretário da Segurança Pública do governo Tarcísio para retornar à Câmara, atiçou o embate que tem como pano de fundo as eleições de 2026.
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“Faz meses que o Centrão e os bolsonaristas estão tentando passar alguma coisa de blindagem aqui porque operações da Polícia Federal mostram que facções como o PCC e o Comando Vermelho têm um braço político”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Aí tiveram uma ideia: vamos pegar o xerife Derrite e botar essa blindagem aí no meio para proteger os interesses de parlamentares e empresários”, acusou.
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O governo alega ter levado seis meses discutindo com especialistas o projeto antifacção, após ter apresentado, em abril, a PEC da Segurança, que até hoje caminha a passos de tartaruga na Câmara.
Por causa de seu estilo, Derrite ganhou de ministros o apelido de “Jack Bauer”, o protagonista da série “24 horas” que tenta fazer justiça com as próprias mãos.
“A quarta versão do relatório ainda nos preocupa porque as mudanças comprometem a eficácia no combate às facções criminosas”, afirmou a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Com informações do portal Estadão.
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2025-11-16
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