Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, aposta em pautas de apelo popular para se reposicionar, pois saiu desgastado com aprovação da PEC da Blindagem e perdeu protagonismo para presidente do Senado
Motta tenta costurar um acordo para que o texto do Senado seja apensado ao da Câmara ; ou seja, tramite de forma conjunta. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou nas últimas semanas os movimentos para reafirmar seu protagonismo político no momento em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se consolida como principal interlocutor do Congresso com o Palácio do Planalto.
À frente da Câmara desde fevereiro, Motta tenta se reposicionar após o desgaste provocado pela aprovação da PEC da Blindagem, que criava barreiras para processar parlamentares e foi derrubada no Senado depois de forte reação popular.
À época, o deputado defendeu o texto sob o argumento de “proteger o livre exercício do mandato parlamentar”, mas o desgaste foi inevitável. Em um episódio simbólico, o parlamentar foi vaiado em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio.
Motta tenta costurar um acordo para que o texto do Senado seja apensado ao da Câmara — ou seja, tramite de forma conjunta.
Segurança pública
A ofensiva na Câmara também se dá na área da segurança pública, após Motta “limpar a pauta” e abrir espaço para temas de maior aceitação pública. Nos últimos meses, a Casa ficou refém do debate da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 e, depois, da reformulação da iniciativa com o PL da Dosimetria — a proposta foi colocada de lado devido a um impasse político.
Em setembro, Motta aprovou a urgência de oito projetos que endurecem penas e criam tipos penais — entre eles o que transforma em crime hediondo a falsificação de bebidas após casos de intoxicação por metanol.
A série de votações foi acompanhada por vídeos nas redes sociais, num gesto lido como tentativa de se aproximar de um eleitorado mais amplo e se distanciar da imagem de político de bastidores.
Governistas e oposicionistas concordam que a fragilidade política tem levado Motta a oscilar entre os lados. Citam votações como a aprovação da urgência da anistia, seguida da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
—Internamente, Hugo promove um ritmo produtivo e alivia tensões. E esses assuntos são as principais demandas da população — avalia o líder do PDT, Mário Heringer (MG).
Enquanto Motta busca visibilidade, Alcolumbre ampliou sua influência sobre o governo. O senador atuou para adiar a votação de vetos ao novo licenciamento ambiental — gesto que evitou uma derrota do governo e reforçou seu papel de fiador político de Lula no Legislativo.
Nas últimas semanas, o senador também participou de reuniões com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o impasse na Lei de Diretrizes do Orçamentárias (LDO) de 2026.
Para o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, não há atrito entre os presidentes, mas apenas uma diferença de estilo e de trajetória.
— Não existe crise entre os dois. Motta é presidente pela primeira vez e Alcolumbre, pela terceira, além da diferença de idade entre eles. Davi já teve essa experiência de comandar antes — disse.
Fantasma de Lira
Deputados do centro reconhecem que o Senado se tornou o principal eixo de poder e dizem que Motta tenta reagir. A avaliação é que, diante da força de Alcolumbre e do risco de antecipação da eleição da Mesa Diretora, o paraibano busca manter a Câmara coesa e afastar o fantasma da antecipação da volta do ex-presidente Arthur Lira (PP-AL), que ainda influencia os bastidores.
Em seu entorno, há queixas de que ele se deixa influenciar por Lira, pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e líderes próximos, como Doutor Luizinho (PP-RJ), Antonio Brito (PSD-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
— O presidente Hugo Motta pediu que eu resolvesse isso. Ele tem ajudado a construir as soluções — disse o líder do governo na Câmara. Com informações do portal O Globo.
https://www.osul.com.br/presidente-da-camara-dos-deputados-hugo-motta-aposta-em-pautas-de-apelo-popular-para-se-reposicionar-pois-saiu-desgastado-com-aprovacao-da-pec-da-blindagem-e-perdeu-protagonismo-para-presidente-do/ Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, aposta em pautas de apelo popular para se reposicionar, pois saiu desgastado com aprovação da PEC da Blindagem e perdeu protagonismo para presidente do Senado 2025-10-25
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À época, o deputado defendeu o texto sob o argumento de “proteger o livre exercício do mandato parlamentar”, mas o desgaste foi inevitável. Em um episódio simbólico, o parlamentar foi vaiado em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio.
Motta tenta costurar um acordo para que o texto do Senado seja apensado ao da Câmara — ou seja, tramite de forma conjunta.
Segurança pública
A ofensiva na Câmara também se dá na área da segurança pública, após Motta “limpar a pauta” e abrir espaço para temas de maior aceitação pública. Nos últimos meses, a Casa ficou refém do debate da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 e, depois, da reformulação da iniciativa com o PL da Dosimetria — a proposta foi colocada de lado devido a um impasse político.
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Governistas e oposicionistas concordam que a fragilidade política tem levado Motta a oscilar entre os lados. Citam votações como a aprovação da urgência da anistia, seguida da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
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— Não existe crise entre os dois. Motta é presidente pela primeira vez e Alcolumbre, pela terceira, além da diferença de idade entre eles. Davi já teve essa experiência de comandar antes — disse.
Fantasma de Lira
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Em seu entorno, há queixas de que ele se deixa influenciar por Lira, pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e líderes próximos, como Doutor Luizinho (PP-RJ), Antonio Brito (PSD-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
— O presidente Hugo Motta pediu que eu resolvesse isso. Ele tem ajudado a construir as soluções — disse o líder do governo na Câmara. Com informações do portal O Globo.
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