Placar final do julgamento frustrou a expectativa de réus de receberem uma pena mais branda por serem representados por advogados do primeiro time de criminalistas do País
Advogado de Almir Garnier usou 21 minutos de sua sustentação oral em elogios aos ministros do STF e a si próprio. (Foto: Foto: Gustavo Moreno/STF)
O placar final do julgamento da trama golpista frustrou a expectativa de réus de receberem uma pena mais branda por serem representados por advogados do primeiro time de criminalistas do País, com fama de acesso a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
É fato que Celso Vilardi e José Luis de Oliveira Lima, o Juca, tinham a dura missão de defender os dois principais alvos do julgamento, respectivamente Jair Bolsonaro (PL) e o general Walter Braga Netto.
O jogo de cartas marcadas na visão do bolsonarismo e de desfecho inequívoco para quem acompanhou de perto as investigações da Polícia Federal, a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) e o julgamento em si sempre transcorreu à sombra da conduta severa e determinada de Moraes.
No próprio dia 8 de janeiro de 2023, o dia da quebradeira da sede dos três Poderes em Brasília, o ministro já havia deixado claro em uma decisão que “absolutamente TODOS”, escreveu em maiúsculas, “serão responsabilizados civil, política e criminalmente pelos atos atentatórios à Democracia, ao Estado de Direito e às Instituições”.
Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão. Braga Netto a 26 anos. As duas maiores penas dos oito que estavam em julgamento.
A entrada de José Luis de Oliveira Lima no caso se deu em dezembro de 2024, quatro dias após Braga Netto ser preso preventivamente pela Polícia Federal sob acusação de obstruir as investigações. O advogado, apelidado de Juca, se projetou nacionalmente na defesa do ex-ministro José Dirceu no escândalo do mensalão.
No mês seguinte, Bolsonaro colocou Celso Vilardi —defensor de alvos de grandes operações da Polícia Federal— no comando de sua equipe de advogados.
Bolsonaro e Braga Netto resistiam até então a contratá-los porque eles eram associados à esquerda em círculos bolsonaristas. Tanto Vilardi como Juca, por exemplo, haviam assinado manifestos contra o ex-presidente em 2020 e 2022. Com a marcha do processo, porém, os réus se viram convencidos a recorrer aos “estrelados”.
O responsável por intermediar a contratação de Juca, advogado de Braga Netto, foi Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do Planalto. O novo defensor do militar acabou sugerindo a contratação de Vilardi pelo ex-presidente.
Apesar do peso do currículo de seu defensor, o general permaneceu preso o tempo todo. Já Bolsonaro teve contra si a decretação de uso de tornozeleira eletrônica e, depois, prisão domiciliar.
Em um patamar mais abaixo no rol da fama da advocacia, Cezar Bitencourt foi quem teve o cliente mais bem-sucedido, o delator Mauro Cid. Mesmo passando por vários percalços na colaboração, ele conseguiu pena de apenas dois anos, em regime aberto.
Advogados-memes
Já o ex-senador Demóstenes Torres conseguiu voltar aos holofotes na defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. Congressista de grande projeção até 2012, quando teve o mandato cassado após revelações de ligações com o empresário dos jogos Carlinhos Cachoeira, usou 21 minutos de sua sustentação oral em elogios aos ministros do STF e a si próprio, o que o tornou alvo de memes nas redes sociais. Seu cliente pegou uma pena de 24 anos.
Outro advogado-meme foi Matheus Milanez, o que “só queria jantar” em um dia em que a sessão se alongou muito.
Com 33 anos e um currículo muito mais modesto, acabou fazendo uma sustentação oral considerada a mais dura em relação a Moraes. Seu cliente, porém, não se beneficiou. Frustrando a tímida expectativa de alguns de que Augusto Heleno pudesse ser inocentado, o auxiliar de Bolsonaro foi condenado a 21 anos de prisão. Com informações da Folha de S. Paulo
https://www.osul.com.br/placar-final-do-julgamento-frustrou-a-expectativa-de-reus-de-receberem-uma-pena-mais-branda-por-serem-representados-por-advogados-do-primeiro-time-de-criminalistas-do-pais/ Placar final do julgamento frustrou a expectativa de réus de receberem uma pena mais branda por serem representados por advogados do primeiro time de criminalistas do País 2025-09-14
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É fato que Celso Vilardi e José Luis de Oliveira Lima, o Juca, tinham a dura missão de defender os dois principais alvos do julgamento, respectivamente Jair Bolsonaro (PL) e o general Walter Braga Netto.
O jogo de cartas marcadas na visão do bolsonarismo e de desfecho inequívoco para quem acompanhou de perto as investigações da Polícia Federal, a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) e o julgamento em si sempre transcorreu à sombra da conduta severa e determinada de Moraes.
No próprio dia 8 de janeiro de 2023, o dia da quebradeira da sede dos três Poderes em Brasília, o ministro já havia deixado claro em uma decisão que “absolutamente TODOS”, escreveu em maiúsculas, “serão responsabilizados civil, política e criminalmente pelos atos atentatórios à Democracia, ao Estado de Direito e às Instituições”.
Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão. Braga Netto a 26 anos. As duas maiores penas dos oito que estavam em julgamento.
A entrada de José Luis de Oliveira Lima no caso se deu em dezembro de 2024, quatro dias após Braga Netto ser preso preventivamente pela Polícia Federal sob acusação de obstruir as investigações. O advogado, apelidado de Juca, se projetou nacionalmente na defesa do ex-ministro José Dirceu no escândalo do mensalão.
No mês seguinte, Bolsonaro colocou Celso Vilardi —defensor de alvos de grandes operações da Polícia Federal— no comando de sua equipe de advogados.
Bolsonaro e Braga Netto resistiam até então a contratá-los porque eles eram associados à esquerda em círculos bolsonaristas. Tanto Vilardi como Juca, por exemplo, haviam assinado manifestos contra o ex-presidente em 2020 e 2022. Com a marcha do processo, porém, os réus se viram convencidos a recorrer aos “estrelados”.
O responsável por intermediar a contratação de Juca, advogado de Braga Netto, foi Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do Planalto. O novo defensor do militar acabou sugerindo a contratação de Vilardi pelo ex-presidente.
Apesar do peso do currículo de seu defensor, o general permaneceu preso o tempo todo. Já Bolsonaro teve contra si a decretação de uso de tornozeleira eletrônica e, depois, prisão domiciliar.
Em um patamar mais abaixo no rol da fama da advocacia, Cezar Bitencourt foi quem teve o cliente mais bem-sucedido, o delator Mauro Cid. Mesmo passando por vários percalços na colaboração, ele conseguiu pena de apenas dois anos, em regime aberto.
Advogados-memes
Já o ex-senador Demóstenes Torres conseguiu voltar aos holofotes na defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. Congressista de grande projeção até 2012, quando teve o mandato cassado após revelações de ligações com o empresário dos jogos Carlinhos Cachoeira, usou 21 minutos de sua sustentação oral em elogios aos ministros do STF e a si próprio, o que o tornou alvo de memes nas redes sociais. Seu cliente pegou uma pena de 24 anos.
Outro advogado-meme foi Matheus Milanez, o que “só queria jantar” em um dia em que a sessão se alongou muito.
Com 33 anos e um currículo muito mais modesto, acabou fazendo uma sustentação oral considerada a mais dura em relação a Moraes. Seu cliente, porém, não se beneficiou. Frustrando a tímida expectativa de alguns de que Augusto Heleno pudesse ser inocentado, o auxiliar de Bolsonaro foi condenado a 21 anos de prisão. Com informações da Folha de S. Paulo
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