Ministro ressalva que modelo permitiu ao Brasil período de estabilidade democrática. (Foto: Nadja Kouchi/TV Cultura)
O protagonismo do STF (Supremo Tribunal Federal) é excessivo, e isto é algo que a própria Corte reconhece, afirmou o ministro Luís Roberto Barroso nessa terça-feira (7) em palestra no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).
“Reconheço, o próprio Supremo reconhece, que é excessivo, mas, de novo, (ele) decorre de um modelo constitucional e de uma provocação que vem da política”, disse Barroso. “Nenhum Poder pode ser hegemônico numa República e, portanto, tudo tem a medida certa.”
O ministro ressalvou, por outro lado, que este mesmo arranjo foi o qual permitiu ao país desfrutar do período de estabilidade democrática. “Eu não trataria com desimportância esse papel que o tribunal pôde exercer nesses 37 anos de democracia”.
Barroso também abordou as transmissões pela TV Justiça, que, segundo ele, dão uma exposição e visibilidade públicas aos ministros sem precedentes no mundo. Disse, por exemplo, que ninguém reconheceu o presidente do Tribunal Constitucional alemão quando andou com ele pelas ruas do País.
No Brasil, afirmou, “quando o ministro vota, ele vota para os seus colegas, tentando demonstrar os argumentos do seu voto, mas ele também vota para o público que o está assistindo para que possa compreender o que está se passando”.
Além do papel do STF, o seminário protagonizado pelo ministro focou a judicialização no Brasil e o balanço da gestão do ministro à frente da corte e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de 2023 a 2025. Ele foi sucedido por Edson Fachin há uma semana.
A gestão de Barroso no Supremo foi marcada por julgamentos sobre maconha, sistema prisional e Marco Civil da Internet, mas atingiu o auge com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete por tentativa de golpe de Estado.
“Agora que o julgamento acabou e as provas são públicas, não há nenhuma dúvida de que havia um plano: Punhal Verde Amarelo, que planejava o assassinado do presidente eleito, do vice-presidente e de um ministro do Supremo, documentado, impresso e circulado.”
Sobre o 8 de Janeiro, afirmou que, “no Brasil, as pessoas passam da indignação à pena com uma certa rapidez, mas a verdade é que a gente não pode naturalizar que quem perde as eleições pode invadir os prédios públicos”.
O ministro reforçou, porém, que algumas penas, sobretudo de executores, não de mentores da trama golpista, ficaram elevadas e afirmou ser razoável não somar as penas dos crimes de golpe de Estado e de abolição violeta do Estado democrático de Direito — algo discutido no Congresso.
No fim da palestra, chegou a dizer que “foi juiz por 12 anos”, emendando na sequência “fui, não, sou”. A declaração foi dada em um momento de especulações sobre a possibilidade de Barroso adiantar a aposentadoria do Supremo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/supremo-tem-protagonismo-excessivo-e-nenhum-poder-pode-ser-hegemonico-afirma-barroso-seu-ex-presidente/ Supremo tem protagonismo excessivo, e nenhum Poder pode ser hegemônico, afirma Barroso, seu ex-presidente 2025-10-07
No diagnóstico do Planalto, Motta é suscetível a pressões do Centrão e volta atrás nos tratos. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados) O governo se decepcionou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No diagnóstico do Planalto, Motta é suscetível a pressões do Centrão e volta atrás nos tratos. Aliados de Lula citam dois casos …
As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. (Foto: Agência Senado) Brasil e Índia assinaram neste sábado (21) um acordo sobre minerais críticos e terras raras. O acordo foi firmado durante visita oficial do presidente Lula (PT) a Nova Délhi e o …
O plano faz parte de uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Foto: Ricardo Stuckert/PR O plano faz parte de uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. (Foto: Ricardo …
Aliados afirmam que o dirigente do União está chateado com Sabino pelo que enxerga como “quebra de acordo”. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) A cúpula do União Brasil viu com desconfiança a decisão do ministro do Turismo, Celso Sabino (PA), de entregar sua carta de demissão ao presidente Lula (PT). Para integrantes da legenda, trata-se …
Supremo tem protagonismo excessivo, e nenhum Poder pode ser hegemônico, afirma Barroso, seu ex-presidente
Ministro ressalva que modelo permitiu ao Brasil período de estabilidade democrática. (Foto: Nadja Kouchi/TV Cultura)
O protagonismo do STF (Supremo Tribunal Federal) é excessivo, e isto é algo que a própria Corte reconhece, afirmou o ministro Luís Roberto Barroso nessa terça-feira (7) em palestra no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).
“Reconheço, o próprio Supremo reconhece, que é excessivo, mas, de novo, (ele) decorre de um modelo constitucional e de uma provocação que vem da política”, disse Barroso. “Nenhum Poder pode ser hegemônico numa República e, portanto, tudo tem a medida certa.”
O ministro ressalvou, por outro lado, que este mesmo arranjo foi o qual permitiu ao país desfrutar do período de estabilidade democrática. “Eu não trataria com desimportância esse papel que o tribunal pôde exercer nesses 37 anos de democracia”.
Barroso também abordou as transmissões pela TV Justiça, que, segundo ele, dão uma exposição e visibilidade públicas aos ministros sem precedentes no mundo. Disse, por exemplo, que ninguém reconheceu o presidente do Tribunal Constitucional alemão quando andou com ele pelas ruas do País.
No Brasil, afirmou, “quando o ministro vota, ele vota para os seus colegas, tentando demonstrar os argumentos do seu voto, mas ele também vota para o público que o está assistindo para que possa compreender o que está se passando”.
Além do papel do STF, o seminário protagonizado pelo ministro focou a judicialização no Brasil e o balanço da gestão do ministro à frente da corte e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de 2023 a 2025. Ele foi sucedido por Edson Fachin há uma semana.
A gestão de Barroso no Supremo foi marcada por julgamentos sobre maconha, sistema prisional e Marco Civil da Internet, mas atingiu o auge com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete por tentativa de golpe de Estado.
“Agora que o julgamento acabou e as provas são públicas, não há nenhuma dúvida de que havia um plano: Punhal Verde Amarelo, que planejava o assassinado do presidente eleito, do vice-presidente e de um ministro do Supremo, documentado, impresso e circulado.”
Sobre o 8 de Janeiro, afirmou que, “no Brasil, as pessoas passam da indignação à pena com uma certa rapidez, mas a verdade é que a gente não pode naturalizar que quem perde as eleições pode invadir os prédios públicos”.
O ministro reforçou, porém, que algumas penas, sobretudo de executores, não de mentores da trama golpista, ficaram elevadas e afirmou ser razoável não somar as penas dos crimes de golpe de Estado e de abolição violeta do Estado democrático de Direito — algo discutido no Congresso.
No fim da palestra, chegou a dizer que “foi juiz por 12 anos”, emendando na sequência “fui, não, sou”. A declaração foi dada em um momento de especulações sobre a possibilidade de Barroso adiantar a aposentadoria do Supremo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/supremo-tem-protagonismo-excessivo-e-nenhum-poder-pode-ser-hegemonico-afirma-barroso-seu-ex-presidente/
Supremo tem protagonismo excessivo, e nenhum Poder pode ser hegemônico, afirma Barroso, seu ex-presidente
2025-10-07
Related Posts
O governo se decepcionou com o presidente da Câmara dos Deputados por que ele não faz o que combina
No diagnóstico do Planalto, Motta é suscetível a pressões do Centrão e volta atrás nos tratos. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados) O governo se decepcionou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No diagnóstico do Planalto, Motta é suscetível a pressões do Centrão e volta atrás nos tratos. Aliados de Lula citam dois casos …
Entenda o que são terras raras e minerais críticos
As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. (Foto: Agência Senado) Brasil e Índia assinaram neste sábado (21) um acordo sobre minerais críticos e terras raras. O acordo foi firmado durante visita oficial do presidente Lula (PT) a Nova Délhi e o …
Trump convida Lula para “Conselho de Paz” para Gaza, dizem fontes
O plano faz parte de uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Foto: Ricardo Stuckert/PR O plano faz parte de uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. (Foto: Ricardo …
A desconfiança do partido União Brasil com a saída do ministro do Turismo do governo Lula
Aliados afirmam que o dirigente do União está chateado com Sabino pelo que enxerga como “quebra de acordo”. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) A cúpula do União Brasil viu com desconfiança a decisão do ministro do Turismo, Celso Sabino (PA), de entregar sua carta de demissão ao presidente Lula (PT). Para integrantes da legenda, trata-se …