As sessões de julgamento acontecerão até o dia 12 deste mês. (Foto: Wallace Martins/STF)
O julgamento da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que começa nesta terça-feira (2), deverá ser tomado por debates que vão além de declarar se o ex-presidente Jair Bolsonaro e os outros sete réus são culpados ou inocentes. Algumas das definições poderão alterar de forma relevante os desfechos para cada um dos envolvidos.
Poderão ser mudados o regime de cumprimento de pena, se a sentença for desfavorável aos réus; a perda de direitos políticos; e o tamanho da eventual condenação.
Os advogados afirmam que o ex-presidente é inocente e não compactuou com qualquer tentativa de ruptura democrática. Durante seu interrogatório no STF, em junho, Bolsonaro admitiu que discutiu “alternativas” para a derrota eleitoral de 2022, mas negou a investida golpista. Segundo afirmou na ocasião, o plano não foi adiante e as propostas foram descartadas, pois não havia “clima”, “oportunidade” e “base minimamente sólida para qualquer coisa”.
Absolvição ou condenação
Na ação, Bolsonaro é acusado de cinco crimes: liderar organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Para cada um deles, haverá uma avaliação específica.
Essa discussão prévia sobre a absolvição ou condenação por cada um dos crimes, bem como pela possível junção de duas ou mais acusações em uma mesma conduta, será um dos pontos centrais do julgamento. Isso porque afetará diretamente no tamanho da pena.
Uma das alegações feitas pelas defesas gira em torno de dois dos crimes, o de tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e o de golpe de estado. No Código Penal, eles são tratados como crimes distintos. Contudo, ministros do Supremo, incluindo Luiz Fux, que participará do julgamento, vem defendendo que eles sejam tratados como um só.
Dosimetria
Outro ponto que vai impactar no desfecho do julgamento é a dosimetria da pena, em caso de condenação. De acordo com a legislação penal, o regime de cumprimento da detenção depende necessariamente do tamanho da pena. A soma das penas máximas de todos os crimes a que o ex-presidente responde é de 43 anos de prisão.
Entretanto, o cálculo não é tão simples. O cálculo da pena, também chamado de “dosimetria” é feito em três fases. Em primeiro lugar, os ministros calculam qual a pena-base, que levará em conta questões como a existência ou não de antecedentes, a culpabilidade dos réus e o motivo do crime. Na segunda fase, a Primeira Turma analisará possíveis agravantes ou atenuantes da conduta de cada um dos réus. Por fim, na terceira fase, são analisadas outras causas especiais que possam justificar aumento ou diminuição da pena.
O regime de cumprimento inicial depende da soma das penas: se a condenação for até quatro anos, o regime é aberto. De quatro a oito, o regime é semiaberto. E para penas maiores de oito anos, o regime é fechado.
Prisão ou não
Uma eventual condenação por mais oito anos – ou seja, regime fechado – de Bolsonaro deve abrir uma nova discussão na Corte: onde o ex-presidente ficará preso.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o início do mês, e a defesa pode requerer que ele continue nesta condição tendo em vista a idade (70 anos) do ex-mandatário e seus problemas de saúde. Desde que foi vítima de uma facada, em 2018, Bolsonaro já se submeteu a sete intervenções cirúrgicas no abdômen. Nas últimas semanas, ele ainda tem enfrentado crises de soluço. Em julho, declarou que “vomitava dez vezes por dia”.
Inelegibilidade
Além da prisão, outra consequência de uma eventual condenação será a inelegibilidade. Desde junho de 2023, Bolsonaro está impedido de disputar eleições em razão de sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral por crimes cometidos na disputa presidencial de 2022. Entretanto, de acordo com juristas, uma nova pena agravaria essa condição.
A Lei da Ficha Limpa prevê que um político condenado por órgão colegiado – como é o caso da Primeira Turma do STF – fique inelegível inelegível por oito anos, que passam a ser contados após o término do cumprimento da pena.
Além disso, ele perderia outros direitos políticos: pela legislação brasileira, apenas presos provisórios podem votar — o mesmo ocorreu com o presidente Lula em 2018 que, preso em Curitiba, além de ter sua candidatura indeferida, também não pôde votar na eleição em que Bolsonaro foi vitorioso. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/prisao-inelegibilidade-ou-absolvicao-os-desfechos-do-julgamento-de-bolsonaro-e-demais-reus-cada-crime-e-julgado-de-forma-independente/ Prisão, inelegibilidade ou absolvição: os desfechos do julgamento de Bolsonaro e demais réus; cada crime é julgado de forma independente 2025-09-01
Análise de processo sobre coação ocorrerá no plenário virtual, a partir do dia 14. (Foto: Divulgação/Beto Barata/PL) O julgamento ocorrerá no plenário virtual, entre os ministro da Primeira Turma, com previsão de terminar no dia 25 de novembro. Inicialmente, o julgamento tinha sido marcado para ocorrer entre os dias 21 de novembro e 1º de …
A ex-primeira-dama reforçou o apreço à família, a defesa inegociável do marido e a postura anti-petista. Foto: Reprodução A ex-primeira-dama reforçou o apreço à família, a defesa inegociável do marido e a postura anti-petista. (Foto: Reprodução) A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu desculpas aos enteados por ter se intrometido e criticado publicamente a articulação para uma …
Em depoimento à CPMI, Antônio Carlos Camilo Antunes negou que suas empresas tenham relação com fraudes no instituto Foto: Reprodução (Foto: Reprodução) Em depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, negou nesta quinta-feira (25) que suas empresas tenham …
A ex-primeira-dama também manifestou temor de que Bolsonaro tenha nova queda e ninguém perceba o acidente. (Foto: Reprodução) A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sentido tontura e perdido o equilíbrio ao se levantar. A declaração foi postada nas redes sociais três dias após o ex-mandatário ter caído …
Prisão, inelegibilidade ou absolvição: os desfechos do julgamento de Bolsonaro e demais réus; cada crime é julgado de forma independente
As sessões de julgamento acontecerão até o dia 12 deste mês. (Foto: Wallace Martins/STF)
O julgamento da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que começa nesta terça-feira (2), deverá ser tomado por debates que vão além de declarar se o ex-presidente Jair Bolsonaro e os outros sete réus são culpados ou inocentes. Algumas das definições poderão alterar de forma relevante os desfechos para cada um dos envolvidos.
Poderão ser mudados o regime de cumprimento de pena, se a sentença for desfavorável aos réus; a perda de direitos políticos; e o tamanho da eventual condenação.
Os advogados afirmam que o ex-presidente é inocente e não compactuou com qualquer tentativa de ruptura democrática. Durante seu interrogatório no STF, em junho, Bolsonaro admitiu que discutiu “alternativas” para a derrota eleitoral de 2022, mas negou a investida golpista. Segundo afirmou na ocasião, o plano não foi adiante e as propostas foram descartadas, pois não havia “clima”, “oportunidade” e “base minimamente sólida para qualquer coisa”.
Absolvição ou condenação
Na ação, Bolsonaro é acusado de cinco crimes: liderar organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Para cada um deles, haverá uma avaliação específica.
Essa discussão prévia sobre a absolvição ou condenação por cada um dos crimes, bem como pela possível junção de duas ou mais acusações em uma mesma conduta, será um dos pontos centrais do julgamento. Isso porque afetará diretamente no tamanho da pena.
Uma das alegações feitas pelas defesas gira em torno de dois dos crimes, o de tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e o de golpe de estado. No Código Penal, eles são tratados como crimes distintos. Contudo, ministros do Supremo, incluindo Luiz Fux, que participará do julgamento, vem defendendo que eles sejam tratados como um só.
Dosimetria
Outro ponto que vai impactar no desfecho do julgamento é a dosimetria da pena, em caso de condenação. De acordo com a legislação penal, o regime de cumprimento da detenção depende necessariamente do tamanho da pena. A soma das penas máximas de todos os crimes a que o ex-presidente responde é de 43 anos de prisão.
Entretanto, o cálculo não é tão simples. O cálculo da pena, também chamado de “dosimetria” é feito em três fases. Em primeiro lugar, os ministros calculam qual a pena-base, que levará em conta questões como a existência ou não de antecedentes, a culpabilidade dos réus e o motivo do crime. Na segunda fase, a Primeira Turma analisará possíveis agravantes ou atenuantes da conduta de cada um dos réus. Por fim, na terceira fase, são analisadas outras causas especiais que possam justificar aumento ou diminuição da pena.
O regime de cumprimento inicial depende da soma das penas: se a condenação for até quatro anos, o regime é aberto. De quatro a oito, o regime é semiaberto. E para penas maiores de oito anos, o regime é fechado.
Prisão ou não
Uma eventual condenação por mais oito anos – ou seja, regime fechado – de Bolsonaro deve abrir uma nova discussão na Corte: onde o ex-presidente ficará preso.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o início do mês, e a defesa pode requerer que ele continue nesta condição tendo em vista a idade (70 anos) do ex-mandatário e seus problemas de saúde. Desde que foi vítima de uma facada, em 2018, Bolsonaro já se submeteu a sete intervenções cirúrgicas no abdômen. Nas últimas semanas, ele ainda tem enfrentado crises de soluço. Em julho, declarou que “vomitava dez vezes por dia”.
Inelegibilidade
Além da prisão, outra consequência de uma eventual condenação será a inelegibilidade. Desde junho de 2023, Bolsonaro está impedido de disputar eleições em razão de sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral por crimes cometidos na disputa presidencial de 2022. Entretanto, de acordo com juristas, uma nova pena agravaria essa condição.
A Lei da Ficha Limpa prevê que um político condenado por órgão colegiado – como é o caso da Primeira Turma do STF – fique inelegível inelegível por oito anos, que passam a ser contados após o término do cumprimento da pena.
Além disso, ele perderia outros direitos políticos: pela legislação brasileira, apenas presos provisórios podem votar — o mesmo ocorreu com o presidente Lula em 2018 que, preso em Curitiba, além de ter sua candidatura indeferida, também não pôde votar na eleição em que Bolsonaro foi vitorioso. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/prisao-inelegibilidade-ou-absolvicao-os-desfechos-do-julgamento-de-bolsonaro-e-demais-reus-cada-crime-e-julgado-de-forma-independente/
Prisão, inelegibilidade ou absolvição: os desfechos do julgamento de Bolsonaro e demais réus; cada crime é julgado de forma independente
2025-09-01
Related Posts
Supremo marca julgamento de denúncia contra Eduardo Bolsonaro por atuação nos Estados Unidos para coagir o Tribunal
Análise de processo sobre coação ocorrerá no plenário virtual, a partir do dia 14. (Foto: Divulgação/Beto Barata/PL) O julgamento ocorrerá no plenário virtual, entre os ministro da Primeira Turma, com previsão de terminar no dia 25 de novembro. Inicialmente, o julgamento tinha sido marcado para ocorrer entre os dias 21 de novembro e 1º de …
Se engana quem pensa que o gesto de Michelle significa recuo ou submissão aos filhos de Jair Bolsonaro
A ex-primeira-dama reforçou o apreço à família, a defesa inegociável do marido e a postura anti-petista. Foto: Reprodução A ex-primeira-dama reforçou o apreço à família, a defesa inegociável do marido e a postura anti-petista. (Foto: Reprodução) A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu desculpas aos enteados por ter se intrometido e criticado publicamente a articulação para uma …
Careca do INSS se nega a responder perguntas do relator da comissão e diz que suas empresas não têm ligação com fraudes
Em depoimento à CPMI, Antônio Carlos Camilo Antunes negou que suas empresas tenham relação com fraudes no instituto Foto: Reprodução (Foto: Reprodução) Em depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, negou nesta quinta-feira (25) que suas empresas tenham …
Bolsonaro tem perda de equilíbrio por medicamentos e Michelle afirma: “Riscos reais de morte”
A ex-primeira-dama também manifestou temor de que Bolsonaro tenha nova queda e ninguém perceba o acidente. (Foto: Reprodução) A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sentido tontura e perdido o equilíbrio ao se levantar. A declaração foi postada nas redes sociais três dias após o ex-mandatário ter caído …