Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado para apurar ataques ao Supremo e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado
Como Alexandre de Moraes é o relator do inquérito original, ele conduz as apurações decorrentes dele. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado em março de 2019 para apurar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado. Em caráter reservado, três ministros do tribunal confirmaram a informação ao Estadão.
Ministros próximos do relator, Alexandre de Moraes, afirmam que o objetivo de não se concluir o caso agora é ter um instrumento à mão para apurar e combater eventuais novos ataques à Corte, às instituições e à democracia. Questionado sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa, o ministro não se manifestou.
Depois que o inquérito foi aberto, ele foi fracionado em outras investigações – como a que apurou a existência de uma quadrilha digital para disseminar ataques à democracia. Também foram investigados blogueiros, empresários e políticos – dentre os quais, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como Moraes é o relator do inquérito original, ele conduz as apurações decorrentes dele. Foi assim que o ministro se tornou o relator dos processos sobre o 8 de Janeiro e a tentativa de golpe. Hoje, Moraes concentra boa parte das investigações mais relevantes para o Judiciário e a política.
Antes dos ataques às sedes dos três Poderes, em janeiro de 2023, Moraes tinha planos de encerrar o inquérito das fake news. No STF, a avaliação era de que o ambiente político havia se acalmado depois que Bolsonaro deixou o poder. Diante das invasões em Brasília, o cenário mudou.
Trama golpista
Uma ala do tribunal discorda da decisão de Moraes de manter o inquérito aberto de forma indefinida. Ouvido em caráter reservado, um ministro da Corte afirmou que o caso deveria ter sido encerrado após o término dos julgamentos da trama golpista.
Essa ala já manifestou insatisfação com a perpetuação do inquérito e afirmou que a investigação ampliou demais o seu escopo. Esse questionamento é repetido por críticos e alvos do processo, que dizem desconhecer as razões objetivas pelas quais os casos ainda não chegaram a um desfecho. Até o momento, o STF julgou e condenou réus de três dos cinco núcleos da trama golpista. Em contrapartida, ninguém foi indiciado ou denunciado na investigação das fake news, que segue sob sigilo.
Para o ministro aposentado Luís Roberto Barroso, que presidiu o tribunal até setembro deste ano, seria importante encerrar o inquérito para tentar distensionar o ambiente político no País. Há um ano, em entrevista, ele falou sobre o papel do inquérito na continuidade do regime democrático. “O inquérito foi atípico, mas, olhando em perspectiva, foi necessário e indispensável para enfrentar o extremismo no Brasil”, disse.
Na ocasião, Barroso previu que o caso seria encerrado após o julgamento dos acusados pela tentativa de golpe. Mas a avaliação de ministros próximos de Moraes é a de que o clima ainda não é de calmaria e, por isso, seria necessário manter o inquérito aberto.
Sem sorteio
O inquérito das fake news divide opiniões desde que nasceu. O então presidente do STF, Dias Toffoli, determinou que o relator fosse Moraes, sem a realização de sorteio. O caso também foi aberto sem pedido da ProcuradoriaGeral da República (PGR), contrariando a praxe no Judiciário.
Na época, membros do Ministério Público apontaram a usurpação de prerrogativa da instituição. Um mês após a instauração do inquérito, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento da investigação. No mesmo dia, o despacho foi rejeitado por Moraes. Augusto Aras, que sucedeu a Raquel Dodge, tentou interromper a investigação em 2020, sem êxito. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/prestes-a-completar-sete-anos-o-inquerito-das-fake-news-instaurado-para-apurar-ataques-ao-supremo-e-aos-ministros-da-corte-deve-continuar-aberto-por-tempo-indeterminado/ Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado para apurar ataques ao Supremo e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado 2025-12-09
A avaliação no Palácio dos Bandeirantes é que o histórico de maior rejeição do bolsonarismo entre as mulheres representa um desafio para Tarcísio. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) O consultor político Felipe Soutello destaca que as pesquisas apontam Tarcísio como o primeiro governador paulista deste século com rejeição maior entre as mulheres. “A …
O evento foi realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre. Na foto, Maranata (E) e o presidente estadual do PSDB, Moisés Barboza Foto: Henry Rodrigues/PSDB O evento foi realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre. Na foto, Maranata (E) e o presidente estadual do PSDB, Moisés Barboza. (Foto: Henry Rodrigues/PSDB) Com a presença de mais …
A lei Magnitsky prevê uma série de sanções que, na prática, extrapolam as fronteiras dos Estados Unidos e que são decretadas sem necessidade de condenação em processo judicial. (Foto: Reprodução) O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira que a sanção americana contra Viviane Barci de Moraes ocorreu pelo “suporte material” …
Com o resultado, o processo foi arquivado. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Com o resultado, o processo foi arquivado. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A Câmara dos Deputados rejeitou na quarta-feira (10) a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Foram 227 votos a favor da cassação e 170 votos contra. Eram necessários 257 votos …
Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado para apurar ataques ao Supremo e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado
Como Alexandre de Moraes é o relator do inquérito original, ele conduz as apurações decorrentes dele. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado em março de 2019 para apurar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado. Em caráter reservado, três ministros do tribunal confirmaram a informação ao Estadão.
Ministros próximos do relator, Alexandre de Moraes, afirmam que o objetivo de não se concluir o caso agora é ter um instrumento à mão para apurar e combater eventuais novos ataques à Corte, às instituições e à democracia. Questionado sobre o assunto por meio da assessoria de imprensa, o ministro não se manifestou.
Depois que o inquérito foi aberto, ele foi fracionado em outras investigações – como a que apurou a existência de uma quadrilha digital para disseminar ataques à democracia. Também foram investigados blogueiros, empresários e políticos – dentre os quais, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como Moraes é o relator do inquérito original, ele conduz as apurações decorrentes dele. Foi assim que o ministro se tornou o relator dos processos sobre o 8 de Janeiro e a tentativa de golpe. Hoje, Moraes concentra boa parte das investigações mais relevantes para o Judiciário e a política.
Antes dos ataques às sedes dos três Poderes, em janeiro de 2023, Moraes tinha planos de encerrar o inquérito das fake news. No STF, a avaliação era de que o ambiente político havia se acalmado depois que Bolsonaro deixou o poder. Diante das invasões em Brasília, o cenário mudou.
Trama golpista
Uma ala do tribunal discorda da decisão de Moraes de manter o inquérito aberto de forma indefinida. Ouvido em caráter reservado, um ministro da Corte afirmou que o caso deveria ter sido encerrado após o término dos julgamentos da trama golpista.
Essa ala já manifestou insatisfação com a perpetuação do inquérito e afirmou que a investigação ampliou demais o seu escopo. Esse questionamento é repetido por críticos e alvos do processo, que dizem desconhecer as razões objetivas pelas quais os casos ainda não chegaram a um desfecho. Até o momento, o STF julgou e condenou réus de três dos cinco núcleos da trama golpista. Em contrapartida, ninguém foi indiciado ou denunciado na investigação das fake news, que segue sob sigilo.
Para o ministro aposentado Luís Roberto Barroso, que presidiu o tribunal até setembro deste ano, seria importante encerrar o inquérito para tentar distensionar o ambiente político no País. Há um ano, em entrevista, ele falou sobre o papel do inquérito na continuidade do regime democrático. “O inquérito foi atípico, mas, olhando em perspectiva, foi necessário e indispensável para enfrentar o extremismo no Brasil”, disse.
Na ocasião, Barroso previu que o caso seria encerrado após o julgamento dos acusados pela tentativa de golpe. Mas a avaliação de ministros próximos de Moraes é a de que o clima ainda não é de calmaria e, por isso, seria necessário manter o inquérito aberto.
Sem sorteio
O inquérito das fake news divide opiniões desde que nasceu. O então presidente do STF, Dias Toffoli, determinou que o relator fosse Moraes, sem a realização de sorteio. O caso também foi aberto sem pedido da ProcuradoriaGeral da República (PGR), contrariando a praxe no Judiciário.
Na época, membros do Ministério Público apontaram a usurpação de prerrogativa da instituição. Um mês após a instauração do inquérito, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento da investigação. No mesmo dia, o despacho foi rejeitado por Moraes. Augusto Aras, que sucedeu a Raquel Dodge, tentou interromper a investigação em 2020, sem êxito. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/prestes-a-completar-sete-anos-o-inquerito-das-fake-news-instaurado-para-apurar-ataques-ao-supremo-e-aos-ministros-da-corte-deve-continuar-aberto-por-tempo-indeterminado/
Prestes a completar sete anos, o inquérito das fake news, instaurado para apurar ataques ao Supremo e aos ministros da Corte, deve continuar aberto por tempo indeterminado
2025-12-09
Related Posts
Para aliados, ligação de Tarcísio com bolsonarismo “contaminou” imagem
A avaliação no Palácio dos Bandeirantes é que o histórico de maior rejeição do bolsonarismo entre as mulheres representa um desafio para Tarcísio. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) O consultor político Felipe Soutello destaca que as pesquisas apontam Tarcísio como o primeiro governador paulista deste século com rejeição maior entre as mulheres. “A …
PSDB oficializa a pré-candidatura do prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, ao governo gaúcho
O evento foi realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre. Na foto, Maranata (E) e o presidente estadual do PSDB, Moisés Barboza Foto: Henry Rodrigues/PSDB O evento foi realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre. Na foto, Maranata (E) e o presidente estadual do PSDB, Moisés Barboza. (Foto: Henry Rodrigues/PSDB) Com a presença de mais …
Estados Unidos dizem que sanção à mulher de Alexandre de Moraes ocorreu por “suporte” a ministro e promete novas medidas
A lei Magnitsky prevê uma série de sanções que, na prática, extrapolam as fronteiras dos Estados Unidos e que são decretadas sem necessidade de condenação em processo judicial. (Foto: Reprodução) O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira que a sanção americana contra Viviane Barci de Moraes ocorreu pelo “suporte material” …
Mesmo com condenação no Supremo, Câmara dos Deputados rejeita cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli; veja como votaram deputados e partidos
Com o resultado, o processo foi arquivado. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Com o resultado, o processo foi arquivado. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A Câmara dos Deputados rejeitou na quarta-feira (10) a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Foram 227 votos a favor da cassação e 170 votos contra. Eram necessários 257 votos …