A tendência, segundo representantes do setor, é de divisão no primeiro turno. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
A entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na corrida presidencial de 2026 já começa a provocar efeitos concretos no tabuleiro político, especialmente dentro de um dos setores mais estratégicos do país: o agronegócio. A movimentação, além de reposicionar forças, impacta diretamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contava com uma adesão mais linear do segmento.
Agro dividido e estratégia interrompida
Historicamente alinhado ao bolsonarismo desde 2018, o agronegócio vinha sendo tratado por aliados de Flávio como uma base praticamente consolidada. A expectativa era de que o apoio se materializasse de forma gradual — começando por manifestações discretas e evoluindo até um endosso mais robusto de entidades e lideranças do setor.
Esse movimento, no entanto, perdeu força com a entrada de Caiado na disputa.
Com forte ligação com o campo e trajetória marcada pela defesa dos produtores rurais, o governador goiano surge como uma alternativa viável dentro do mesmo espectro político. O resultado imediato foi a adoção de uma postura mais cautelosa por parte das lideranças do agro, que passaram a evitar declarações públicas de apoio e a manter canais abertos com ambos os pré-candidatos.
A tendência, segundo representantes do setor, é de divisão no primeiro turno.
Capital político e histórico no setor
Médico e pecuarista, Caiado construiu sua carreira política diretamente ligada ao agronegócio. Foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que ganhou notoriedade nacional nas décadas de 1980 e 1990 na defesa da propriedade privada.
Durante sua gestão em Goiás, implementou medidas consideradas positivas pelo setor. Entre elas, destacam-se:
Crescimento de 23% nas exportações de grãos em 2025 Extinção da chamada “taxa do agro” (Fundo Estadual de Infraestrutura) Investimentos em logística rural e escoamento da produção Revisão de multas aplicadas a pecuaristas Essas ações reforçam o discurso que deverá ser explorado na pré-campanha, com Caiado sendo apresentado como uma espécie de “padrinho do agro”.
Lula segue como contraponto
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a reeleição, continua enfrentando resistência dentro do setor, apesar de medidas econômicas relevantes, como o fortalecimento do Plano Safra.
Declarações consideradas controversas por produtores rurais também contribuíram para manter o distanciamento, mesmo com tentativas recentes de aproximação por parte do governo.
Reação no entorno de Flávio
Nos bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a entrada de Caiado é vista como um obstáculo relevante. O agronegócio era considerado um dos pilares centrais para dar sustentação econômica e política ao projeto presidencial do senador.
Agora, a estratégia precisará ser revista.
Uma das alternativas em discussão dentro do PL é a composição de chapa com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e figura de forte prestígio no setor. A eventual escolha é vista como uma tentativa de recuperar espaço e reduzir resistências entre produtores e entidades representativas.
Novo cenário eleitoral
Com a entrada de Caiado, o cenário eleitoral ganha uma nova dinâmica. Mais do que ampliar o número de candidatos, sua presença introduz um elemento de competitividade dentro de um mesmo campo ideológico, forçando a redistribuição de apoios.
Para o agronegócio, a estratégia agora é clara: evitar compromissos antecipados e manter poder de influência até os momentos decisivos da campanha.
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Pré candidatura à presidência da República de Ronaldo Caiado divide o agronegócio e esfria adesão a Flávio Bolsonaro
A tendência, segundo representantes do setor, é de divisão no primeiro turno. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
A entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na corrida presidencial de 2026 já começa a provocar efeitos concretos no tabuleiro político, especialmente dentro de um dos setores mais estratégicos do país: o agronegócio. A movimentação, além de reposicionar forças, impacta diretamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contava com uma adesão mais linear do segmento.
Agro dividido e estratégia interrompida
Historicamente alinhado ao bolsonarismo desde 2018, o agronegócio vinha sendo tratado por aliados de Flávio como uma base praticamente consolidada. A expectativa era de que o apoio se materializasse de forma gradual — começando por manifestações discretas e evoluindo até um endosso mais robusto de entidades e lideranças do setor.
Esse movimento, no entanto, perdeu força com a entrada de Caiado na disputa.
Com forte ligação com o campo e trajetória marcada pela defesa dos produtores rurais, o governador goiano surge como uma alternativa viável dentro do mesmo espectro político. O resultado imediato foi a adoção de uma postura mais cautelosa por parte das lideranças do agro, que passaram a evitar declarações públicas de apoio e a manter canais abertos com ambos os pré-candidatos.
A tendência, segundo representantes do setor, é de divisão no primeiro turno.
Capital político e histórico no setor
Médico e pecuarista, Caiado construiu sua carreira política diretamente ligada ao agronegócio. Foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que ganhou notoriedade nacional nas décadas de 1980 e 1990 na defesa da propriedade privada.
Durante sua gestão em Goiás, implementou medidas consideradas positivas pelo setor. Entre elas, destacam-se:
Crescimento de 23% nas exportações de grãos em 2025
Extinção da chamada “taxa do agro” (Fundo Estadual de Infraestrutura)
Investimentos em logística rural e escoamento da produção
Revisão de multas aplicadas a pecuaristas
Essas ações reforçam o discurso que deverá ser explorado na pré-campanha, com Caiado sendo apresentado como uma espécie de “padrinho do agro”.
Lula segue como contraponto
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a reeleição, continua enfrentando resistência dentro do setor, apesar de medidas econômicas relevantes, como o fortalecimento do Plano Safra.
Declarações consideradas controversas por produtores rurais também contribuíram para manter o distanciamento, mesmo com tentativas recentes de aproximação por parte do governo.
Reação no entorno de Flávio
Nos bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a entrada de Caiado é vista como um obstáculo relevante. O agronegócio era considerado um dos pilares centrais para dar sustentação econômica e política ao projeto presidencial do senador.
Agora, a estratégia precisará ser revista.
Uma das alternativas em discussão dentro do PL é a composição de chapa com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e figura de forte prestígio no setor. A eventual escolha é vista como uma tentativa de recuperar espaço e reduzir resistências entre produtores e entidades representativas.
Novo cenário eleitoral
Com a entrada de Caiado, o cenário eleitoral ganha uma nova dinâmica. Mais do que ampliar o número de candidatos, sua presença introduz um elemento de competitividade dentro de um mesmo campo ideológico, forçando a redistribuição de apoios.
Para o agronegócio, a estratégia agora é clara: evitar compromissos antecipados e manter poder de influência até os momentos decisivos da campanha.
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