Funcionários do tribunal são investigados, mas não há apuração sobre os ministros. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A Polícia Federal cumpriu nessa sexta-feira (3) mandado de busca e apreensão na residência do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de intermediar um esquema de venda de decisões no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Andreson está em prisão domiciliar em Primavera do Leste, no interior de Mato Grosso, desde julho, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin.
Foi o próprio ministro que determinou a operação desta sexta, para saber se ele estava descumprindo medidas cautelares.
Além da busca, a PF prendeu o sargento da PM aposentado Dejair Silvestre dos Santos, que segundo pessoas próximas fazia serviço de segurança particular para Andreson. Pessoas que acompanham a apuração disseram que ele tentou esconder um celular, e foi preso por obstrução de Justiça.
Em nota, o advogado Lucas Curvo, que defende Silvestre, afirmou que o militar “nega veementemente qualquer ato de obstrução de justiça”.
Disse ainda acreditar “plenamente na inocência do sargento” e ressaltou que Silvestre terá a oportunidade de esclarecer todos os pontos necessários na audiência de custódia.
Em uma primeira manifestação, logo após a ação policial, o advogado lamentou o que classificou de exposição do seu cliente e afirmou que ele “está comprometido em colaborar com a Justiça e esclarecer todos os fatos que se fizerem necessários”.
A defesa de Andreson não se manifestou.
A ação policial dessa sexta é parte da Operação Sisamnes, que tem como objetivo “investigar crimes de organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional”.
A PF deflagrou a operação no ano passado, quando identificou suspeitas de que alvos “solicitavam valores para beneficiar partes em processos judiciais, por meio de decisões favoráveis aos seus interesses”.
A investigação também apura negociações de vazamento de informações sigilosas, incluindo detalhes de operações policiais. Funcionários do STJ são investigados, mas não há apuração sobre os ministros.
Também há investigações correlatas sobre outros tribunais, como o de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.
No início de setembro, o STJ fez a primeira demissão de um servidor suspeito de envolvimento no esquema de venda de decisões.
O demitido é o técnico judiciário Márcio José Toledo Pinto, que trabalhou em diversos gabinetes da corte. Ele era alvo de uma investigação interna do STJ aberta após a revelação de relações de servidores do tribunal com Andreson.
A demissão, sob a justificativa de que ele cometeu infrações no regime jurídico do servidor público, foi publicada em portaria assinada pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, e diz que ele se valeu do cargo “para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública” e revelou “segredo do qual se apropriou em razão do cargo”.
Toledo é suspeito de irregularidades nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti – elas não são investigadas.
Ele é investigado por movimentações realizadas em processos “com alteração e exclusão de minutas internas em poucos minutos, inviabilizando a visualização por outras pessoas”, segundo decisão de Zanin. (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/policia-federal-cumpre-nova-busca-e-apreensao-contra-lobista-suspeito-de-operar-venda-de-decisoes-do-superior-tribunal-de-justica/ Polícia Federal cumpre nova busca e apreensão contra lobista suspeito de operar venda de decisões do Superior Tribunal de Justiça 2025-10-03
Partido de Alcolumbre é alvo de investigações por desvio de emendas, fraude e vazamento de operação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) Dirigentes do União Brasil em sete Estados, incluindo locais como Rio, Bahia e Amapá, vêm acumulando desgastes neste ano devido a investigações da Polícia Federal (PF) que atingem ou os próprios caciques, ou aliados …
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Polícia Federal cumpre nova busca e apreensão contra lobista suspeito de operar venda de decisões do Superior Tribunal de Justiça
Funcionários do tribunal são investigados, mas não há apuração sobre os ministros. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A Polícia Federal cumpriu nessa sexta-feira (3) mandado de busca e apreensão na residência do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de intermediar um esquema de venda de decisões no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Andreson está em prisão domiciliar em Primavera do Leste, no interior de Mato Grosso, desde julho, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin.
Foi o próprio ministro que determinou a operação desta sexta, para saber se ele estava descumprindo medidas cautelares.
Além da busca, a PF prendeu o sargento da PM aposentado Dejair Silvestre dos Santos, que segundo pessoas próximas fazia serviço de segurança particular para Andreson. Pessoas que acompanham a apuração disseram que ele tentou esconder um celular, e foi preso por obstrução de Justiça.
Em nota, o advogado Lucas Curvo, que defende Silvestre, afirmou que o militar “nega veementemente qualquer ato de obstrução de justiça”.
Disse ainda acreditar “plenamente na inocência do sargento” e ressaltou que Silvestre terá a oportunidade de esclarecer todos os pontos necessários na audiência de custódia.
Em uma primeira manifestação, logo após a ação policial, o advogado lamentou o que classificou de exposição do seu cliente e afirmou que ele “está comprometido em colaborar com a Justiça e esclarecer todos os fatos que se fizerem necessários”.
A defesa de Andreson não se manifestou.
A ação policial dessa sexta é parte da Operação Sisamnes, que tem como objetivo “investigar crimes de organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional”.
A PF deflagrou a operação no ano passado, quando identificou suspeitas de que alvos “solicitavam valores para beneficiar partes em processos judiciais, por meio de decisões favoráveis aos seus interesses”.
A investigação também apura negociações de vazamento de informações sigilosas, incluindo detalhes de operações policiais. Funcionários do STJ são investigados, mas não há apuração sobre os ministros.
Também há investigações correlatas sobre outros tribunais, como o de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.
No início de setembro, o STJ fez a primeira demissão de um servidor suspeito de envolvimento no esquema de venda de decisões.
O demitido é o técnico judiciário Márcio José Toledo Pinto, que trabalhou em diversos gabinetes da corte. Ele era alvo de uma investigação interna do STJ aberta após a revelação de relações de servidores do tribunal com Andreson.
A demissão, sob a justificativa de que ele cometeu infrações no regime jurídico do servidor público, foi publicada em portaria assinada pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, e diz que ele se valeu do cargo “para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública” e revelou “segredo do qual se apropriou em razão do cargo”.
Toledo é suspeito de irregularidades nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti – elas não são investigadas.
Ele é investigado por movimentações realizadas em processos “com alteração e exclusão de minutas internas em poucos minutos, inviabilizando a visualização por outras pessoas”, segundo decisão de Zanin. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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2025-10-03
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