Desde a derrota da MP do IOF, governo desligou apadrinhados no Iphan, Codevasf e Dnocs. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Contrariado com as derrotas sofridas no Congresso, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deu início a um “pente-fino” na estrutura federal com objetivo de promover uma “limpa” nos cargos oferecidos ao Centrão, bloco político que tem articulado votações contra a gestão petista. A operação resultou em ao menos 21 exonerações de “apadrinhados políticos” em pouco mais de dez dias, de acordo com levantamento feito pelo Valor junto ao Diário Oficial da União neste período. A pesquisa mostra que o Centrão controlava especialmente superintendências e diretorias de órgãos federais nos Estados, ou seja, longe da capital federal.
Apesar do número de demissões relativamente tímido para os padrões da máquina pública brasileira, o Palácio do Planalto diz, nos bastidores, que esse “pente-fino” é ainda mais expressivo do que o registrado neste momento inicial. O motivo é que as mudanças em empresas estatais, por exemplo, não necessariamente são publicadas na imprensa oficial, o o que pode disfarçar o tamanho da ofensiva.
Além disso, muitos assessores e funcionários atrelados a esses apadrinhados também acabarão sendo substituídos nos próximos dias, a partir da escolha de novos comissionados para esses cargos. Isso significa que o “freio de arrumação vai continuar”, explicou um interlocutor.
O levantamento foi feito a partir de 9 de outubro, dia seguinte à derrotada do governo na Câmara dos Deputados. Naquela ocasião, a gestão petista viu os parlamentares impedirem, por 251 a 193 votos, o avanço da medida provisória (MP) alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A partir desse revés, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, ligou diretamente para todos os 37 ministros para determinar que as pastas exonerassem qualquer apadrinhado ligado a um dos 251 deputados responsáveis pela rejeição da MP.
Lista
Dos 21 demitidos deste então, quatro deles foram desligados pelo Ministério da Agricultura. Isso porque o Centrão controlava as superintendências da pasta no Maranhão, Minas Gerais, Paraná e Pará. Todos eles foram exonerados apenas dois dias depois da derrota na Câmara.
Na lista de mudanças, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) aparece logo em seguida, com ao menos três exonerações nos últimos dias. Ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o órgão é conhecido por ter sido loteado já há algum tempo, tanto que foram demitidos do Dnocs coordenadores estaduais que atuavam em Sergipe e Rio Grande do Norte, além de um diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção que seria apadrinhado do deputado Moses Rodrigues (União-CE).
Outra estrutura estatal que costuma abrigar apadrinhados políticos é a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), cuja função é promover o desenvolvimento regional integrado e sustentável nas bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Parnaíba.
Da companhia, foram exonerados, desde 9 de outubro, ao menos três comissionados indicados pelo Centrão. O trio estava lotado nas superintendências da Codevasf em Natal (RN), Aracaju (SE) e Bom Jesus da Lapa (BA).
Esse último caso, da Codevasf da Bahia, era um cargo ocupado por um aliado do deputado Arthur Maia (União-BA), que sempre se notabilizou por ser oposição aos governos petistas. O afilhado político do parlamentar, inclusive, já estava no cargo há nove anos e atuava na máquina pública desde a gestão de Michel Temer (MDB), tendo sido mantido pelos governos seguintes. O parlamentar usou as redes sociais para comemorar a longa permanência no cargo, após a exoneração.
“Ele (superintendente de Bom Jesus da Lapa) fez história na Codevasf com o grande trabalho que desenvolveu durante todos esses anos. Ele é motivo de orgulho para todos os lapenses e os baianos”, publicou Maia.
Mas não foi apenas o União Brasil que acabou afetado pelo “pente-fino” do governo Lula. Houve demitidos também entre os comissionados do PP. Os dois partidos firmaram uma federação e devem estar no campo oposto ao de Lula em 2026. Nos últimos dias, a sigla perdeu a Coordenadoria Estadual do Dnocs no Rio Grande do Norte, que era controlada pelo deputado João Maia (PP-RN).
O levantamento identificou ainda apadrinhados políticos do deputado Pedro Lucas (União-MA). O congressista ficou conhecido por aceitar o convite de Lula para assumir o Ministério das Comunicações, mas, posteriormente, voltar atrás. O motivo para o recuo do parlamentar foi a pressão feita pela sua bancada.
Pedro Lucas mantinha sua irmã, a arquiteta Lena Carolina Andrade, como superintendente do Iphan no Maranhão, mas ela foi exonerada no último dia 13 de outubro.
Apesar do desejo do Palácio do Planalto de aproveitar essas mudanças para negociar o fortalecimento de sua base aliada, uma possibilidade defendida nos bastidores é que a “limpa” privilegie o próprio o PT, partido de Lula. (Com informações do Valor Econômico)
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Contrariado com as derrotas sofridas no Congresso, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deu início a um “pente-fino” na estrutura federal com objetivo de promover uma “limpa” nos cargos oferecidos ao Centrão, bloco político que tem articulado votações contra a gestão petista. A operação resultou em ao menos 21 exonerações de “apadrinhados políticos” em pouco mais de dez dias, de acordo com levantamento feito pelo Valor junto ao Diário Oficial da União neste período. A pesquisa mostra que o Centrão controlava especialmente superintendências e diretorias de órgãos federais nos Estados, ou seja, longe da capital federal.
Apesar do número de demissões relativamente tímido para os padrões da máquina pública brasileira, o Palácio do Planalto diz, nos bastidores, que esse “pente-fino” é ainda mais expressivo do que o registrado neste momento inicial. O motivo é que as mudanças em empresas estatais, por exemplo, não necessariamente são publicadas na imprensa oficial, o o que pode disfarçar o tamanho da ofensiva.
Além disso, muitos assessores e funcionários atrelados a esses apadrinhados também acabarão sendo substituídos nos próximos dias, a partir da escolha de novos comissionados para esses cargos. Isso significa que o “freio de arrumação vai continuar”, explicou um interlocutor.
O levantamento foi feito a partir de 9 de outubro, dia seguinte à derrotada do governo na Câmara dos Deputados. Naquela ocasião, a gestão petista viu os parlamentares impedirem, por 251 a 193 votos, o avanço da medida provisória (MP) alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A partir desse revés, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, ligou diretamente para todos os 37 ministros para determinar que as pastas exonerassem qualquer apadrinhado ligado a um dos 251 deputados responsáveis pela rejeição da MP.
Lista
Dos 21 demitidos deste então, quatro deles foram desligados pelo Ministério da Agricultura. Isso porque o Centrão controlava as superintendências da pasta no Maranhão, Minas Gerais, Paraná e Pará. Todos eles foram exonerados apenas dois dias depois da derrota na Câmara.
Na lista de mudanças, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) aparece logo em seguida, com ao menos três exonerações nos últimos dias. Ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o órgão é conhecido por ter sido loteado já há algum tempo, tanto que foram demitidos do Dnocs coordenadores estaduais que atuavam em Sergipe e Rio Grande do Norte, além de um diretor de Desenvolvimento Tecnológico e Produção que seria apadrinhado do deputado Moses Rodrigues (União-CE).
Outra estrutura estatal que costuma abrigar apadrinhados políticos é a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), cuja função é promover o desenvolvimento regional integrado e sustentável nas bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Parnaíba.
Da companhia, foram exonerados, desde 9 de outubro, ao menos três comissionados indicados pelo Centrão. O trio estava lotado nas superintendências da Codevasf em Natal (RN), Aracaju (SE) e Bom Jesus da Lapa (BA).
Esse último caso, da Codevasf da Bahia, era um cargo ocupado por um aliado do deputado Arthur Maia (União-BA), que sempre se notabilizou por ser oposição aos governos petistas. O afilhado político do parlamentar, inclusive, já estava no cargo há nove anos e atuava na máquina pública desde a gestão de Michel Temer (MDB), tendo sido mantido pelos governos seguintes. O parlamentar usou as redes sociais para comemorar a longa permanência no cargo, após a exoneração.
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Mas não foi apenas o União Brasil que acabou afetado pelo “pente-fino” do governo Lula. Houve demitidos também entre os comissionados do PP. Os dois partidos firmaram uma federação e devem estar no campo oposto ao de Lula em 2026. Nos últimos dias, a sigla perdeu a Coordenadoria Estadual do Dnocs no Rio Grande do Norte, que era controlada pelo deputado João Maia (PP-RN).
O levantamento identificou ainda apadrinhados políticos do deputado Pedro Lucas (União-MA). O congressista ficou conhecido por aceitar o convite de Lula para assumir o Ministério das Comunicações, mas, posteriormente, voltar atrás. O motivo para o recuo do parlamentar foi a pressão feita pela sua bancada.
Pedro Lucas mantinha sua irmã, a arquiteta Lena Carolina Andrade, como superintendente do Iphan no Maranhão, mas ela foi exonerada no último dia 13 de outubro.
Apesar do desejo do Palácio do Planalto de aproveitar essas mudanças para negociar o fortalecimento de sua base aliada, uma possibilidade defendida nos bastidores é que a “limpa” privilegie o próprio o PT, partido de Lula. (Com informações do Valor Econômico)
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