Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB – após a morte de Eduardo Campos) e Luciana Genro (PSOL) foram candidatas em 2014.
Foto: Reprodução
Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB – após a morte de Eduardo Campos) e Luciana Genro (PSOL) foram candidatas em 2014. (Foto: Reprodução)
Após o fim da janela partidária — período marcado por trocas de legenda com foco nas eleições de outubro — o cenário das pré-candidaturas à Presidência da República não inclui, até o momento, nenhuma mulher. Caso esse quadro se confirme, será a primeira vez desde 2002 que a disputa pelo Planalto contará apenas com homens, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro entre os principais nomes. Especialistas apontam que a ausência feminina reflete barreiras estruturais dentro dos partidos.
Além de Lula e Flávio, outros seis pré-candidatos já se colocaram na disputa: Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Aldo Rebelo, Renan Santos, Cabo Daciolo e Augusto Cury.
O quadro contrasta com a eleição de 2022, quando quatro mulheres concorreram ao Planalto, o maior número registrado no século. Entre elas estava Simone Tebet, que após a disputa assumiu ministério no atual governo. Também integrou a corrida Marina Silva, que já havia disputado eleições anteriores. Antes disso, Dilma Rousseff venceu os pleitos de 2010 e 2014.
Para o cenário atual, Tebet e Marina deixaram os ministérios, mas não são apontadas como candidatas à Presidência. Ambas avaliam disputar o Senado por São Paulo, em articulação com Fernando Haddad. Em 2022, também participaram da disputa Soraya Thronicke, além de candidaturas de menor projeção, como as de Sofia Manzano e Vera Lúcia.
Desde 2006, todas as eleições presidenciais contaram com ao menos duas mulheres na disputa. Em 2002, a então governadora Roseana Sarney chegou a ser cotada, mas retirou a candidatura após investigações da Polícia Federal.
Para a cientista política Lilian Sendretti, do Cebrap, mesmo quando há candidaturas femininas, elas enfrentam dificuldades internas. Segundo ela, partidos ainda são majoritariamente controlados por homens, o que impacta tanto a escolha de candidatas quanto o volume de recursos destinados às campanhas.
Na avaliação de Juliana Fratini, pesquisadora da PUC-SP, a Justiça Eleitoral tem papel relevante na ampliação da participação feminina, ao fiscalizar o cumprimento das cotas de gênero nas eleições proporcionais. A legislação exige que partidos registrem ao menos 30% de candidaturas de cada sexo, com punições em caso de descumprimento. No entanto, a regra não se aplica às eleições majoritárias, como a presidencial.
Outro fator apontado é a concentração de visibilidade feminina em torno de primeiras-damas. No atual governo, Rosângela da Silva ganhou protagonismo, assim como Michelle Bolsonaro na gestão anterior, especialmente junto ao eleitorado evangélico.
Segundo especialistas, essa dinâmica limita o surgimento de novas lideranças femininas com projeção nacional. Embora Michelle tenha sido cogitada como possível candidata, o nome de Flávio Bolsonaro foi priorizado. Há ainda discussões sobre a possibilidade de Tereza Cristina compor uma eventual chapa como vice.
Para a pesquisadora Carolina Botelho, do Iesp/Uerj, a ausência de mulheres na disputa presidencial evidencia a persistência de barreiras institucionais e reduz a diversidade no debate público. Segundo ela, a falta de representatividade em cargos de maior visibilidade compromete o próprio funcionamento da democracia ao restringir a pluralidade de vozes no processo eleitoral.
Governador de São Paulo usou termos como “tirania” e “ditadura” sobre o STF. (Foto: Reprodução) Após o discurso inflamado na Avenida Paulista no 7 de Setembro, quando usou termos como “ditadura” e “tirania” para se referir ao Supremo Tribunal Federal (STF), Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem evitado compromissos públicos e postagens políticas nas redes sociais …
Dos gaúchos, 17 deputados votaram a favor e 13 contra. Van Hatten votou contrário a PEC. Foto: Ag. Câmara Dos gaúchos, 17 deputados votaram a favor e 13 contra. Van Hatten votou contrário a PEC. (Foto: Ag. Câmara) A PEC foi aprovada com 353 votos a favor, 134 contrários e uma abstenção, superando o mínimo …
A fala de Trump contrastou com a tensa relação que Estados Unidos e Brasil vêm tendo desde julho. (Foto: Joyce N. Boghosian/The White House) O anúncio de um encontro na semana que vem entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi destaque na imprensa …
A sessão da Câmara Municipal que analisou a cassação dos mandatos durou cerca de 13 horas Foto: Divulgação A sessão da Câmara Municipal que analisou a cassação dos mandatos durou cerca de 13 horas. (Foto: Divulgação) A Câmara Municipal de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aprovou na sexta-feira (2) a cassação dos mandatos …
Pela primeira vez em 24 anos, o Brasil não terá mulheres disputando a Presidência da República
Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB – após a morte de Eduardo Campos) e Luciana Genro (PSOL) foram candidatas em 2014.
Foto: Reprodução
Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB – após a morte de Eduardo Campos) e Luciana Genro (PSOL) foram candidatas em 2014. (Foto: Reprodução)
Após o fim da janela partidária — período marcado por trocas de legenda com foco nas eleições de outubro — o cenário das pré-candidaturas à Presidência da República não inclui, até o momento, nenhuma mulher. Caso esse quadro se confirme, será a primeira vez desde 2002 que a disputa pelo Planalto contará apenas com homens, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro entre os principais nomes. Especialistas apontam que a ausência feminina reflete barreiras estruturais dentro dos partidos.
Além de Lula e Flávio, outros seis pré-candidatos já se colocaram na disputa: Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Aldo Rebelo, Renan Santos, Cabo Daciolo e Augusto Cury.
O quadro contrasta com a eleição de 2022, quando quatro mulheres concorreram ao Planalto, o maior número registrado no século. Entre elas estava Simone Tebet, que após a disputa assumiu ministério no atual governo. Também integrou a corrida Marina Silva, que já havia disputado eleições anteriores. Antes disso, Dilma Rousseff venceu os pleitos de 2010 e 2014.
Para o cenário atual, Tebet e Marina deixaram os ministérios, mas não são apontadas como candidatas à Presidência. Ambas avaliam disputar o Senado por São Paulo, em articulação com Fernando Haddad. Em 2022, também participaram da disputa Soraya Thronicke, além de candidaturas de menor projeção, como as de Sofia Manzano e Vera Lúcia.
Desde 2006, todas as eleições presidenciais contaram com ao menos duas mulheres na disputa. Em 2002, a então governadora Roseana Sarney chegou a ser cotada, mas retirou a candidatura após investigações da Polícia Federal.
Para a cientista política Lilian Sendretti, do Cebrap, mesmo quando há candidaturas femininas, elas enfrentam dificuldades internas. Segundo ela, partidos ainda são majoritariamente controlados por homens, o que impacta tanto a escolha de candidatas quanto o volume de recursos destinados às campanhas.
Na avaliação de Juliana Fratini, pesquisadora da PUC-SP, a Justiça Eleitoral tem papel relevante na ampliação da participação feminina, ao fiscalizar o cumprimento das cotas de gênero nas eleições proporcionais. A legislação exige que partidos registrem ao menos 30% de candidaturas de cada sexo, com punições em caso de descumprimento. No entanto, a regra não se aplica às eleições majoritárias, como a presidencial.
Outro fator apontado é a concentração de visibilidade feminina em torno de primeiras-damas. No atual governo, Rosângela da Silva ganhou protagonismo, assim como Michelle Bolsonaro na gestão anterior, especialmente junto ao eleitorado evangélico.
Segundo especialistas, essa dinâmica limita o surgimento de novas lideranças femininas com projeção nacional. Embora Michelle tenha sido cogitada como possível candidata, o nome de Flávio Bolsonaro foi priorizado. Há ainda discussões sobre a possibilidade de Tereza Cristina compor uma eventual chapa como vice.
Para a pesquisadora Carolina Botelho, do Iesp/Uerj, a ausência de mulheres na disputa presidencial evidencia a persistência de barreiras institucionais e reduz a diversidade no debate público. Segundo ela, a falta de representatividade em cargos de maior visibilidade compromete o próprio funcionamento da democracia ao restringir a pluralidade de vozes no processo eleitoral.
(Com O Globo)
Related Posts
Após fala radical em ato na Paulista, Tarcísio adota silêncio durante semana de julgamento de Bolsonaro
Governador de São Paulo usou termos como “tirania” e “ditadura” sobre o STF. (Foto: Reprodução) Após o discurso inflamado na Avenida Paulista no 7 de Setembro, quando usou termos como “ditadura” e “tirania” para se referir ao Supremo Tribunal Federal (STF), Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem evitado compromissos públicos e postagens políticas nas redes sociais …
Bancada gaúcha se divide e aprova com maioria a favor a PEC da Blindagem
Dos gaúchos, 17 deputados votaram a favor e 13 contra. Van Hatten votou contrário a PEC. Foto: Ag. Câmara Dos gaúchos, 17 deputados votaram a favor e 13 contra. Van Hatten votou contrário a PEC. (Foto: Ag. Câmara) A PEC foi aprovada com 353 votos a favor, 134 contrários e uma abstenção, superando o mínimo …
“Tom suave”, “palavras calorosas”: elogios de Trump a Lula são destaque na imprensa internacional
A fala de Trump contrastou com a tensa relação que Estados Unidos e Brasil vêm tendo desde julho. (Foto: Joyce N. Boghosian/The White House) O anúncio de um encontro na semana que vem entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi destaque na imprensa …
Câmara de Vereadores de Cachoeirinha aprova cassação do prefeito e do vice
A sessão da Câmara Municipal que analisou a cassação dos mandatos durou cerca de 13 horas Foto: Divulgação A sessão da Câmara Municipal que analisou a cassação dos mandatos durou cerca de 13 horas. (Foto: Divulgação) A Câmara Municipal de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aprovou na sexta-feira (2) a cassação dos mandatos …