Bolsonaro e outros sete réus começaram, na terça (2), a ser julgados por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. (Foto: Ton Molina/STF)
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado, ganhou destaque na imprensa internacional.
O Washington Post – principal jornal da capital americana – destacou em seu título: “Juiz brasileiro abre julgamento de Bolsonaro com provocação a Trump”, em referência ao presidente dos Estados Unidos.
“O juiz Alexandre de Moraes, um dos principais alvos de Trump, não citou Trump ou os EUA, mas falou de uma tentativa de ‘outro Estado estrangeiro’ de interferir no processo”, escreveu o jornal americano, destacando as falas do ministro sobre a soberania e a independência do Judiciário brasileiro.
O Washington Post destacou que o julgamento acontece no “prédio modernista que foi danificado pelos apoiadores (de Bolsonaro) que invadiram a capital em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse de Lula” e que esse evento “ecoou a tentativa de apoiadores de Trump de interferir na certificação da vitória do presidente Joe Biden em 2020, no Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro de 2021”.
A agência de notícias Reuters também destacou as falas de Moraes que fazem referência indireta aos EUA.
“Supremo Tribunal Federal rejeita pressão de Trump enquanto julgamento de golpe de Bolsonaro se aproxima do veredito”, diz a agência.
“A fase final do julgamento histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Suprema Corte, acusado de planejar um golpe, começou na terça-feira (2), quando o juiz principal considerou o caso uma defesa da democracia diante dos ataques do presidente dos EUA, Donald Trump”, afirma a agência.
Ausência
O jornal americano The New York Times destacou a ausência de Bolsonaro em seu próprio julgamento.
“Ele não compareceu ao tribunal devido a problemas de saúde, informou sua equipe de defesa a repórteres do lado de fora do tribunal”, disse o The New York Times, afirmando que pessoas próximas ao ex-presidente relataram que “Bolsonaro vinha sofrendo de soluços debilitantes, que o ex-presidente atribui a complicações de um ataque a faca durante a campanha eleitoral em 2018”.
A publicação também destaca que “a maioria dos analistas, apontando para um conjunto de evidências, espera que a maioria dos cinco membros do painel do Supremo Tribunal condene Bolsonaro”.
O jornal afirma ainda que no Brasil, “que viveu uma ditadura militar brutal de 1964 a 1985, o processo criminal de um presidente e seus poderosos aliados militares é visto por muitos como uma vitória da democracia”.
“Mas o julgamento também desencadeou uma crise diplomática entre as duas nações mais populosas do Hemisfério Ocidental, já que o presidente Trump ajudou Bolsonaro, seu aliado político, e tentou intimidar o Brasil a desistir do caso.”
O NYT também destacou as falas de Moraes sobre soberania.
“Durante o discurso de abertura de terça-feira, Moraes condenou os esforços de Bolsonaro e seu filho (Eduardo) para buscar a intervenção de Trump, chamando suas ações de covardes e traiçoeiras.”
O jornal espanhol El País destacou um artigo de sua colaboradora, a jornalista brasileira Eliane Brum, intitulado “O processo que muda o Brasil”.
“Várias gerações morreram antes de ver um militar de alta patente responder por seus crimes perante a justiça civil”, afirma o artigo.
“Embora os desafios sejam imensos, com a extrema direita se fortalecendo e o Brasil permanecendo um país brutalmente desigual, é preciso dar a devida dimensão ao que este momento representa. A democracia demonstrou que nenhum criminoso, mesmo fardado, mesmo com quatro estrelas no peito, ficará impune no Brasil.”
O artigo também destaca que apesar de haver muito foco sobre a possível condenação de Bolsonaro “o mais importante é o julgamento dos generais”.
“Terminou ontem (terça) o capítulo da impunidade militar, que é imenso em termos históricos, mas é evidente que a disputa dos dias atuais continuará sendo dura, violenta e desigual.”
“Gonet declarou na terça-feira que Jair Bolsonaro e seus aliados conspiraram para derrubar a democracia brasileira para permanecer no poder, no início da fase de veredito do julgamento do ex-presidente”, disse o La Nacion.
“Especialistas classificaram o julgamento de Bolsonaro como ‘histórico’ e observaram que é a primeira vez que altos funcionários acusados de uma tentativa de golpe são submetidos a um julgamento criminal”, afirma o jornal argentino.
O jornal britânico Guardian destacou que “o Brasil sofreu mais de uma dúzia de tentativas de golpe de Estado desde 1889, quando se tornou uma república após a deposição de seu último imperador, D. Pedro 2º”.
“A última tomada de poder bem-sucedida ocorreu em 1964, quando generais apoiados pelos EUA depuseram o então presidente, João Goulart, supostamente para frustrar uma ameaça comunista, inaugurando 21 anos de um regime militar brutal.”
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Bolsonaro e outros sete réus começaram, na terça (2), a ser julgados por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. (Foto: Ton Molina/STF)
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado, ganhou destaque na imprensa internacional.
O Washington Post – principal jornal da capital americana – destacou em seu título: “Juiz brasileiro abre julgamento de Bolsonaro com provocação a Trump”, em referência ao presidente dos Estados Unidos.
“O juiz Alexandre de Moraes, um dos principais alvos de Trump, não citou Trump ou os EUA, mas falou de uma tentativa de ‘outro Estado estrangeiro’ de interferir no processo”, escreveu o jornal americano, destacando as falas do ministro sobre a soberania e a independência do Judiciário brasileiro.
O Washington Post destacou que o julgamento acontece no “prédio modernista que foi danificado pelos apoiadores (de Bolsonaro) que invadiram a capital em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse de Lula” e que esse evento “ecoou a tentativa de apoiadores de Trump de interferir na certificação da vitória do presidente Joe Biden em 2020, no Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro de 2021”.
A agência de notícias Reuters também destacou as falas de Moraes que fazem referência indireta aos EUA.
“Supremo Tribunal Federal rejeita pressão de Trump enquanto julgamento de golpe de Bolsonaro se aproxima do veredito”, diz a agência.
“A fase final do julgamento histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Suprema Corte, acusado de planejar um golpe, começou na terça-feira (2), quando o juiz principal considerou o caso uma defesa da democracia diante dos ataques do presidente dos EUA, Donald Trump”, afirma a agência.
Ausência
O jornal americano The New York Times destacou a ausência de Bolsonaro em seu próprio julgamento.
“Ele não compareceu ao tribunal devido a problemas de saúde, informou sua equipe de defesa a repórteres do lado de fora do tribunal”, disse o The New York Times, afirmando que pessoas próximas ao ex-presidente relataram que “Bolsonaro vinha sofrendo de soluços debilitantes, que o ex-presidente atribui a complicações de um ataque a faca durante a campanha eleitoral em 2018”.
A publicação também destaca que “a maioria dos analistas, apontando para um conjunto de evidências, espera que a maioria dos cinco membros do painel do Supremo Tribunal condene Bolsonaro”.
O jornal afirma ainda que no Brasil, “que viveu uma ditadura militar brutal de 1964 a 1985, o processo criminal de um presidente e seus poderosos aliados militares é visto por muitos como uma vitória da democracia”.
“Mas o julgamento também desencadeou uma crise diplomática entre as duas nações mais populosas do Hemisfério Ocidental, já que o presidente Trump ajudou Bolsonaro, seu aliado político, e tentou intimidar o Brasil a desistir do caso.”
O NYT também destacou as falas de Moraes sobre soberania.
“Durante o discurso de abertura de terça-feira, Moraes condenou os esforços de Bolsonaro e seu filho (Eduardo) para buscar a intervenção de Trump, chamando suas ações de covardes e traiçoeiras.”
O jornal espanhol El País destacou um artigo de sua colaboradora, a jornalista brasileira Eliane Brum, intitulado “O processo que muda o Brasil”.
“Várias gerações morreram antes de ver um militar de alta patente responder por seus crimes perante a justiça civil”, afirma o artigo.
“Embora os desafios sejam imensos, com a extrema direita se fortalecendo e o Brasil permanecendo um país brutalmente desigual, é preciso dar a devida dimensão ao que este momento representa. A democracia demonstrou que nenhum criminoso, mesmo fardado, mesmo com quatro estrelas no peito, ficará impune no Brasil.”
O artigo também destaca que apesar de haver muito foco sobre a possível condenação de Bolsonaro “o mais importante é o julgamento dos generais”.
“Terminou ontem (terça) o capítulo da impunidade militar, que é imenso em termos históricos, mas é evidente que a disputa dos dias atuais continuará sendo dura, violenta e desigual.”
“Gonet declarou na terça-feira que Jair Bolsonaro e seus aliados conspiraram para derrubar a democracia brasileira para permanecer no poder, no início da fase de veredito do julgamento do ex-presidente”, disse o La Nacion.
“Especialistas classificaram o julgamento de Bolsonaro como ‘histórico’ e observaram que é a primeira vez que altos funcionários acusados de uma tentativa de golpe são submetidos a um julgamento criminal”, afirma o jornal argentino.
O jornal britânico Guardian destacou que “o Brasil sofreu mais de uma dúzia de tentativas de golpe de Estado desde 1889, quando se tornou uma república após a deposição de seu último imperador, D. Pedro 2º”.
“A última tomada de poder bem-sucedida ocorreu em 1964, quando generais apoiados pelos EUA depuseram o então presidente, João Goulart, supostamente para frustrar uma ameaça comunista, inaugurando 21 anos de um regime militar brutal.”
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2025-09-04
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