O PSD passa a ter três governadores presidenciáveis e se consolida como articulador de uma candidatura de centro-direita, fora da polarização Lula-Bolsonaro
O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, parece conceber uma alternativa simultânea ao bolsonarismo. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O PSD anunciou a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, num movimento que redesenha o tabuleiro eleitoral de 2026, reforça a ambição do partido de ocupar papel central na sucessão presidencial e abre uma janela de oportunidade para a constituição de uma candidatura de centro-direita. Pelo que fez, e pela forma como fez, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, parece conceber uma alternativa simultânea ao bolsonarismo, que dificilmente abrirá mão da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), e ao petismo, com o qual o PSD mantém laços institucionais, já que ocupa espaços no atual governo.
Aproveitando-se das divisões em outros partidos da centro-direita, como União Brasil e PSDB, Kassab levou para o PSD três governadores com projeção nacional: Caiado, Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Nenhum deles exibe, individualmente, a força eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas Tarcísio tem deixado claro, até aqui, que não baterá de frente com o bolsonarismo e deve concorrer à reeleição estadual. Com sua provável saída do jogo nacional, o campo da direita e da centro-direita passou por uma reorganização relevante, abrindo espaço para novas articulações e reposicionamentos.
Ao receber Caiado, Kassab afirmou que o PSD pretende lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto e que não atuará como linha auxiliar nem do governo Lula nem do bolsonarismo. Os governadores, por sua vez, falaram em protagonismo, na necessidade de apresentar ao eleitorado uma alternativa viável e na disposição de disputar o espaço hoje ocupado por uma polarização que dá sinais evidentes de esgotamento.
Esses movimentos não ocorrem no vácuo. Com eles, aumentam as chances de uma candidatura de centro-direita que entre na disputa sem se confundir com o bolsonarismo – ou, ao menos, que se coloque à parte dele. Também se fortalece a hipótese de uma candidatura com identidade mais claramente centrista, amparada por um partido com estrutura nacional, capilaridade nos Estados e consistência político-partidária. Nesse desenho, o PSD desponta como o principal instrumento dessa tentativa de reorganização do campo político.
Isso não significa, contudo, que o bolsonarismo esteja fora do jogo. Ao contrário. Hoje, dificilmente Flávio Bolsonaro desistirá da disputa presidencial. O senador herda parcela expressiva dos votos do pai, dialoga diretamente com a base bolsonarista raiz e tem aparecido de forma competitiva nas pesquisas. Trata-se de um ativo eleitoral concreto, que confere ao bolsonarismo resiliência mesmo sem Jair Bolsonaro no páreo.
A diferença é que cresce agora a possibilidade de a direita chegar ao primeiro turno dividida. De um lado, uma candidatura identificada com o bolsonarismo; de outro, ao menos uma candidatura de centro-direita, menos ideológica e mais pragmática. A entrada de novos protagonistas tende a intensificar a competição por espaço, visibilidade e estratégia política rumo às eleições.
É nesse contexto que o papel de Gilberto Kassab se torna ainda mais estratégico. Ao anunciar seus movimentos com cautela e evitar compromissos antecipados, o dirigente se descola tanto do bolsonarismo quanto do lulopetismo, o que lhe garante margem de manobra para montar palanques fortes nos Estados, negociar alianças regionais conforme as circunstâncias locais e preservar a flexibilidade necessária para o segundo turno. Em um sistema político marcado pela fragmentação e pela volatilidade, essa independência é um ativo raro.
Ainda é cedo para selar caminhos definitivos. Mas já é possível afirmar que o PSD deixou de ser apenas um partido pragmático à espera de oportunidades. Sob a condução de Kassab, tornou-se um dos principais organizadores do campo político fora da polarização. Se essa centralidade se converterá em protagonismo eleitoral é uma incógnita. Que ela será decisiva para compreender a eleição de 2026, disso já não parece haver dúvida. (Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/o-psd-passa-a-ter-tres-governadores-presidenciaveis-e-se-consolida-como-articulador-de-uma-candidatura-de-centro-direita-fora-da-polarizacao-lula-bolsonaro/ O PSD passa a ter três governadores presidenciáveis e se consolida como articulador de uma candidatura de centro-direita, fora da polarização Lula-Bolsonaro 2026-01-31
A projeção considera a rapidez característica do ministro Alexandre de Moraes no caso Foto: Reprodução A projeção considera a rapidez característica do ministro Alexandre de Moraes no caso. (Foto: Reprodução) A publicação do acórdão que negou os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso da trama golpista abre margem para Alexandre de Moraes, …
A aprovação ao governo Lula é maior na região Nordeste, com 60%, seguido de Centro-Oeste/Norte (45%), Sudeste (41%) e Sul (39%). Já a desaprovação à gestão petista é maior no Sul (60%), Sudeste (55%), Centro-Oeste/Norte (52%) e Nordeste (37%).
Nos último 60 dias, recebeu mais de trinta visitas de políticos e aliados próximos Foto: Carlos Moura/Agência Senado Nos último 60 dias, recebeu mais de trinta visitas de políticos e aliados próximos. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) Recluso em sua casa em um bairro de classe média alta de Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem dividido …
Avaliação é que vazamento indiscriminado de dados é injustificável. (Foto: Antonio Augusto/STF) Uma ala do STF (Supremo Tribunal Federal) já avaliava, há semanas, que a atuação da CPMI do INSS havia ultrapassado limites considerados adequados para uma comissão parlamentar de investigação. Nesse contexto, o julgamento que resultou na rejeição da prorrogação dos trabalhos do colegiado …
O PSD passa a ter três governadores presidenciáveis e se consolida como articulador de uma candidatura de centro-direita, fora da polarização Lula-Bolsonaro
O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, parece conceber uma alternativa simultânea ao bolsonarismo. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O PSD anunciou a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, num movimento que redesenha o tabuleiro eleitoral de 2026, reforça a ambição do partido de ocupar papel central na sucessão presidencial e abre uma janela de oportunidade para a constituição de uma candidatura de centro-direita. Pelo que fez, e pela forma como fez, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, parece conceber uma alternativa simultânea ao bolsonarismo, que dificilmente abrirá mão da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), e ao petismo, com o qual o PSD mantém laços institucionais, já que ocupa espaços no atual governo.
Aproveitando-se das divisões em outros partidos da centro-direita, como União Brasil e PSDB, Kassab levou para o PSD três governadores com projeção nacional: Caiado, Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Nenhum deles exibe, individualmente, a força eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas Tarcísio tem deixado claro, até aqui, que não baterá de frente com o bolsonarismo e deve concorrer à reeleição estadual. Com sua provável saída do jogo nacional, o campo da direita e da centro-direita passou por uma reorganização relevante, abrindo espaço para novas articulações e reposicionamentos.
Ao receber Caiado, Kassab afirmou que o PSD pretende lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto e que não atuará como linha auxiliar nem do governo Lula nem do bolsonarismo. Os governadores, por sua vez, falaram em protagonismo, na necessidade de apresentar ao eleitorado uma alternativa viável e na disposição de disputar o espaço hoje ocupado por uma polarização que dá sinais evidentes de esgotamento.
Esses movimentos não ocorrem no vácuo. Com eles, aumentam as chances de uma candidatura de centro-direita que entre na disputa sem se confundir com o bolsonarismo – ou, ao menos, que se coloque à parte dele. Também se fortalece a hipótese de uma candidatura com identidade mais claramente centrista, amparada por um partido com estrutura nacional, capilaridade nos Estados e consistência político-partidária. Nesse desenho, o PSD desponta como o principal instrumento dessa tentativa de reorganização do campo político.
Isso não significa, contudo, que o bolsonarismo esteja fora do jogo. Ao contrário. Hoje, dificilmente Flávio Bolsonaro desistirá da disputa presidencial. O senador herda parcela expressiva dos votos do pai, dialoga diretamente com a base bolsonarista raiz e tem aparecido de forma competitiva nas pesquisas. Trata-se de um ativo eleitoral concreto, que confere ao bolsonarismo resiliência mesmo sem Jair Bolsonaro no páreo.
A diferença é que cresce agora a possibilidade de a direita chegar ao primeiro turno dividida. De um lado, uma candidatura identificada com o bolsonarismo; de outro, ao menos uma candidatura de centro-direita, menos ideológica e mais pragmática. A entrada de novos protagonistas tende a intensificar a competição por espaço, visibilidade e estratégia política rumo às eleições.
É nesse contexto que o papel de Gilberto Kassab se torna ainda mais estratégico. Ao anunciar seus movimentos com cautela e evitar compromissos antecipados, o dirigente se descola tanto do bolsonarismo quanto do lulopetismo, o que lhe garante margem de manobra para montar palanques fortes nos Estados, negociar alianças regionais conforme as circunstâncias locais e preservar a flexibilidade necessária para o segundo turno. Em um sistema político marcado pela fragmentação e pela volatilidade, essa independência é um ativo raro.
Ainda é cedo para selar caminhos definitivos. Mas já é possível afirmar que o PSD deixou de ser apenas um partido pragmático à espera de oportunidades. Sob a condução de Kassab, tornou-se um dos principais organizadores do campo político fora da polarização. Se essa centralidade se converterá em protagonismo eleitoral é uma incógnita. Que ela será decisiva para compreender a eleição de 2026, disso já não parece haver dúvida. (Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/o-psd-passa-a-ter-tres-governadores-presidenciaveis-e-se-consolida-como-articulador-de-uma-candidatura-de-centro-direita-fora-da-polarizacao-lula-bolsonaro/
O PSD passa a ter três governadores presidenciáveis e se consolida como articulador de uma candidatura de centro-direita, fora da polarização Lula-Bolsonaro
2026-01-31
Related Posts
Decisão do Supremo abre margem para que Bolsonaro vá à prisão em regime fechado na semana que vem
A projeção considera a rapidez característica do ministro Alexandre de Moraes no caso Foto: Reprodução A projeção considera a rapidez característica do ministro Alexandre de Moraes no caso. (Foto: Reprodução) A publicação do acórdão que negou os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso da trama golpista abre margem para Alexandre de Moraes, …
Pesquisa Quaest: desaprovação do governo Lula se mantém em 51%; aprovação permanece em 46%
A aprovação ao governo Lula é maior na região Nordeste, com 60%, seguido de Centro-Oeste/Norte (45%), Sudeste (41%) e Sul (39%). Já a desaprovação à gestão petista é maior no Sul (60%), Sudeste (55%), Centro-Oeste/Norte (52%) e Nordeste (37%).
Futebol na TV, conversas sobre 2026 e remédios: a rotina de Bolsonaro em dois meses de prisão domiciliar
Nos último 60 dias, recebeu mais de trinta visitas de políticos e aliados próximos Foto: Carlos Moura/Agência Senado Nos último 60 dias, recebeu mais de trinta visitas de políticos e aliados próximos. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) Recluso em sua casa em um bairro de classe média alta de Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem dividido …
Ala do Supremo quis dar recado de que a CPMI do INSS ultrapassou limites e evitar precedente
Avaliação é que vazamento indiscriminado de dados é injustificável. (Foto: Antonio Augusto/STF) Uma ala do STF (Supremo Tribunal Federal) já avaliava, há semanas, que a atuação da CPMI do INSS havia ultrapassado limites considerados adequados para uma comissão parlamentar de investigação. Nesse contexto, o julgamento que resultou na rejeição da prorrogação dos trabalhos do colegiado …