Será criada também uma nova área interna, a Superintendência de Mercados Digitais, para avaliar se há risco de infrações concorrenciais na forma de atuação dessas empresas. (Foto: Reprodução)
O projeto de lei para regulamentar as big techs e as redes sociais empacou no Congresso às vésperas do ano eleitoral, época em que os ataques aumentam. O texto prevê que empresas de tecnologia com faturamento acima de R$ 5 bilhões no Brasil, ou de R$ 50 bilhões no mundo, sejam monitoradas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Será criada também uma nova área interna, a Superintendência de Mercados Digitais, para avaliar se há risco de infrações concorrenciais na forma de atuação dessas empresas.
O portal Estadão apurou que a maturação desse projeto no Congresso pode durar anos, e não meses. A própria União Europeia levou anos para ter essa regulamentação concluída – por meio do Digital Markets Act (DMA) e do Digital Markets, Competition and Consumer Act (DMCC).
“Vamos regulamentar porque é preciso criar o mínimo de procedimento no funcionamento de uma rede digital que fala com crianças e com adultos e que, muitas vezes, ninguém assume a responsabilidade pelo conteúdo”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto.
Além do timing político, o projeto enfrenta resistências das multinacionais de tecnologia. O deputado federal Aliel Machado (PV-PR) foi designado relator da matéria, mas, de setembro até dezembro, não houve avanços substanciais na tramitação. Chegou a ser apresentado um requerimento de urgência – instrumento comumente usado para medir a temperatura legislativa e acelerar a tramitação de uma matéria -, que sequer foi pautado em plenário.
“A gente não sabe se tem uma perspectiva de sair (a aprovação) no ano que vem”, explicou a advogada Joyce Honda, sócia da área concorrencial do Cescon Barrieu. Na visão dela, o projeto se insere no contexto de temas envolvendo techs, plataformas de tecnologia e meios de pagamento. “Está tudo bastante relacionado.”
A Associação Latino-Americana de Internet (Alai) – formada por Google, Meta, X, TikTok, Amazon, Mercado Livre, AirBnB, Rappi, Discord, Expedia, Hotmart e Didi – fez diversas críticas ao projeto. A entidade argumentou que a criação de uma categoria regulatória autônoma dentro do Cade provoca distorções e insegurança, uma vez que não existem “mercados digitais” apartados do restante da economia. “Todos os setores, do agronegócio ao varejo, utilizam tecnologias digitais em seus modelos de negócio”, destacou.
A representante das big techs também reclamou que o projeto vai gerar custos e exigências desproporcionais para as empresas, como relatórios periódicos, auditorias independentes e possíveis multas elevadas.
O governo brasileiro, por sua vez, levou a proposta adiante por enxergar um benefício de economia processual para o Cade. Ao colocar prazos e garantias, o texto deverá facilitar as análises do órgão antitruste, pois o próprio Cade identificou o desafio de conseguir atuar a tempo e desenhar os remédios corretos para as condutas anticompetitivas, conforme defendeu o diretor de programa da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda Alexandre Ferreira.
Para a Coalizão Direitos na Rede (CDR) – que reúne mais de 40 organizações da sociedade civil, da academia e ativistas para defender os direitos humanos na internet -, o projeto de lei, promovendo a concorrência, também promove a proteção ao consumidor.
A CDR entende que, embora represente um avanço, o projeto ainda possui lacunas importantes. “O texto não enfrenta questões estruturais, como o uso cruzado de dados entre serviços de um mesmo conglomerado, a definição mais precisa de condutas anticompetitivas e regras detalhadas de interoperabilidade, pontos que poderiam acelerar investigações e aumentar a efetividade das medidas”, avaliou a entidade.
O Idec considera que o texto avança em pontos fundamentais. “Ser uma regulação assimétrica, por exemplo, é muito importante para que a gente identifique quais agentes, de fato, promovem e se organizam de forma a inviabilizar a concorrência. Não fazendo com que agentes menores e que poderiam ser benéficos para esse ecossistema acabem tendo dificuldades, mais dificuldades pela nova regulação”, argumentou Fernandes.
Segundo ela, as plataformas hoje se organizam como gigantes da tecnologia, de forma a dominarem o mercado completamente e impedindo a concorrência. A pesquisadora observou que há, atualmente, uma gama enorme de agentes econômicos (empresários e desenvolvedores) e consumidores que dependem delas para fazer transações econômicas. ( Coluna de opinião do portal Estadão, Por Flávia Said).
https://www.osul.com.br/o-projeto-de-lei-para-regulamentar-as-big-techs-e-as-redes-sociais-empacou-no-congresso-as-vesperas-do-ano-eleitoral-epoca-em-que-os-ataques-aumentam/ O projeto de lei para regulamentar as big techs e as redes sociais empacou no Congresso às vésperas do ano eleitoral, época em que os ataques aumentam 2025-12-27
O bloqueio havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes Foto: Reprodução O bloqueio havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes. (Foto: Reprodução) A mulher do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), a procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem pediu o desbloqueio de suas contas bancárias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O bloqueio havia …
Presidente também vai participar do Fórum Mundial da Alimentação Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, no dia 13 de outubro, do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, Itália, evento promovido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). De acordo com o Itamaraty, Lula vai participar da …
PF apura uso de 70 milhões de CPFs em contas do Rio de Janeiro. (Foto: Freepik) O governo federal anunciou a suspensão do sistema Córtex por duas semanas depois de identificar mau uso da plataforma de vigilância por parte da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O relatório do Ministério da Justiça apontou o uso …
Segundo a PF, senador era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do chamado Careca do INSS. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) A Polícia Federal (PF) identificou um conjunto de relações políticas, empresariais e funcionais em torno do senador Weverton Rocha (PDT-MA) no esquema de descontos associativos fraudulentos aplicados a aposentadorias e pensões do …
O projeto de lei para regulamentar as big techs e as redes sociais empacou no Congresso às vésperas do ano eleitoral, época em que os ataques aumentam
Será criada também uma nova área interna, a Superintendência de Mercados Digitais, para avaliar se há risco de infrações concorrenciais na forma de atuação dessas empresas. (Foto: Reprodução)
O projeto de lei para regulamentar as big techs e as redes sociais empacou no Congresso às vésperas do ano eleitoral, época em que os ataques aumentam. O texto prevê que empresas de tecnologia com faturamento acima de R$ 5 bilhões no Brasil, ou de R$ 50 bilhões no mundo, sejam monitoradas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Será criada também uma nova área interna, a Superintendência de Mercados Digitais, para avaliar se há risco de infrações concorrenciais na forma de atuação dessas empresas.
O portal Estadão apurou que a maturação desse projeto no Congresso pode durar anos, e não meses. A própria União Europeia levou anos para ter essa regulamentação concluída – por meio do Digital Markets Act (DMA) e do Digital Markets, Competition and Consumer Act (DMCC).
“Vamos regulamentar porque é preciso criar o mínimo de procedimento no funcionamento de uma rede digital que fala com crianças e com adultos e que, muitas vezes, ninguém assume a responsabilidade pelo conteúdo”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto.
Além do timing político, o projeto enfrenta resistências das multinacionais de tecnologia. O deputado federal Aliel Machado (PV-PR) foi designado relator da matéria, mas, de setembro até dezembro, não houve avanços substanciais na tramitação. Chegou a ser apresentado um requerimento de urgência – instrumento comumente usado para medir a temperatura legislativa e acelerar a tramitação de uma matéria -, que sequer foi pautado em plenário.
“A gente não sabe se tem uma perspectiva de sair (a aprovação) no ano que vem”, explicou a advogada Joyce Honda, sócia da área concorrencial do Cescon Barrieu. Na visão dela, o projeto se insere no contexto de temas envolvendo techs, plataformas de tecnologia e meios de pagamento. “Está tudo bastante relacionado.”
A Associação Latino-Americana de Internet (Alai) – formada por Google, Meta, X, TikTok, Amazon, Mercado Livre, AirBnB, Rappi, Discord, Expedia, Hotmart e Didi – fez diversas críticas ao projeto. A entidade argumentou que a criação de uma categoria regulatória autônoma dentro do Cade provoca distorções e insegurança, uma vez que não existem “mercados digitais” apartados do restante da economia. “Todos os setores, do agronegócio ao varejo, utilizam tecnologias digitais em seus modelos de negócio”, destacou.
A representante das big techs também reclamou que o projeto vai gerar custos e exigências desproporcionais para as empresas, como relatórios periódicos, auditorias independentes e possíveis multas elevadas.
O governo brasileiro, por sua vez, levou a proposta adiante por enxergar um benefício de economia processual para o Cade. Ao colocar prazos e garantias, o texto deverá facilitar as análises do órgão antitruste, pois o próprio Cade identificou o desafio de conseguir atuar a tempo e desenhar os remédios corretos para as condutas anticompetitivas, conforme defendeu o diretor de programa da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda Alexandre Ferreira.
Para a Coalizão Direitos na Rede (CDR) – que reúne mais de 40 organizações da sociedade civil, da academia e ativistas para defender os direitos humanos na internet -, o projeto de lei, promovendo a concorrência, também promove a proteção ao consumidor.
A CDR entende que, embora represente um avanço, o projeto ainda possui lacunas importantes. “O texto não enfrenta questões estruturais, como o uso cruzado de dados entre serviços de um mesmo conglomerado, a definição mais precisa de condutas anticompetitivas e regras detalhadas de interoperabilidade, pontos que poderiam acelerar investigações e aumentar a efetividade das medidas”, avaliou a entidade.
O Idec considera que o texto avança em pontos fundamentais. “Ser uma regulação assimétrica, por exemplo, é muito importante para que a gente identifique quais agentes, de fato, promovem e se organizam de forma a inviabilizar a concorrência. Não fazendo com que agentes menores e que poderiam ser benéficos para esse ecossistema acabem tendo dificuldades, mais dificuldades pela nova regulação”, argumentou Fernandes.
Segundo ela, as plataformas hoje se organizam como gigantes da tecnologia, de forma a dominarem o mercado completamente e impedindo a concorrência. A pesquisadora observou que há, atualmente, uma gama enorme de agentes econômicos (empresários e desenvolvedores) e consumidores que dependem delas para fazer transações econômicas. ( Coluna de opinião do portal Estadão, Por Flávia Said).
https://www.osul.com.br/o-projeto-de-lei-para-regulamentar-as-big-techs-e-as-redes-sociais-empacou-no-congresso-as-vesperas-do-ano-eleitoral-epoca-em-que-os-ataques-aumentam/
O projeto de lei para regulamentar as big techs e as redes sociais empacou no Congresso às vésperas do ano eleitoral, época em que os ataques aumentam
2025-12-27
Related Posts
Esposa de Alexandre Ramagem pede desbloqueio de contas bancárias ao Supremo
O bloqueio havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes Foto: Reprodução O bloqueio havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes. (Foto: Reprodução) A mulher do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL), a procuradora do Estado de Roraima Rebeca Ramagem pediu o desbloqueio de suas contas bancárias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O bloqueio havia …
Lula vai a Roma para reunião de aliança global contra a fome
Presidente também vai participar do Fórum Mundial da Alimentação Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, no dia 13 de outubro, do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, Itália, evento promovido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). De acordo com o Itamaraty, Lula vai participar da …
Governo suspenderá sistema de inteligência federal em meio a apuração sobre uso massivo de CPFs
PF apura uso de 70 milhões de CPFs em contas do Rio de Janeiro. (Foto: Freepik) O governo federal anunciou a suspensão do sistema Córtex por duas semanas depois de identificar mau uso da plataforma de vigilância por parte da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O relatório do Ministério da Justiça apontou o uso …
Investigação da Polícia Federal detalha relações de senador com suspeitos
Segundo a PF, senador era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do chamado Careca do INSS. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) A Polícia Federal (PF) identificou um conjunto de relações políticas, empresariais e funcionais em torno do senador Weverton Rocha (PDT-MA) no esquema de descontos associativos fraudulentos aplicados a aposentadorias e pensões do …