Ela explicou que existia um padrão de valores e modos de descontos. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
A CPI do INSS realizou a sua primeira oitiva nessa quinta-feira (29). O depoimento da defensora pública Patrícia Bettin Chaves, coordenadora do setor previdenciário da Defensoria Pública da União (DPU), foi marcado por controvérsias em relação ao período em que as fraudes tiveram início e embates até mesmo com parlamentares. Patrícia fez alertas sobre descontos em aposentadorias antes do início das investigações da PF. Ao colegiado, ela disse ter identificado irregularidades sobre descontos de aposentados e pensionistas do INSS ainda em 2019 e trocou farpas com o senador Marcos Rogério, em um momento acalorado da sessão.
Apesar de ter identificado desvios ainda em 2019, período do governo de Jair Bolsonaro (PL), Patrícia disse ter se debruçado ao tema em 2023, já durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando assumiu a Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da Defensoria Pública da União. A defensora afirmou que havia uma espécie de padrão nos descontos.
“Os valores iam de R$ 30 a R$ 90. Identificamos que os descontos ocorreram em aposentados e pensionistas, na sua grande maioria, pessoas idosas, mais vulneráveis, de baixa renda, com benefício mínimo. Muitos descontos associativos em comunidades mais remotas, indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas. Então, era um padrão, na verdade. Tanto o padrão em relação a valores, quanto na forma de descontos. Geralmente estava atrelado a um crédito consignado”, detalhou a defensora.
Em mais de uma ocasião, quando questionada pelos parlamentares de oposição sobre uma possível prevaricação sobre o caso, pelo fato de não ter se aprofundado nas investigações, reafirmou que “a função da Defensoria Pública da União não é investigar”.
Em mais de um momento, ela travou embates com senadores bolsonaristas.
Questionada pelo senador Marcos Rogério (PL-TO) sobre possíveis negligências em relação a órgãos que, apesar de investigados, não foram alvos das medidas anunciadas pelo governo federal, ela se recusou a responder.
“A senhora identificou descontos indevidos, falhas no mecanismo de controle do INSS e recomendou proteção. A pergunta: na sua visão foi negligência administrativa, cegueira deliberada ou favorecimento ao criminoso de fazer os descontos?”, questionou o senador.
“Essa pergunta eu respondi que preferia não responder. Você está perguntando a minha visão”, rebateu a defensora pública.
Em outro momento em que perguntaram sobre a sua opinião pessoal, Patrícia respondeu ao senador Rogério Marinho (PL-RN) e recebeu aplausos dos governistas.
“Se a pergunta é ‘na sua opinião’, é na sua visão como profissional. Se a senhora está com dificuldade de entender a pergunta, eu vou fazer de novo”, afirmou.
“Não, eu não estou com dificuldade. Talvez você esteja com dificuldade de fazer a pergunta”, devolveu.
Requerimentos
Nessa quinta, a CPI também aprovou um requerimento para levantar as movimentações de entrada e saída de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”, no ministério da Previdência entre os anos de 2019 e 2025. Ele é apontado como operador central, responsável por intermediar as relações entre associações fraudulentas e servidores públicos.
Um outro requerimento, que visava quebrar o sigilo em relação às idas dele ao Senado, entretanto, não foi votado pelos parlamentares. Além deste, 37 requerimentos para acesso a documentos, informações do INSS e outros órgãos também foram aprovados na sessão. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/na-cpi-do-inss-defensora-publica-diz-ter-identificado-descontos-ilegais-em-2019/ Na CPI do INSS, defensora pública diz ter identificado descontos ilegais em 2019 2025-08-28
Cármen Lúcia destacou que é necessário cuidar da democracia. Foto: Fellipe Sampaio/STF/03-02-2025 Cármen Lúcia destacou que é necessário cuidar da democracia. (Foto: Fellipe Sampaio/STF/03-02-2025) A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), saiu em defesa da democracia durante uma conferência literária no Rio de Janeiro. No evento, ela ressaltou que se tivesse ocorrido um …
A ideia de que ministros podem atuar como cabos eleitorais de seus prováveis futuros pares afronta o espírito republicano. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) É de estarrecer até o mais ingênuo dos republicanos a revelação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm atuado direta e explicitamente para interferir no desfecho da indicação do advogado-geral da …
Para ministro, ex-presidente não tem direito aos embargos infringentes. Foto: Reprodução O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira (19) recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a condenação a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista. No mês passado, os advogados …
Michelle e Carlos em choque direto por conta das definições de candidaturas em 2026. Foto: Reprodução Michelle e Carlos em choque direto por conta das definições de candidaturas em 2026. (Foto: Reprodução) A escolha do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina nas eleições do ano que …
Na CPI do INSS, defensora pública diz ter identificado descontos ilegais em 2019
Ela explicou que existia um padrão de valores e modos de descontos. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
A CPI do INSS realizou a sua primeira oitiva nessa quinta-feira (29). O depoimento da defensora pública Patrícia Bettin Chaves, coordenadora do setor previdenciário da Defensoria Pública da União (DPU), foi marcado por controvérsias em relação ao período em que as fraudes tiveram início e embates até mesmo com parlamentares. Patrícia fez alertas sobre descontos em aposentadorias antes do início das investigações da PF. Ao colegiado, ela disse ter identificado irregularidades sobre descontos de aposentados e pensionistas do INSS ainda em 2019 e trocou farpas com o senador Marcos Rogério, em um momento acalorado da sessão.
Apesar de ter identificado desvios ainda em 2019, período do governo de Jair Bolsonaro (PL), Patrícia disse ter se debruçado ao tema em 2023, já durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando assumiu a Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da Defensoria Pública da União. A defensora afirmou que havia uma espécie de padrão nos descontos.
“Os valores iam de R$ 30 a R$ 90. Identificamos que os descontos ocorreram em aposentados e pensionistas, na sua grande maioria, pessoas idosas, mais vulneráveis, de baixa renda, com benefício mínimo. Muitos descontos associativos em comunidades mais remotas, indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas. Então, era um padrão, na verdade. Tanto o padrão em relação a valores, quanto na forma de descontos. Geralmente estava atrelado a um crédito consignado”, detalhou a defensora.
Em mais de uma ocasião, quando questionada pelos parlamentares de oposição sobre uma possível prevaricação sobre o caso, pelo fato de não ter se aprofundado nas investigações, reafirmou que “a função da Defensoria Pública da União não é investigar”.
Em mais de um momento, ela travou embates com senadores bolsonaristas.
Questionada pelo senador Marcos Rogério (PL-TO) sobre possíveis negligências em relação a órgãos que, apesar de investigados, não foram alvos das medidas anunciadas pelo governo federal, ela se recusou a responder.
“A senhora identificou descontos indevidos, falhas no mecanismo de controle do INSS e recomendou proteção. A pergunta: na sua visão foi negligência administrativa, cegueira deliberada ou favorecimento ao criminoso de fazer os descontos?”, questionou o senador.
“Essa pergunta eu respondi que preferia não responder. Você está perguntando a minha visão”, rebateu a defensora pública.
Em outro momento em que perguntaram sobre a sua opinião pessoal, Patrícia respondeu ao senador Rogério Marinho (PL-RN) e recebeu aplausos dos governistas.
“Se a pergunta é ‘na sua opinião’, é na sua visão como profissional. Se a senhora está com dificuldade de entender a pergunta, eu vou fazer de novo”, afirmou.
“Não, eu não estou com dificuldade. Talvez você esteja com dificuldade de fazer a pergunta”, devolveu.
Requerimentos
Nessa quinta, a CPI também aprovou um requerimento para levantar as movimentações de entrada e saída de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”, no ministério da Previdência entre os anos de 2019 e 2025. Ele é apontado como operador central, responsável por intermediar as relações entre associações fraudulentas e servidores públicos.
Um outro requerimento, que visava quebrar o sigilo em relação às idas dele ao Senado, entretanto, não foi votado pelos parlamentares. Além deste, 37 requerimentos para acesso a documentos, informações do INSS e outros órgãos também foram aprovados na sessão. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/na-cpi-do-inss-defensora-publica-diz-ter-identificado-descontos-ilegais-em-2019/
Na CPI do INSS, defensora pública diz ter identificado descontos ilegais em 2019
2025-08-28
Related Posts
“Se tivessem dado golpe, eu estava na prisão”, diz a ministra do Supremo Cármen Lúcia
Cármen Lúcia destacou que é necessário cuidar da democracia. Foto: Fellipe Sampaio/STF/03-02-2025 Cármen Lúcia destacou que é necessário cuidar da democracia. (Foto: Fellipe Sampaio/STF/03-02-2025) A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), saiu em defesa da democracia durante uma conferência literária no Rio de Janeiro. No evento, ela ressaltou que se tivesse ocorrido um …
Ministros do Supremo têm atuado direta e explicitamente para interferir no desfecho da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Tribunal
A ideia de que ministros podem atuar como cabos eleitorais de seus prováveis futuros pares afronta o espírito republicano. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) É de estarrecer até o mais ingênuo dos republicanos a revelação de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm atuado direta e explicitamente para interferir no desfecho da indicação do advogado-geral da …
Ministro Alexandre de Moraes nega recurso de Bolsonaro contra condenação por trama golpista
Para ministro, ex-presidente não tem direito aos embargos infringentes. Foto: Reprodução O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira (19) recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a condenação a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista. No mês passado, os advogados …
Michelle e Carlos Bolsonaro divergem sobre vaga ao Senado de Santa Catarina em 2026
Michelle e Carlos em choque direto por conta das definições de candidaturas em 2026. Foto: Reprodução Michelle e Carlos em choque direto por conta das definições de candidaturas em 2026. (Foto: Reprodução) A escolha do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina nas eleições do ano que …