A exposição ao caso fez os dois grupos adversários costurarem um acordo para que o caso Master não seja um assunto na campanha eleitoral. (Foto: Reprodução)
Documentos entregues pelo Banco Master à Receita Federal reforçam a conexão da instituição financeira de Daniel Vorcaro com políticos da Bahia, incluindo nomes ligados ao governo, Centrão e à oposição.
O material trouxe novos detalhes de pagamentos que já haviam sido revelados ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, e a uma familiar do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A exposição ao caso fez os dois grupos adversários costurarem um acordo para que o caso Master não seja um assunto na campanha eleitoral. A avaliação de interlocutores políticos de ambos os campos é que explorar o assunto pode render desgastes tanto a ACM Neto quanto ao grupo de Wagner, que vai apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Além disso, os documentos da Receita também revelaram pagamentos a uma empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que ocupou o cargo no governo Bolsonaro e foi o principal auxiliar na pasta de João Roma, que deve concorrer ao Senado. Também há registros de pagamentos a uma empresa do filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do PT.
Serviços de consultoria No caso de ACM Neto, os dados da Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. Em nota, o ex-prefeito de Salvador informou que “não pode validar os valores” por não ter tido acesso aos dados.
Ainda segundo ele, a relação com o Master foi firmada “sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”. O pré-candidato diz que fazia análise da “agenda político-econômica nacional” e fez uma série de reuniões com representantes do banco.
O texto destaca ainda que ele se colocou à disposição do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para prestar esclarecimentos e pediu a apuração do “vazamento de dados fiscais sigilosos”.
Convênios de crédito Também foi possível identificar transferências de R$ 14 milhões de 2022 a 2025 para a empresa BN Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, nora de Jaques Wagner — Bonilha é casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. No último ano, os pagamentos atingiram R$ 7 milhões.
O portal O Globo procurou o senador e a empresa. A firma negou qualquer ligação com Wagner e destacou que foi fundada em 2021 e prestou serviços ao Banco Master entre 2022 e 2025. A BN também afirmou que está à disposição para qualquer esclarecimento adicional e que espera que todos os fatos sejam integralmente esclarecidos com a maior brevidade.
“Os contratos tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado. Os únicos sócios da empresa são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha. Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal”, afirmou.
Filho de senador As informações prestadas à Receita também mostram pagamentos a outra empresa ligada a um político baiano: de 2022 a 2025, o Master repassou R$ 12 milhões à Mollitiam Financeira.
A firma foi criada em 2011 e é de propriedade de outras duas companhias: uma delas, a M&A Participação, pertence a Otto Alencar Filho. Ex-deputado federal e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, ele também declarou participação pessoal na Mollitiam nas eleições de 2022. Procurado, Otto Filho afirmou que a M&A, empresa pela qual é sócio da firma que recebeu do Master, possui ações em várias empresas de diferentes setores.
“Todos os serviços dessas empresas foram devidamente faturados; receitas, despesas e investimentos contabilizados; e impostos pagos, respeitando as leis e boas práticas. É importante frisar que a M&A Participação não é administradora de nenhuma das empresas que possuem ações e cotas”, afirmou.
Outro nome que é aparece é o da empresa Meta Consultoria, que pertence ao ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento. Ele chegou a ter uma convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado em razão de sua participação como diretor no Banco Pleno, ligado a Augusto Lima, que foi sócio de Vorcaro no Master. Segundo os registros de pagamento, a empresa dele recebeu R$ 6,2 milhões em 2025 do Master.
Ascensão de Augusto Lima A relação do Master com a Bahia se origina com a entrada de Augusto Ferreira Lima no quadro societário da empresa. O empresário, que também foi preso durante a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, viu seus negócios dispararem após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante o governo Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil de Lula.
No negócio, Lima adquiriu o Credcesta, um cartão de benefícios inicialmente voltado para todos os servidores públicos na Bahia. Sua operação se expandiu para todo o país em parceria com o Banco Master. Com informações do portal O Globo.
Em janeiro, Divoncir embolsou R$ 45.271,80 de salário, mais R$ 46 mil em “penduricalhos”. (Foto: Reprodução) O desembargador do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, Divoncir Schreiner Maran, aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na última terça (10), sob suspeita de receber propinas para conceder prisão domiciliar ao super traficante Gérson …
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Na Bahia, tanto a esquerda como a direita tinham conexão com o Banco Master
A exposição ao caso fez os dois grupos adversários costurarem um acordo para que o caso Master não seja um assunto na campanha eleitoral. (Foto: Reprodução)
Documentos entregues pelo Banco Master à Receita Federal reforçam a conexão da instituição financeira de Daniel Vorcaro com políticos da Bahia, incluindo nomes ligados ao governo, Centrão e à oposição.
O material trouxe novos detalhes de pagamentos que já haviam sido revelados ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, e a uma familiar do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A exposição ao caso fez os dois grupos adversários costurarem um acordo para que o caso Master não seja um assunto na campanha eleitoral. A avaliação de interlocutores políticos de ambos os campos é que explorar o assunto pode render desgastes tanto a ACM Neto quanto ao grupo de Wagner, que vai apoiar a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Além disso, os documentos da Receita também revelaram pagamentos a uma empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que ocupou o cargo no governo Bolsonaro e foi o principal auxiliar na pasta de João Roma, que deve concorrer ao Senado. Também há registros de pagamentos a uma empresa do filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do PT.
Serviços de consultoria
No caso de ACM Neto, os dados da Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. Em nota, o ex-prefeito de Salvador informou que “não pode validar os valores” por não ter tido acesso aos dados.
Ainda segundo ele, a relação com o Master foi firmada “sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”. O pré-candidato diz que fazia análise da “agenda político-econômica nacional” e fez uma série de reuniões com representantes do banco.
O texto destaca ainda que ele se colocou à disposição do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para prestar esclarecimentos e pediu a apuração do “vazamento de dados fiscais sigilosos”.
Convênios de crédito
Também foi possível identificar transferências de R$ 14 milhões de 2022 a 2025 para a empresa BN Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, nora de Jaques Wagner — Bonilha é casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. No último ano, os pagamentos atingiram R$ 7 milhões.
O portal O Globo procurou o senador e a empresa. A firma negou qualquer ligação com Wagner e destacou que foi fundada em 2021 e prestou serviços ao Banco Master entre 2022 e 2025. A BN também afirmou que está à disposição para qualquer esclarecimento adicional e que espera que todos os fatos sejam integralmente esclarecidos com a maior brevidade.
“Os contratos tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado. Os únicos sócios da empresa são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha. Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal”, afirmou.
Filho de senador
As informações prestadas à Receita também mostram pagamentos a outra empresa ligada a um político baiano: de 2022 a 2025, o Master repassou R$ 12 milhões à Mollitiam Financeira.
A firma foi criada em 2011 e é de propriedade de outras duas companhias: uma delas, a M&A Participação, pertence a Otto Alencar Filho. Ex-deputado federal e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, ele também declarou participação pessoal na Mollitiam nas eleições de 2022. Procurado, Otto Filho afirmou que a M&A, empresa pela qual é sócio da firma que recebeu do Master, possui ações em várias empresas de diferentes setores.
“Todos os serviços dessas empresas foram devidamente faturados; receitas, despesas e investimentos contabilizados; e impostos pagos, respeitando as leis e boas práticas. É importante frisar que a M&A Participação não é administradora de nenhuma das empresas que possuem ações e cotas”, afirmou.
Outro nome que é aparece é o da empresa Meta Consultoria, que pertence ao ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento. Ele chegou a ter uma convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado em razão de sua participação como diretor no Banco Pleno, ligado a Augusto Lima, que foi sócio de Vorcaro no Master. Segundo os registros de pagamento, a empresa dele recebeu R$ 6,2 milhões em 2025 do Master.
Ascensão de Augusto Lima
A relação do Master com a Bahia se origina com a entrada de Augusto Ferreira Lima no quadro societário da empresa. O empresário, que também foi preso durante a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, viu seus negócios dispararem após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante o governo Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil de Lula.
No negócio, Lima adquiriu o Credcesta, um cartão de benefícios inicialmente voltado para todos os servidores públicos na Bahia. Sua operação se expandiu para todo o país em parceria com o Banco Master. Com informações do portal O Globo.
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