“Há uma tensão muito grande, tem que esperar esfriar essa tensão e será conversa individual com cada senador e senadora”, afirmou Jaques Wagner. (Foto: Agência Senado)
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu que há um mal-estar com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), após a escolha de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou não ver tempo para votar a indicação ainda em 2025. Wagner avalia que é preciso esperar “esfriar” o ambiente de “tensão muito grande” criado com o envio do nome de Messias.
“Há uma tensão muito grande, tem que esperar esfriar essa tensão e será conversa individual com cada senador e senadora. O voto é secreto e eu não faço aposta em votação com voto secreto. O voto secreto pode ajudar quem queira me ajudar, pode me ajudar quem queira atrapalhar. Tem que trabalhar com humildade”, afirmou em entrevista à Globo News.
Alcolumbre sinalizou seu incômodo já na última quinta-feira (20), logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso na Corte.
Segundo aliados, o senador não foi consultado por Lula antes da decisão e já havia demonstrado insatisfação com o processo da indicação. O preferido dele, e também da maioria dos senadores, era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Wagner atribuiu a rusga a “um erro de comunicação”:
“Espero que esse mal-estar do Davi comigo, porque não é meu com ele, espero que a gente volte a conversar com a naturalidade que sempre conversou. Somos os dois únicos judeus do Senado da República, sempre tivemos uma relação muito boa. Acho que foi o momento, dessa reclamação dele não ter sido avisado que ia sair anúncio na quinta-feira. Foi erro de comunicação, mas não é por isso que vamos romper relações que foram construídas ao longo do tempo”, disse.
De acordo com o senador, um integrante do seu gabinete informou de forma equivocada a um jornalista que Lula teria informado Alcolumbre que a indicação ocorreria na quinta.
Wagner afirmou que nem ele e nem Lula avisaram o presidente do Senado da data em que ocorreria a indicação.
“Alguém aqui do meu gabinete, deu informação errada e mentirosa, dizendo que eu teria afirmado que o presidente ligou para o Alcolumbre e que eu também falei com Alcolumbre, o que não é verdade. Já falei com a pessoa que foi informada erroneamente. Eu não liguei, o presidente também não ligou, tiveram uma conversa há três, quatro semanas. Teve a conversa com Rodrigo e ele indicou na quinta. E o Alcolumbre estava na expectativa que o presidente ia ligar para ele antes da indicação”, afirmou.
Wagner admitiu ainda que Alcolumbre disse a ele não ter gostado de uma afirmação de Wagner, feita semanas antes da indicação, em que o líder disse que Lula já estava decidido a indicar Jorge Messias e não pretendia repensar sua escolha em benefício de outro candidato:
“Não tiro ninguém do caminho, mas não confirmo mentira. Me perguntaram e eu disse: ‘A minha sensação é que há uma convicção na escolha do Jorge Messias, então não acho que vá haver mudança’. Se eu quisesse ficar confortável, podia ter alimentado uma mentira. Ele não estava repensando”, afirmou. “Aí Alcolumbre falou comigo: ‘Achei que sua resposta não foi boa’. A minha resposta foi a que eu tinha. O presidente me ligou e disse que ia indicar o Messias. Ok. A partir daí, não tenho que ter mais opinião. Tem uma decisão do presidente, eu sou líder do governo e vou encaminhar.”
O líder do governo disse ainda que a “controvérsia” sobre o nome de Messias exigirá que o candidato procure os 81 senadores e faça articulação com lideranças da Casa. Wagner, pontuou, porém, que não vê tempo suficiente para que essa costura seja feita ainda em dezembro, quando governo vai priorizar votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – etapa necessária para avançar no Orçamento de 2026:
“Quando há uma controvérsia, como está estabelecido agora, é evidentemente que tem que visitar todos os senadores, conversar com presidente da Casa, presidente da CCJ. Vamos ser francos, temos quatro semanas, até terminar ano legislativo, em 19 de dezembro. Temos LDO, orçamento, que vão entrar em votação, acho que não teremos tempo hábil”, afirmou. “Se tiver, ótimo, mas não consigo enxergar tempo hábil para votar ainda em dezembro. O trabalho tem que ser feito pelo candidato, por mim e por outros senadores que apoiam a decisão.”
Sobre o ambiente hostil ao nome do Jorge Messias no Senado, Wagner disse ainda que a eleição de ministro do Supremo nunca é fácil no Senado e que “nunca há uma folga”. Também afirmou que o próprio presidente Lula poderá ligar para senadores para pedir apoio a Messias.
https://www.osul.com.br/lider-do-governo-nao-ve-tempo-para-votar-indicacao-de-jorge-messias-para-ministro-do-supremo-ainda-em-2025-e-fala-em-esfriar-o-ambiente/ Líder do governo não vê tempo para votar indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo ainda em 2025 e fala em “esfriar” o ambiente 2025-11-24
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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu que há um mal-estar com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), após a escolha de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou não ver tempo para votar a indicação ainda em 2025. Wagner avalia que é preciso esperar “esfriar” o ambiente de “tensão muito grande” criado com o envio do nome de Messias.
“Há uma tensão muito grande, tem que esperar esfriar essa tensão e será conversa individual com cada senador e senadora. O voto é secreto e eu não faço aposta em votação com voto secreto. O voto secreto pode ajudar quem queira me ajudar, pode me ajudar quem queira atrapalhar. Tem que trabalhar com humildade”, afirmou em entrevista à Globo News.
Alcolumbre sinalizou seu incômodo já na última quinta-feira (20), logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso na Corte.
Segundo aliados, o senador não foi consultado por Lula antes da decisão e já havia demonstrado insatisfação com o processo da indicação. O preferido dele, e também da maioria dos senadores, era o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Wagner atribuiu a rusga a “um erro de comunicação”:
“Espero que esse mal-estar do Davi comigo, porque não é meu com ele, espero que a gente volte a conversar com a naturalidade que sempre conversou. Somos os dois únicos judeus do Senado da República, sempre tivemos uma relação muito boa. Acho que foi o momento, dessa reclamação dele não ter sido avisado que ia sair anúncio na quinta-feira. Foi erro de comunicação, mas não é por isso que vamos romper relações que foram construídas ao longo do tempo”, disse.
De acordo com o senador, um integrante do seu gabinete informou de forma equivocada a um jornalista que Lula teria informado Alcolumbre que a indicação ocorreria na quinta.
Wagner afirmou que nem ele e nem Lula avisaram o presidente do Senado da data em que ocorreria a indicação.
“Alguém aqui do meu gabinete, deu informação errada e mentirosa, dizendo que eu teria afirmado que o presidente ligou para o Alcolumbre e que eu também falei com Alcolumbre, o que não é verdade. Já falei com a pessoa que foi informada erroneamente. Eu não liguei, o presidente também não ligou, tiveram uma conversa há três, quatro semanas. Teve a conversa com Rodrigo e ele indicou na quinta. E o Alcolumbre estava na expectativa que o presidente ia ligar para ele antes da indicação”, afirmou.
Wagner admitiu ainda que Alcolumbre disse a ele não ter gostado de uma afirmação de Wagner, feita semanas antes da indicação, em que o líder disse que Lula já estava decidido a indicar Jorge Messias e não pretendia repensar sua escolha em benefício de outro candidato:
“Não tiro ninguém do caminho, mas não confirmo mentira. Me perguntaram e eu disse: ‘A minha sensação é que há uma convicção na escolha do Jorge Messias, então não acho que vá haver mudança’. Se eu quisesse ficar confortável, podia ter alimentado uma mentira. Ele não estava repensando”, afirmou. “Aí Alcolumbre falou comigo: ‘Achei que sua resposta não foi boa’. A minha resposta foi a que eu tinha. O presidente me ligou e disse que ia indicar o Messias. Ok. A partir daí, não tenho que ter mais opinião. Tem uma decisão do presidente, eu sou líder do governo e vou encaminhar.”
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“Quando há uma controvérsia, como está estabelecido agora, é evidentemente que tem que visitar todos os senadores, conversar com presidente da Casa, presidente da CCJ. Vamos ser francos, temos quatro semanas, até terminar ano legislativo, em 19 de dezembro. Temos LDO, orçamento, que vão entrar em votação, acho que não teremos tempo hábil”, afirmou. “Se tiver, ótimo, mas não consigo enxergar tempo hábil para votar ainda em dezembro. O trabalho tem que ser feito pelo candidato, por mim e por outros senadores que apoiam a decisão.”
Sobre o ambiente hostil ao nome do Jorge Messias no Senado, Wagner disse ainda que a eleição de ministro do Supremo nunca é fácil no Senado e que “nunca há uma folga”. Também afirmou que o próprio presidente Lula poderá ligar para senadores para pedir apoio a Messias.
https://www.osul.com.br/lider-do-governo-nao-ve-tempo-para-votar-indicacao-de-jorge-messias-para-ministro-do-supremo-ainda-em-2025-e-fala-em-esfriar-o-ambiente/
Líder do governo não vê tempo para votar indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo ainda em 2025 e fala em “esfriar” o ambiente
2025-11-24
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