Segundo a PF, senador era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do chamado Careca do INSS. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
A Polícia Federal (PF) identificou um conjunto de relações políticas, empresariais e funcionais em torno do senador Weverton Rocha (PDT-MA) no esquema de descontos associativos fraudulentos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS. Conforme investigação, o senador teria se beneficiado de recursos desviados e era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, peça-chave no esquema.
A representação policial informa que o parlamentar teria atuado como “beneficiário final (‘sócio oculto’) de operações financeiras estruturadas pela organização criminosa, recebendo recursos ou benefícios por meio de interpostas pessoas, alguns seus assessores parlamentares” .
Um dos principais personagens ligados ao entorno do senador é o empresário Gustavo Marques Gaspar, que foi assessor de Weverton entre 2019 e 2023 e é considerado braço direito do parlamentar nos bastidores, conforme descrito na representação policial. A PF aponta que ele era integrante do “núcleo político-institucional” da organização criminosa, com papel relevante na lavagem de capitais, ocultação patrimonial e articulação política do esquema .
A PF relata que Gaspar foi nomeado assistente parlamentar sênior na liderança do PDT pelo próprio Weverton, quando o senador era líder da bancada, e que ele possuía “capacidade de articulação institucional e inserção em ambientes decisórios de relevo político”, o que “ampliava seu potencial de atuação no esquema ilícito”.
A decisão menciona ainda registros de pagamento de propina no valor de R$ 100 mil em favor de “Gasparzinho”, identificados em planilhas apreendidas na casa do Careca do INSS, que seria para Gustavo Gaspar.
A investigação mostra, ainda, que ele esteve junto com o Careca do INSS no gabinete do ex-secretário-executivo o Ministério da Previdência Social Adroaldo Portal. O servidor foi demitido do cargo na quinta-feira após ser alvo da operação.
Adroaldo é outra figura com elo com Weverton. Ele trabalhou como assessor do senador de 2019 a 2023. Posteriormente, Adroaldo ocupou cargos de direção no Ministério da Previdência Social até chegar ao cargo de número 2.
A PF também descreve movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo Adroaldo, seu filho Eduardo Portal e uma chefe de gabinete no Ministério da Previdência que também já foi assessora de Weverton. Eduardo exerce a função de ajudante parlamentar intermediário no gabinete do senador desde junho de 2023.
Em nota, o senador afirmou que “recebeu com surpresa a busca na sua residência” e colaborará para o “esclarecimento dos fatos, certo de que a verdade prevalecerá e sua inocência será plenamente reconhecida.”
“Confio plenamente nas instituições e no Estado Democrático de Direito, reafirmando meu respeito ao trabalho da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal. Ressalto que a decisão da Corte é clara ao reconhecer a ausência de provas que me vinculem a práticas ilícitas ou ao recebimento de recursos irregulares. Relações profissionais de terceiros não podem ser usadas para me imputar responsabilidade sem fatos concretos”, disse ele, no texto.
Prisão
Apesar de avaliar que há “fortes indícios” de participação do senador no esquema, o ministro negou o pedido de prisão de Weverton por considerar que ela teria “efeitos drásticos”. Na decisão, ele destacou que o Ministério Público Federal (MPF) foi contra a prisão preventiva, indicando que “o panorama probatório apresentado é assentado em inferências ainda não consolidadas”.
https://www.osul.com.br/investigacao-da-policia-federal-detalha-relacoes-de-senador-com-suspeitos/ Investigação da Polícia Federal detalha relações de senador com suspeitos 2025-12-21
Magistrado votou pela condenação de Bolsonaro e demais réus na trama. Foto: Gustavo Moreno/STF Magistrado votou pela condenação de Bolsonaro e demais réus na trama. (Foto: Gustavo Moreno/STF) Ao votar pela condenação dos réus da trama golpista, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que há diferentes graus de …
No Supremo, há resistência à ideia de anistia ampla, considerada inconstitucional por uma ala de ministros. (Foto: Luiz Silveira/STF) A mudança na relatoria do projeto que discute a revisão das penas de condenados pelos atos golpistas no dia 8 de Janeiro intensificou as conversas entre políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em busca …
O artigo 261 do Código Penal estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa para quem expõe a perigo a segurança de transporte público, como aviões, trens ou navios. (Foto: Reprodução) As falsas ameaças de bomba em aeronaves e aeroportos brasileiros cresceram 68% em menos de um ano, segundo dados da Anac …
A manifestação foi realizada em meio ao julgamento do ex-presidente por participação na trama golpista após a eleição de 2022. Foto: Reprodução A manifestação foi realizada em meio ao julgamento do ex-presidente por participação na trama golpista após a eleição de 2022. (Foto: Reprodução) Em um discurso com ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal …
Investigação da Polícia Federal detalha relações de senador com suspeitos
Segundo a PF, senador era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do chamado Careca do INSS. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
A Polícia Federal (PF) identificou um conjunto de relações políticas, empresariais e funcionais em torno do senador Weverton Rocha (PDT-MA) no esquema de descontos associativos fraudulentos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS. Conforme investigação, o senador teria se beneficiado de recursos desviados e era “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, peça-chave no esquema.
A representação policial informa que o parlamentar teria atuado como “beneficiário final (‘sócio oculto’) de operações financeiras estruturadas pela organização criminosa, recebendo recursos ou benefícios por meio de interpostas pessoas, alguns seus assessores parlamentares” .
Um dos principais personagens ligados ao entorno do senador é o empresário Gustavo Marques Gaspar, que foi assessor de Weverton entre 2019 e 2023 e é considerado braço direito do parlamentar nos bastidores, conforme descrito na representação policial. A PF aponta que ele era integrante do “núcleo político-institucional” da organização criminosa, com papel relevante na lavagem de capitais, ocultação patrimonial e articulação política do esquema .
A PF relata que Gaspar foi nomeado assistente parlamentar sênior na liderança do PDT pelo próprio Weverton, quando o senador era líder da bancada, e que ele possuía “capacidade de articulação institucional e inserção em ambientes decisórios de relevo político”, o que “ampliava seu potencial de atuação no esquema ilícito”.
A decisão menciona ainda registros de pagamento de propina no valor de R$ 100 mil em favor de “Gasparzinho”, identificados em planilhas apreendidas na casa do Careca do INSS, que seria para Gustavo Gaspar.
A investigação mostra, ainda, que ele esteve junto com o Careca do INSS no gabinete do ex-secretário-executivo o Ministério da Previdência Social Adroaldo Portal. O servidor foi demitido do cargo na quinta-feira após ser alvo da operação.
Adroaldo é outra figura com elo com Weverton. Ele trabalhou como assessor do senador de 2019 a 2023. Posteriormente, Adroaldo ocupou cargos de direção no Ministério da Previdência Social até chegar ao cargo de número 2.
A PF também descreve movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo Adroaldo, seu filho Eduardo Portal e uma chefe de gabinete no Ministério da Previdência que também já foi assessora de Weverton. Eduardo exerce a função de ajudante parlamentar intermediário no gabinete do senador desde junho de 2023.
Em nota, o senador afirmou que “recebeu com surpresa a busca na sua residência” e colaborará para o “esclarecimento dos fatos, certo de que a verdade prevalecerá e sua inocência será plenamente reconhecida.”
“Confio plenamente nas instituições e no Estado Democrático de Direito, reafirmando meu respeito ao trabalho da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal. Ressalto que a decisão da Corte é clara ao reconhecer a ausência de provas que me vinculem a práticas ilícitas ou ao recebimento de recursos irregulares. Relações profissionais de terceiros não podem ser usadas para me imputar responsabilidade sem fatos concretos”, disse ele, no texto.
Prisão
Apesar de avaliar que há “fortes indícios” de participação do senador no esquema, o ministro negou o pedido de prisão de Weverton por considerar que ela teria “efeitos drásticos”. Na decisão, ele destacou que o Ministério Público Federal (MPF) foi contra a prisão preventiva, indicando que “o panorama probatório apresentado é assentado em inferências ainda não consolidadas”.
https://www.osul.com.br/investigacao-da-policia-federal-detalha-relacoes-de-senador-com-suspeitos/
Investigação da Polícia Federal detalha relações de senador com suspeitos
2025-12-21
Related Posts
Bolsonaro e Braga Netto mais culpados: ministro Flávio Dino diz ver graus diferentes de culpa na trama golpista
Magistrado votou pela condenação de Bolsonaro e demais réus na trama. Foto: Gustavo Moreno/STF Magistrado votou pela condenação de Bolsonaro e demais réus na trama. (Foto: Gustavo Moreno/STF) Ao votar pela condenação dos réus da trama golpista, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que há diferentes graus de …
Ministros do Supremo discutem ajustes em penas de prisão do 8 de Janeiro, mas ainda não falam em acordo
No Supremo, há resistência à ideia de anistia ampla, considerada inconstitucional por uma ala de ministros. (Foto: Luiz Silveira/STF) A mudança na relatoria do projeto que discute a revisão das penas de condenados pelos atos golpistas no dia 8 de Janeiro intensificou as conversas entre políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em busca …
Crescem 68% as falsas ameaças de bomba em aeroportos e voos no Brasil em 2025, aponta Anac
O artigo 261 do Código Penal estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa para quem expõe a perigo a segurança de transporte público, como aviões, trens ou navios. (Foto: Reprodução) As falsas ameaças de bomba em aeronaves e aeroportos brasileiros cresceram 68% em menos de um ano, segundo dados da Anac …
Flávio diz que não existe “meia-anistia” para Bolsonaro e ataca Moraes em ato no Rio de Janeiro
A manifestação foi realizada em meio ao julgamento do ex-presidente por participação na trama golpista após a eleição de 2022. Foto: Reprodução A manifestação foi realizada em meio ao julgamento do ex-presidente por participação na trama golpista após a eleição de 2022. (Foto: Reprodução) Em um discurso com ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal …