Nome do secretário de Estado americano é recebido com reservas, mas Brasil evita críticas em público. (Foto: Daniel Torok/The White House)
No meio da comemoração geral no governo brasileiro pela realização de um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, um elemento gerou apreensão em Brasília: a indicação de Marco Rubio como interlocutor do lado americano.
Secretário de Estado americano e conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, Marco Rubio é visto no governo Lula como um “linha dura” em temas relativos aos regimes de esquerda da América Latina.
O nome dele chamou a atenção e despertou reservas, mas não foi nem será bombardeado publicamente, para não gerar qualquer tipo de ruído nas conversas recém abertas.
Nessa segunda-feira (6), em entrevista à TV Mirante, Lula disse que pediu a Trump que Rubio converse com o Brasil “sem preconceitos”. O petista disse ainda que, em entrevistas, Rubio mostrou “certo desconhecimento” sobre o País.
O telefonema foi apenas a segunda interação entre Lula e Trump. No último dia 23 de setembro, os dois se encontraram em Assembleia Geral da ONU.
O contato direto em nível presidencial elevou o patamar das negociações, mas foi precedido de reuniões secretas de emissários, como revelou o Estadão.
Rubio fez uma delas, em 30 de julho, com o chanceler Mauro Vieira em Washington. Ele jamais a citou em público, embora Vieira tenha feito um relato contundente do teor.
Eles se conhecem há anos. O ministro serviu como embaixador na capital americana e depois viajou para lá como chanceler. Rubio era membro sênior da Comissão de Relações Exteriores no Senado.
Desde a conversa em julho, os dois mantiveram contatos privados, por meio de trocas de mensagens. Um dos prováveis próximos passos será nova reunião entre ambos, a fim de preparar o encontro presencial que Lula e Trump manifestaram desejo de fazer em breve.
Embora ainda não tenha sido marcada, não se descarta no Itamaraty que o ministro Mauro Vieira possa viajar antes aos EUA para uma reunião preparatória com Rubio.
Por enquanto, o chanceler tem na agenda ministerial apenas os deslocamentos ao exterior para acompanhar Lula em Roma (Itália), Jacarta (Indonésia) e Kuala Lumpur (Malásia). O cenário de uma reunião bilateral na Ásia é um dos mais cotados.
Trump indicou Rubio nessa segunda-feira como seu emissário para o Palácio do Planalto e o Itamaraty. Era um passo que faltava. A diplomacia brasileira se queixava de que Trump não havia ainda apontado nenhum de seus secretários ou assessores diretos como o responsável por discutir a relação com o País e preparar uma reunião de trabalho entre presidentes. O diálogo estava dificultado.
Indagado sobre a escolha de Rubio, Alckmin disse apenas: “vamos em frente”. Já o ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial da Lula, disse que a indicação “não preocupa”.
Se em público conselheiros próximos do petista evitaram críticas e minimizaram a preocupação, em privado integrantes do governo torcem o nariz para Rubio, dizem que ele tem uma “agenda retrógrada” e uma pauta “negativa” para a região.
A relação com ele já era vista como desafiante, pelo fato de Rubio lidar e se relacionar mais com líderes políticos da direita latino-americana do que com governantes de esquerda, estejam no poder ou não.
O emissário de Trump é alguém que integrantes do Palácio do Planalto veem como mais suscetível aos pleitos do lobby bolsonarista, historicamente crítico ao presidente Lula e até mais disposto a derrubar governos ditatoriais na América Latina.
Político conservador, filho de imigrantes cubanos, Rubio tem base eleitoral e política na Flórida, onde se elegeu senador e tem uma base de expatriados da Venezuela, Cuba, Nicarágua, entre outros.
Ele abrigou figuras do movimento MAGA (Make America Great Again) em postos-chave do Departamento de Estado. E, nos últimos meses, esteve na linha de frente das decisões de punição ao Brasil. Manteve semblante fechado ao reagir à revelação de Trump sobre a “excelente química” no encontro de 39 segundos com Lula nas Nações Unidas.
Rubio fazia comentários públicos ameaçadores e prometia reações à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem se reunira no passado. Saíram do Departamento de Estado as ordens de cassar vistos a ministros do Supremo e do Executivo e impor restrições de locomoção ao ministro Alexandre Padilha caso viajasse aos EUA e a assessores de menor escalão da Presidência, que participaram da Assembleia Geral da ONU.
Ciente do perfil e do passado de Rubio, o governo Lula evitar “pré-julgar” a escolha e o futuro comportamento dele daqui para frente. Embaixadores esperam que Rubio não faça nada da própria cabeça e cumpra instruções do chefe e atue de forma profissional e pragmática. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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Secretário de Estado americano e conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, Marco Rubio é visto no governo Lula como um “linha dura” em temas relativos aos regimes de esquerda da América Latina.
O nome dele chamou a atenção e despertou reservas, mas não foi nem será bombardeado publicamente, para não gerar qualquer tipo de ruído nas conversas recém abertas.
Nessa segunda-feira (6), em entrevista à TV Mirante, Lula disse que pediu a Trump que Rubio converse com o Brasil “sem preconceitos”. O petista disse ainda que, em entrevistas, Rubio mostrou “certo desconhecimento” sobre o País.
O telefonema foi apenas a segunda interação entre Lula e Trump. No último dia 23 de setembro, os dois se encontraram em Assembleia Geral da ONU.
O contato direto em nível presidencial elevou o patamar das negociações, mas foi precedido de reuniões secretas de emissários, como revelou o Estadão.
Rubio fez uma delas, em 30 de julho, com o chanceler Mauro Vieira em Washington. Ele jamais a citou em público, embora Vieira tenha feito um relato contundente do teor.
Eles se conhecem há anos. O ministro serviu como embaixador na capital americana e depois viajou para lá como chanceler. Rubio era membro sênior da Comissão de Relações Exteriores no Senado.
Desde a conversa em julho, os dois mantiveram contatos privados, por meio de trocas de mensagens. Um dos prováveis próximos passos será nova reunião entre ambos, a fim de preparar o encontro presencial que Lula e Trump manifestaram desejo de fazer em breve.
Embora ainda não tenha sido marcada, não se descarta no Itamaraty que o ministro Mauro Vieira possa viajar antes aos EUA para uma reunião preparatória com Rubio.
Por enquanto, o chanceler tem na agenda ministerial apenas os deslocamentos ao exterior para acompanhar Lula em Roma (Itália), Jacarta (Indonésia) e Kuala Lumpur (Malásia). O cenário de uma reunião bilateral na Ásia é um dos mais cotados.
Trump indicou Rubio nessa segunda-feira como seu emissário para o Palácio do Planalto e o Itamaraty. Era um passo que faltava. A diplomacia brasileira se queixava de que Trump não havia ainda apontado nenhum de seus secretários ou assessores diretos como o responsável por discutir a relação com o País e preparar uma reunião de trabalho entre presidentes. O diálogo estava dificultado.
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Se em público conselheiros próximos do petista evitaram críticas e minimizaram a preocupação, em privado integrantes do governo torcem o nariz para Rubio, dizem que ele tem uma “agenda retrógrada” e uma pauta “negativa” para a região.
A relação com ele já era vista como desafiante, pelo fato de Rubio lidar e se relacionar mais com líderes políticos da direita latino-americana do que com governantes de esquerda, estejam no poder ou não.
O emissário de Trump é alguém que integrantes do Palácio do Planalto veem como mais suscetível aos pleitos do lobby bolsonarista, historicamente crítico ao presidente Lula e até mais disposto a derrubar governos ditatoriais na América Latina.
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Ele abrigou figuras do movimento MAGA (Make America Great Again) em postos-chave do Departamento de Estado. E, nos últimos meses, esteve na linha de frente das decisões de punição ao Brasil. Manteve semblante fechado ao reagir à revelação de Trump sobre a “excelente química” no encontro de 39 segundos com Lula nas Nações Unidas.
Rubio fazia comentários públicos ameaçadores e prometia reações à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem se reunira no passado. Saíram do Departamento de Estado as ordens de cassar vistos a ministros do Supremo e do Executivo e impor restrições de locomoção ao ministro Alexandre Padilha caso viajasse aos EUA e a assessores de menor escalão da Presidência, que participaram da Assembleia Geral da ONU.
Ciente do perfil e do passado de Rubio, o governo Lula evitar “pré-julgar” a escolha e o futuro comportamento dele daqui para frente. Embaixadores esperam que Rubio não faça nada da própria cabeça e cumpra instruções do chefe e atue de forma profissional e pragmática. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/governo-lula-teme-indicacao-de-linha-dura-marco-rubio/
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2025-10-06
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