Ex-governador do DF, deputado do PSB cobra do presidente da Câmara a instalação imediata do colegiado. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou que conseguiu reunir as assinaturas necessárias para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master e cobrou do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a instalação imediata do colegiado.
Para um requerimento de CPI são necessárias as assinaturas de pelo menos um terço da Casa, ou seja, 171 parlamentares. “O próximo passo é claro: cabe ao presidente da Câmara instalar a CPI. A CPI é direito da minoria, os requisitos foram cumpridos e a instalação deve ser imediata”, disse Rollemberg.
De acordo com o deputado, não há margem para adiamento da instalação do colegiado, já que fatos novos tornaram a investigação ainda mais urgente. “Cada vez mais surgem informações graves, mudanças de regras, pagamento de influenciadores e a informação de que o rombo do BRB hoje seria de R$ 4 bilhões que não foram recuperados.”
Rollemberg afirmou ainda que o caso se tornou difícil de ser abafado diante dos potenciais impactos fiscais e institucionais. “Ou você vai ter que aportar recursos do Distrito Federal, ou privatizar um banco com um rombo bilionário, ou até federalizar. São coisas muito graves, que vão ter desdobramentos”, declarou.
Segundo o deputado, o objetivo da CPI será investigar responsabilidades amplas, inclusive do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de quem é adversário político. Ele defende que a apuração identifique “todos os laços” que o dono do Master, Daniel Vorcaro, construiu “para chegar aonde chegou”. Procurado por meio da assessoria, Ibaneis não retornou.
Apesar de ter reunido o número necessário de assinaturas, a instalação da CPI ainda é considerada incerta. Vorcaro mantém relação próxima com parte da cúpula da Câmara, o que deve gerar resistências internas.
Rollemberg reconhece pressão nos bastidores. “Tenho convicção suficiente para saber que tem muita gente preocupada. Terá muitas pressões, em função do envolvimento de muita gente graúda”, disse.
Ele afirmou ainda que o requerimento teve apoio suprapartidário. “A distribuição das assinaturas foi totalmente diversa, com parlamentares da base do governo e da oposição”, afirmou.
Para o deputado, o calendário eleitoral pode dificultar o andamento dos trabalhos, mas não inviabiliza a apuração. “Pode atrapalhar pelos prazos e pela agenda curta, mas esse é um tema prioritário para o país. É um debate importante inclusive em ano eleitoral, para que as pessoas possam escolher melhor seus representantes”, disse.
A iniciativa de Rollemberg se soma a outros movimentos no Congresso. Na semana passada, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que conseguiu reunir as assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso.
Rollemberg, no entanto, disse ver diferenças relevantes entre os dois pedidos. “Fui o primeiro a propor. No meu caso, quero simplesmente investigar, identificar os responsáveis e que eles sejam punidos, sem nenhum objetivo secundário”, afirmou. Segundo ele, o outro pedido, por ser comandado por um deputado da oposição, pode acabar se tornando uma ferramenta de pressão contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Para Rollemberg, a CPI que propôs deverá ter uma investigação “mais Independente”.
Autor da CPMI, Jordy discorda. Segundo ele, a comissão proposta por Rollemberg não tem garantia de instalação, mesmo com o número mínimo de assinaturas. “Na Câmara, a CPI não é automática. Existe uma fila, e a instalação é discricionária do presidente. Ter assinatura não significa que o colegiado será instalado”, afirmou.
Já a CPMI, segundo ele, tem caráter regimental obrigatório. “Tendo um terço das assinaturas de deputados e senadores, o requerimento é lido na primeira sessão subsequente do Congresso Nacional”, disse. O parlamentar afirmou ter reunido 248 assinaturas.
O deputado também rejeitou a avaliação de que a CPMI poderia ser usada como instrumento de pressão contra o Supremo, mas afirmou que o colegiado deve, sim, investigar pessoas ligadas aos ministros – e cita como exemplo a esposa de Alexandre de Moraes.
Para o político, o foco da investigação deve ser a fraude bilionária envolvendo a venda de títulos inexistentes. Ele citou ainda a contratação de influenciadores, a atuação de lobistas e a oferta de títulos com rentabilidade fora dos padrões.
Jordy disse considerar inevitáveis tentativas de barrar a investigação. “Estamos diante de um escândalo sem precedentes, que envolve a política nacional, os três Poderes e gente muito poderosa.”
Segundo ele, no entanto, pode haver atrasos na instalação da CPMI, que cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como uma estratégia para esvaziar o assunto em ano eleitoral. (Com informações do Valor Econômico)
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Para um requerimento de CPI são necessárias as assinaturas de pelo menos um terço da Casa, ou seja, 171 parlamentares. “O próximo passo é claro: cabe ao presidente da Câmara instalar a CPI. A CPI é direito da minoria, os requisitos foram cumpridos e a instalação deve ser imediata”, disse Rollemberg.
De acordo com o deputado, não há margem para adiamento da instalação do colegiado, já que fatos novos tornaram a investigação ainda mais urgente. “Cada vez mais surgem informações graves, mudanças de regras, pagamento de influenciadores e a informação de que o rombo do BRB hoje seria de R$ 4 bilhões que não foram recuperados.”
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Ele afirmou ainda que o requerimento teve apoio suprapartidário. “A distribuição das assinaturas foi totalmente diversa, com parlamentares da base do governo e da oposição”, afirmou.
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Jordy disse considerar inevitáveis tentativas de barrar a investigação.
“Estamos diante de um escândalo sem precedentes, que envolve a política nacional, os três Poderes e gente muito poderosa.”
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