Anúncios em Facebook e Instagram sobre o Senado são majoritariamente financiados por atores ligados à direita e à extrema-direita. (Foto: Imagem gerada por IA)
De olho nas eleições, políticos de direita têm antecipado nas redes sociais a disputa por vagas no Senado e apostado em uma narrativa crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia é apontada por um levantamento inédito do Projeto Brief, que identificou o financiamento articulado de anúncios políticos nas plataformas Facebook e Instagram.
O estudo analisou dados da Biblioteca de Anúncios da Meta no período entre 1º e 31 de janeiro deste ano. A pesquisa rastreou publicações patrocinadas que continham os termos “Senado”, “Senador”, “Senadora” e “Senadores”. Ao todo, foram identificados 890 anúncios relacionados a esse campo político.
Segundo os responsáveis pelo levantamento, os dados indicam um padrão consistente na origem desses conteúdos. A maior parte das peças publicitárias analisadas é financiada por atores vinculados à direita e à extrema-direita. Já o campo progressista aparece com participação considerada residual dentro desse universo de anúncios políticos.
A análise também destaca que o interesse pelo Senado nas plataformas digitais cresceu de forma significativa no último ano. De acordo com o estudo, as menções à Casa legislativa superaram em mais de 10 milhões as referências genéricas ao Congresso Nacional nas redes sociais.
Para os pesquisadores, esse aumento representa um movimento incomum, já que historicamente o Senado costuma ter presença menor no debate público online quando comparado a outras instituições políticas. O crescimento das citações sugere uma tentativa de ampliar a centralidade da Casa no debate político digital.
O conteúdo das peças patrocinadas apresenta, segundo o estudo, um eixo narrativo relativamente uniforme. Em grande parte dos anúncios, o Senado atual é retratado como um poder enfraquecido ou omisso diante das decisões do Judiciário. Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal aparece descrito como uma instituição que teria avançado sobre atribuições do Legislativo.
Nesse contexto, a eleição de 2026 costuma ser apresentada como um momento decisivo para, segundo os anúncios, “restaurar o equilíbrio entre os Poderes”. A ideia de renovação do Senado é frequentemente associada a essa proposta de reconfiguração institucional.
Outro ponto observado pelos pesquisadores foi a repetição de determinados termos e expressões. Entre eles, aparece com frequência a expressão “sem rabo preso”, utilizada nas peças como um elemento de identificação moral e política. De acordo com o levantamento, o termo funciona como uma espécie de marca discursiva compartilhada entre diferentes campanhas.
A análise também aponta que candidaturas de partidos distintos utilizam vocabulário semelhante, além de enquadramentos narrativos próximos e um mesmo antagonismo central, resumido na oposição entre STF e Senado.
Os anúncios mapeados foram patrocinados por diferentes perfis políticos e institucionais. Entre eles estão parlamentares em exercício, ex-parlamentares, partidos políticos, advogados, influenciadores digitais e até podcasts regionais.
Ainda segundo o levantamento, muitos desses conteúdos utilizam videocasts e cortes de programas impulsionados nas redes. Esse formato cria a aparência de conversas espontâneas e tende a reduzir a percepção do público de que se trata de propaganda política patrocinada. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)
Desembargador conduziu o TRE-RS entre 2024 e 2025. Foto: Maria Eduarda Souza/TRE-RS Desembargador conduziu o TRE-RS entre 2024 e 2025. (Foto: Maria Eduarda Souza/TRE-RS) Na manhã desta segunda-feira (16), foi realizada no plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), a cerimônia de descerramento da fotografia do desembargador Voltaire de Lima Moraes, …
Definição do local de prisão ocorrerá quando a pena for executada.(Foto: Reprodução) Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro não será preso imediatamente e ainda não há um prazo exato para isso ocorrer. A prisão para cumprimento de pena …
O deputado Eduardo Bolsonaro, em consórcio com o blogueiro Paulo Figueiredo, converteu sua militância em uma campanha sistemática contra o Brasil. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O relator do processo de cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara, Marcelo Freitas (União-MG), recomendou o arquivamento da representação contra o deputado. Em seu …
Parlamentar ocupou a mesa de Hugo Motta durante a sessão, em protesto contra o presidente da Câmara Foto: Reprodução Parlamentar ocupou a mesa de Hugo Motta durante a sessão, em protesto contra o presidente da Câmara. (Foto: Reprodução) O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira do presidente da Câmara dos Deputados, …
Direira antecipa disputa ao Senado nas redes sociais e investe em narrativa anti-Supremo coordenada
Anúncios em Facebook e Instagram sobre o Senado são majoritariamente financiados por atores ligados à direita e à extrema-direita. (Foto: Imagem gerada por IA)
De olho nas eleições, políticos de direita têm antecipado nas redes sociais a disputa por vagas no Senado e apostado em uma narrativa crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia é apontada por um levantamento inédito do Projeto Brief, que identificou o financiamento articulado de anúncios políticos nas plataformas Facebook e Instagram.
O estudo analisou dados da Biblioteca de Anúncios da Meta no período entre 1º e 31 de janeiro deste ano. A pesquisa rastreou publicações patrocinadas que continham os termos “Senado”, “Senador”, “Senadora” e “Senadores”. Ao todo, foram identificados 890 anúncios relacionados a esse campo político.
Segundo os responsáveis pelo levantamento, os dados indicam um padrão consistente na origem desses conteúdos. A maior parte das peças publicitárias analisadas é financiada por atores vinculados à direita e à extrema-direita. Já o campo progressista aparece com participação considerada residual dentro desse universo de anúncios políticos.
A análise também destaca que o interesse pelo Senado nas plataformas digitais cresceu de forma significativa no último ano. De acordo com o estudo, as menções à Casa legislativa superaram em mais de 10 milhões as referências genéricas ao Congresso Nacional nas redes sociais.
Para os pesquisadores, esse aumento representa um movimento incomum, já que historicamente o Senado costuma ter presença menor no debate público online quando comparado a outras instituições políticas. O crescimento das citações sugere uma tentativa de ampliar a centralidade da Casa no debate político digital.
O conteúdo das peças patrocinadas apresenta, segundo o estudo, um eixo narrativo relativamente uniforme. Em grande parte dos anúncios, o Senado atual é retratado como um poder enfraquecido ou omisso diante das decisões do Judiciário. Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal aparece descrito como uma instituição que teria avançado sobre atribuições do Legislativo.
Nesse contexto, a eleição de 2026 costuma ser apresentada como um momento decisivo para, segundo os anúncios, “restaurar o equilíbrio entre os Poderes”. A ideia de renovação do Senado é frequentemente associada a essa proposta de reconfiguração institucional.
Outro ponto observado pelos pesquisadores foi a repetição de determinados termos e expressões. Entre eles, aparece com frequência a expressão “sem rabo preso”, utilizada nas peças como um elemento de identificação moral e política. De acordo com o levantamento, o termo funciona como uma espécie de marca discursiva compartilhada entre diferentes campanhas.
A análise também aponta que candidaturas de partidos distintos utilizam vocabulário semelhante, além de enquadramentos narrativos próximos e um mesmo antagonismo central, resumido na oposição entre STF e Senado.
Os anúncios mapeados foram patrocinados por diferentes perfis políticos e institucionais. Entre eles estão parlamentares em exercício, ex-parlamentares, partidos políticos, advogados, influenciadores digitais e até podcasts regionais.
Ainda segundo o levantamento, muitos desses conteúdos utilizam videocasts e cortes de programas impulsionados nas redes. Esse formato cria a aparência de conversas espontâneas e tende a reduzir a percepção do público de que se trata de propaganda política patrocinada. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)
Related Posts
Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul presta homenagem ao desembargador Voltaire de Lima Moraes
Desembargador conduziu o TRE-RS entre 2024 e 2025. Foto: Maria Eduarda Souza/TRE-RS Desembargador conduziu o TRE-RS entre 2024 e 2025. (Foto: Maria Eduarda Souza/TRE-RS) Na manhã desta segunda-feira (16), foi realizada no plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), a cerimônia de descerramento da fotografia do desembargador Voltaire de Lima Moraes, …
27 anos de prisão: onde Bolsonaro pode ficar preso? Veja possíveis cenários
Definição do local de prisão ocorrerá quando a pena for executada.(Foto: Reprodução) Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro não será preso imediatamente e ainda não há um prazo exato para isso ocorrer. A prisão para cumprimento de pena …
Ao proteger Eduardo Bolsonaro e outros deputados, Câmara sinaliza que ética é valor negociável
O deputado Eduardo Bolsonaro, em consórcio com o blogueiro Paulo Figueiredo, converteu sua militância em uma campanha sistemática contra o Brasil. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O relator do processo de cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara, Marcelo Freitas (União-MG), recomendou o arquivamento da representação contra o deputado. Em seu …
Deputado Glauber Braga é retirado à força após tentar ocupar cadeira de presidente da Câmara
Parlamentar ocupou a mesa de Hugo Motta durante a sessão, em protesto contra o presidente da Câmara Foto: Reprodução Parlamentar ocupou a mesa de Hugo Motta durante a sessão, em protesto contra o presidente da Câmara. (Foto: Reprodução) O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira do presidente da Câmara dos Deputados, …