Depois do tarifaço dos Estados Unidos, considerado tiro no pé do bolsonarismo que ajudou a reabilitar a popularidade de Lula, direita brasileira tenta agora uma adesão de Donald Trump à pauta da segurança pública, após megaoperação da polícia
Equiparação das facções a terrorismo vem sendo a principal bandeira da oposição, embora especialistas apontem riscos. (Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil)
Depois do tarifaço dos Estados Unidos, considerado tiro no pé do bolsonarismo que ajudou a reabilitar a popularidade do governo Lula, parte da direita brasileira tenta agora uma adesão de Donald Trump à pauta da segurança pública, após megaoperação da polícia fluminense que resultou em 121 mortes. O movimento para “virar a página” do desgaste anterior inclui sinalizações públicas da família Bolsonaro e a busca do governo Cláudio Castro para que o Comando Vermelho seja considerado uma organização terrorista pelos americanos.
A equiparação das facções a terrorismo vem sendo a principal bandeira da oposição, embora especialistas apontem riscos como inibir investimentos, expor vítimas a sanções, além de brechas para intervenção estrangeira no país, ideia refutada pela maioria da população segundo a última pesquisa Genial/Quaest.
No Itamaraty, a carta foi vista como “protocolar”. Diplomatas ressaltam que o documento não partiu de instâncias de alto nível do governo americano, mas de um agente da DEA lotado no consulado-geral dos EUA no Rio. A avaliação é de que se trata de uma manifestação sem caráter político. Mesmo a embaixada dos EUA em Brasília manteve silêncio sobre o episódio, o que, na avaliação de integrantes do governo brasileiro, reforça o entendimento de que o caso não tem peso diplomático e que as tensões recentes entre os dois países arrefeceram.
Virada
Na família Bolsonaro, o teor das publicações nas redes sociais evidencia a tentativa de deixar para trás a defesa de sanções contra o Brasil e se associar ao combate ao tráfico de drogas promovido pelo governo Trump. Nos últimos meses, o americano fez ameaças e bombardeios a barcos no Caribe, perto da Venezuela e da Colômbia, sob a justificativa de combater “narcoterroristas” – o termo tem sido usado por Castro e demais governadores da direita para se referir aos mortos na operação.
Documento do governo do Rio ao americano encaminhado em maio justifica o pedido para classificar o Comando Vermelho como terrorista citando a “crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade” como critérios para a imposição de sanções econômicas e bloqueios de ativos. Ao serem incluídos na relação da OFAC – agência do Departamento do Tesouro responsável por impor punições –, integrantes e empresas ligadas às organizações criminosas passam a ter o acesso restrito aos sistemas bancários internacionais que operam em dólar, por exemplo.
Segundo Victor Santos, o objetivo é buscar alinhar a atuação brasileira às políticas contraterrorismo global, mais cooperação e facilitar extradição de membros de facções. Para o governo brasileiro, tal classificação não se aplicaria à facção, além de representar uma ameaça à soberania nacional.
Alinhamento
Antes mesmo da operação no Rio, a mais letal da história do País, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter “inveja” do que os Estados Unidos estão fazendo na região do Caribe. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro compartilhou uma publicação do secretário de Defesa de Trump, Pete Hegseth, e o convidou para aplicar no Brasil o mesmo método de bombardeio que colocou Venezuela e Colômbia no alvo.
Na pesquisa Genial/Quaest realizada no Rio após a operação, uma pergunta mostra como a população, que já rejeitava outros tipos de ação dos EUA no país, repele também a ideia de contar com eles para combater o tráfico.
Perguntados sobre a sugestão de Flávio, 62% a rechaçam, contra 36% que a encaram de forma positiva. Em outros levantamentos do instituto, feitos em todo o território nacional, os brasileiros criticam as tarifas impostas ao país e o fato de Trump associá-las ao julgamento de Bolsonaro no caso da trama golpista.
Já Eduardo postou mais de uma vez sobre segurança nos últimos dias. Em uma das publicações, comparou a carta americana enviada ao secretário de Segurança do Rio ao que chamou de “defesa dos bandidos” por parte do presidente brasileiro. Em outro post, afirmou que os EUA vão “comprar a briga” contra os “narcoterroristas” no Brasil. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/depois-do-tarifaco-dos-estados-unidos-considerado-tiro-no-pe-do-bolsonarismo-que-ajudou-a-reabilitar-a-popularidade-de-lula-direita-brasileira-tenta-agora-uma-adesao-de-donald-trump-a-pauta-da-segur/ Depois do tarifaço dos Estados Unidos, considerado tiro no pé do bolsonarismo que ajudou a reabilitar a popularidade de Lula, direita brasileira tenta agora uma adesão de Donald Trump à pauta da segurança pública, após megaoperação da polícia 2025-11-07
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Depois do tarifaço dos Estados Unidos, considerado tiro no pé do bolsonarismo que ajudou a reabilitar a popularidade do governo Lula, parte da direita brasileira tenta agora uma adesão de Donald Trump à pauta da segurança pública, após megaoperação da polícia fluminense que resultou em 121 mortes. O movimento para “virar a página” do desgaste anterior inclui sinalizações públicas da família Bolsonaro e a busca do governo Cláudio Castro para que o Comando Vermelho seja considerado uma organização terrorista pelos americanos.
A equiparação das facções a terrorismo vem sendo a principal bandeira da oposição, embora especialistas apontem riscos como inibir investimentos, expor vítimas a sanções, além de brechas para intervenção estrangeira no país, ideia refutada pela maioria da população segundo a última pesquisa Genial/Quaest.
No Itamaraty, a carta foi vista como “protocolar”. Diplomatas ressaltam que o documento não partiu de instâncias de alto nível do governo americano, mas de um agente da DEA lotado no consulado-geral dos EUA no Rio. A avaliação é de que se trata de uma manifestação sem caráter político. Mesmo a embaixada dos EUA em Brasília manteve silêncio sobre o episódio, o que, na avaliação de integrantes do governo brasileiro, reforça o entendimento de que o caso não tem peso diplomático e que as tensões recentes entre os dois países arrefeceram.
Virada
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Documento do governo do Rio ao americano encaminhado em maio justifica o pedido para classificar o Comando Vermelho como terrorista citando a “crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade” como critérios para a imposição de sanções econômicas e bloqueios de ativos. Ao serem incluídos na relação da OFAC – agência do Departamento do Tesouro responsável por impor punições –, integrantes e empresas ligadas às organizações criminosas passam a ter o acesso restrito aos sistemas bancários internacionais que operam em dólar, por exemplo.
Segundo Victor Santos, o objetivo é buscar alinhar a atuação brasileira às políticas contraterrorismo global, mais cooperação e facilitar extradição de membros de facções. Para o governo brasileiro, tal classificação não se aplicaria à facção, além de representar uma ameaça à soberania nacional.
Alinhamento
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Na pesquisa Genial/Quaest realizada no Rio após a operação, uma pergunta mostra como a população, que já rejeitava outros tipos de ação dos EUA no país, repele também a ideia de contar com eles para combater o tráfico.
Perguntados sobre a sugestão de Flávio, 62% a rechaçam, contra 36% que a encaram de forma positiva. Em outros levantamentos do instituto, feitos em todo o território nacional, os brasileiros criticam as tarifas impostas ao país e o fato de Trump associá-las ao julgamento de Bolsonaro no caso da trama golpista.
Já Eduardo postou mais de uma vez sobre segurança nos últimos dias. Em uma das publicações, comparou a carta americana enviada ao secretário de Segurança do Rio ao que chamou de “defesa dos bandidos” por parte do presidente brasileiro. Em outro post, afirmou que os EUA vão “comprar a briga” contra os “narcoterroristas” no Brasil. (Com informações do jornal O Globo)
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