Presidente atinge taxa de ótimo e bom de sua administração superior à que tinha no início de 2006. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu último ano de mandato com índices de aprovação mais favoráveis do que há 20 anos, quando foi reeleito, mas em um cenário de incertezas maior do que o enfrentado na época. Diante de um ambiente de polarização política, analistas apontam que temas como segurança pública, insegurança econômica e a falta de atenção a grupos como trabalhadores informais podem dificultar a caminhada para que o petista conquiste a cadeira pela quarta vez.
Lula enfrentou em 2025 uma crise de popularidade que levou sua aprovação aos níveis mais baixos de seus três mandatos, mas chega ao fim do ano com uma taxa de ótimo e bom de sua administração superior à que tinha no início de 2006, quando se encaminhava para disputar sua primeira reeleição, tendo, à época, como principal rival o ex-tucano e hoje vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em dezembro de 2005, apenas 28% dos eleitores classificavam o governo Lula como ótimo ou bom, segundo o Datafolha, uma queda acentuada em relação aos 45% registrados um ano antes. O principal fator de desgaste era o escândalo do mensalão, que dominava o noticiário e era explorado de forma sistemática pela oposição tucana na pré-campanha eleitoral.
Já em 2025, a aprovação do presidente subiu de 24% em fevereiro para 32% na pesquisa mais recente do Datafolha — o índice se aproximou ao registrado no fim de 2024 antes da queda de popularidade com a crise do Pix. Se a inflação dos alimentos era o principal fator de desgaste, afetando sobretudo os eleitores de baixa renda, ao longo do ano, uma safra recorde de grãos e a manutenção dos juros em patamar elevado contribuíram para desacelerar os preços. A inflação acumulada em 12 meses no grupo alimentos e bebidas caiu de cerca de 7% para 3,88%, segundo o IPCA.
Contexto
A avaliação de especialistas é que, apesar do patamar de avaliação melhor do que há 20 anos e das notícias potencialmente positivas, como a perspectiva de queda dos juros a partir de fevereiro, o contexto econômico atual é menos favorável do que o de 2006.
“Naquele período, a economia estava em aceleração. Agora, a tendência é de desaceleração do crescimento, em parte provocada pelos juros elevados. Ainda assim, os três fatores que mais influenciam a popularidade (crescimento da economia, níveis de desemprego e de inflação) iniciam 2026 em níveis positivos”, diz o cientista político Antônio Lavareda.
Ainda assim, quem acompanha de perto o cenário eleitoral cita diferenças estruturais importantes entre os períodos. Para Mauro Paulino, ex-diretor do Instituto Datafolha, é preciso levar em consideração que, em 2006, as redes sociais não tinham o peso que têm hoje. Para ele, temas como segurança pública e insegurança econômica ganharam centralidade na definição do voto, especialmente entre jovens e mulheres, e podem pesar contra o governo Lula.
Pauta central
A segurança pública, em particular, tende a ocupar espaço central no debate eleitoral. Pesquisa Quaest de novembro aponta que 38% dos eleitores já consideram a violência o principal problema do país.
O tema é um dos pontos sensíveis para o governo petista, que não conseguiu aprovar em 2025 suas principais propostas para a área — a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e o projeto Antifacção. Ao mesmo tempo, o assunto deverá ser pautado principalmente pelos candidatos de oposição a Lula.
A avaliação entre cientistas políticos é que Lula falhou ao tentar conectar seu governo com novas demandas da sociedade. Embora tenha conseguido avançar com pautas econômicas, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, eles citam o empreendedor informal, que foi menos impactado pelos programas do governo. Lula demorou a tentar se posicionar entre esse público e poderá colher consequências negativas disso nas urnas, avalia Creomar de Souza, CEO da Consultoria Política Dharma e professor da Fundação Dom Cabral.
Pontos de preocupação
Agenda da segurança: Enquanto o tema é citado por 38% dos eleitores como o principal problema do país, segundo a pesquisa Genial/Quaest — maior patamar entre as áreas —, o governo Lula não conseguiu aprovar em 2025 suas principais propostas para a segurança pública.
Insegurança econômica: Embora índices de crescimento da economia, níveis de desemprego e de inflação comecem o ano com resultados positivos, a tendência é de desaceleração do crescimento, em parte provocada pelos juros elevados, quadro bem diferente do de 2006.
Empreendedores informais: Menos impactado pelos programas federais, o empreendedor informal é um público com o qual o governo tem dificuldades para dialogar e oferecer políticas públicas. São exemplos dessa fatia os motoristas e entregadores de aplicativos. (Com informações do jornal O Globo)
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Lula enfrentou em 2025 uma crise de popularidade que levou sua aprovação aos níveis mais baixos de seus três mandatos, mas chega ao fim do ano com uma taxa de ótimo e bom de sua administração superior à que tinha no início de 2006, quando se encaminhava para disputar sua primeira reeleição, tendo, à época, como principal rival o ex-tucano e hoje vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em dezembro de 2005, apenas 28% dos eleitores classificavam o governo Lula como ótimo ou bom, segundo o Datafolha, uma queda acentuada em relação aos 45% registrados um ano antes. O principal fator de desgaste era o escândalo do mensalão, que dominava o noticiário e era explorado de forma sistemática pela oposição tucana na pré-campanha eleitoral.
Já em 2025, a aprovação do presidente subiu de 24% em fevereiro para 32% na pesquisa mais recente do Datafolha — o índice se aproximou ao registrado no fim de 2024 antes da queda de popularidade com a crise do Pix. Se a inflação dos alimentos era o principal fator de desgaste, afetando sobretudo os eleitores de baixa renda, ao longo do ano, uma safra recorde de grãos e a manutenção dos juros em patamar elevado contribuíram para desacelerar os preços. A inflação acumulada em 12 meses no grupo alimentos e bebidas caiu de cerca de 7% para 3,88%, segundo o IPCA.
Contexto
A avaliação de especialistas é que, apesar do patamar de avaliação melhor do que há 20 anos e das notícias potencialmente positivas, como a perspectiva de queda dos juros a partir de fevereiro, o contexto econômico atual é menos favorável do que o de 2006.
“Naquele período, a economia estava em aceleração. Agora, a tendência é de desaceleração do crescimento, em parte provocada pelos juros elevados. Ainda assim, os três fatores que mais influenciam a popularidade (crescimento da economia, níveis de desemprego e de inflação) iniciam 2026 em níveis positivos”, diz o cientista político Antônio Lavareda.
Ainda assim, quem acompanha de perto o cenário eleitoral cita diferenças estruturais importantes entre os períodos. Para Mauro Paulino, ex-diretor do Instituto Datafolha, é preciso levar em consideração que, em 2006, as redes sociais não tinham o peso que têm hoje. Para ele, temas como segurança pública e insegurança econômica ganharam centralidade na definição do voto, especialmente entre jovens e mulheres, e podem pesar contra o governo Lula.
Pauta central
A segurança pública, em particular, tende a ocupar espaço central no debate eleitoral. Pesquisa Quaest de novembro aponta que 38% dos eleitores já consideram a violência o principal problema do país.
O tema é um dos pontos sensíveis para o governo petista, que não conseguiu aprovar em 2025 suas principais propostas para a área — a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e o projeto Antifacção. Ao mesmo tempo, o assunto deverá ser pautado principalmente pelos candidatos de oposição a Lula.
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Pontos de preocupação
Agenda da segurança: Enquanto o tema é citado por 38% dos eleitores como o principal problema do país, segundo a pesquisa Genial/Quaest — maior patamar entre as áreas —, o governo Lula não conseguiu aprovar em 2025 suas principais propostas para a segurança pública.
Insegurança econômica: Embora índices de crescimento da economia, níveis de desemprego e de inflação comecem o ano com resultados positivos, a tendência é de desaceleração do crescimento, em parte provocada pelos juros elevados, quadro bem diferente do de 2006.
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