Ministros votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo.
Foto: Andressa Anholete/STF
Ministros votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo. (Foto: Andressa Anholete/STF)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule os votos dos ex-ministros Luis Roberto Barroso e Rosa Weber na ação que descriminaliza o aborto até 12 semanas de gestação. A entidade católica participa da ação que corre na Corte como “amicus curiae” e afirma no documento que a tramitação do processo tem sido marcada por violações do devido processo legal e ao direito da ampla defesa e do contraditório.
“Amicus curiae” significa “amigo da corte”, em latim, e se refere a um terceiro (pessoa ou entidade) que não é parte em um processo judicial, mas é admitido para fornecer informações ou esclarecer questões técnicas à justiça.
Tanto Barroso quanto Rosa Weber votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo Tribunal Federal. A CNBB alega, entretanto, que ambos os votos devem ser anulados. A Conferência alega, entre outros pontos, que foi dado um prazo muito pequeno para as organizações que participam do processo apresentarem seus argumentos e que o voto de Rosa Weber foi incluído no Plenário Virtual após Luís Roberto Barroso pedir destaque da votação, em 2023.
O pedido de destaque é feito quando um ministro deseja que a votação seja feita de forma presencial, no plenário físico.
“Ignorando a interrupção do julgamento virtual pelo destaque já lançado, a então Ministra Relatora Rosa Weber inseriu seu voto no sistema. Tal voto, além de ter sido lançado em sessão já legalmente encerrada pelo destaque, foi juntado de forma incompleta, contendo a marca d’água “Em elaboração””, afirmaram os advogados da CNBB.
Na ocasião, a CNBB impetrou uma ação questionando os pontos, mas o processo foi considerado prejudicado porque, segundo o relator do caso, o ministro Dias Toffoli, o pedido de destaque de Barroso garantia que o caso seria levado a julgamento presencial, onde os advogados poderiam fazer suas sustentações.
Entretanto, na véspera de sua aposentadoria, Barroso retirou seu destaque e também proferiu seu voto no Plenário Virtual, com a convocação de “sessão virtual extraordinária”, alegando urgência no processo.
No processo, a CNBB afirmou que não existe precedente nas ações tomadas pelo ex-ministro Barroso, afirmando que sua aposentadoria não pode ser considerada um argumento de urgência para que o processo seja reaberto.
“Assim, sabendo que a população brasileira é majoritariamente contra a pauta que ele pessoalmente sempre defendeu, contrariando a cláusula máxima da Constituição Federal, de que todo poder emana do povo, criou a inexistente “retirada de destaque” e pediu a inclusão em sessão extraordinária, “extraordinaríssima”!, posto que nunca visto algo dessa natureza na Suprema Corte do país, para atender o desejo pessoal do ex-Ministro de votar no feito e impedir que o ministro que o sucederá, e que ocupará a cadeira de Ministro por longos anos pudesse participar do julgamento da ação que trata do direito mais básico e elementar de todo ser-humano: a vida”, afirmou a CNBB.
https://www.osul.com.br/conferencia-nacional-dos-bispos-do-brasil-pede-que-o-supremo-anule-votos-de-barroso-e-rosa-weber-sobre-descriminalizacao-do-aborto/ Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pede que o Supremo anule votos de Barroso e Rosa Weber sobre descriminalização do aborto 2025-11-02
Nascido em 1980, chefe da AGU poderia se aposentar até 2055. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) Em todo o período republicano, o advogado-geral da União Jorge Messias, de 45 anos, pode vir a se tornar o sexto ministro mais longevo do STF (Supremo Tribunal Federal), caso tenha sua aprovação ao cargo concretizada, mostra levantamento da Folha de …
Escândalos atingem aliados do governo e podem ter desdobramentos na política e na economia no ano eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O governo termina o ano com uma prioridade para 2026: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não vai inventar marola nem novo programa. De agora em diante, tudo o que for …
Reportagem da Reuters diz que “ninguém sentiu a força dessa fúria (de Trump), nem a desprezou com tanto desdém, quanto Alexandre de Moraes”.(Foto: Luiz Silveira/STF) Com o início da fase final do julgamento de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes desafia a ira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e testa a paciência …
Sóstenes Cavalcante afirma que Alexandre de Moraes tem “sonho’ de entregar foto de Bolsonaro na prisão para Lula. (Foto: Reprodução) O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a bancada da oposição recorrerá novamente à obstrução e pode organizar até um novo motim no plenário da Casa se Hugo Motta …
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pede que o Supremo anule votos de Barroso e Rosa Weber sobre descriminalização do aborto
Ministros votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo.
Foto: Andressa Anholete/STF
Ministros votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo. (Foto: Andressa Anholete/STF)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule os votos dos ex-ministros Luis Roberto Barroso e Rosa Weber na ação que descriminaliza o aborto até 12 semanas de gestação. A entidade católica participa da ação que corre na Corte como “amicus curiae” e afirma no documento que a tramitação do processo tem sido marcada por violações do devido processo legal e ao direito da ampla defesa e do contraditório.
“Amicus curiae” significa “amigo da corte”, em latim, e se refere a um terceiro (pessoa ou entidade) que não é parte em um processo judicial, mas é admitido para fornecer informações ou esclarecer questões técnicas à justiça.
Tanto Barroso quanto Rosa Weber votaram de forma favorável à descriminalização do aborto dias antes de deixarem o Supremo Tribunal Federal. A CNBB alega, entretanto, que ambos os votos devem ser anulados. A Conferência alega, entre outros pontos, que foi dado um prazo muito pequeno para as organizações que participam do processo apresentarem seus argumentos e que o voto de Rosa Weber foi incluído no Plenário Virtual após Luís Roberto Barroso pedir destaque da votação, em 2023.
O pedido de destaque é feito quando um ministro deseja que a votação seja feita de forma presencial, no plenário físico.
“Ignorando a interrupção do julgamento virtual pelo destaque já lançado, a então Ministra Relatora Rosa Weber inseriu seu voto no sistema. Tal voto, além de ter sido lançado em sessão já legalmente encerrada pelo destaque, foi juntado de forma incompleta, contendo a marca d’água “Em elaboração””, afirmaram os advogados da CNBB.
Na ocasião, a CNBB impetrou uma ação questionando os pontos, mas o processo foi considerado prejudicado porque, segundo o relator do caso, o ministro Dias Toffoli, o pedido de destaque de Barroso garantia que o caso seria levado a julgamento presencial, onde os advogados poderiam fazer suas sustentações.
Entretanto, na véspera de sua aposentadoria, Barroso retirou seu destaque e também proferiu seu voto no Plenário Virtual, com a convocação de “sessão virtual extraordinária”, alegando urgência no processo.
No processo, a CNBB afirmou que não existe precedente nas ações tomadas pelo ex-ministro Barroso, afirmando que sua aposentadoria não pode ser considerada um argumento de urgência para que o processo seja reaberto.
“Assim, sabendo que a população brasileira é majoritariamente contra a pauta que ele pessoalmente sempre defendeu, contrariando a cláusula máxima da Constituição Federal, de que todo poder emana do povo, criou a inexistente “retirada de destaque” e pediu a inclusão em sessão extraordinária, “extraordinaríssima”!, posto que nunca visto algo dessa natureza na Suprema Corte do país, para atender o desejo pessoal do ex-Ministro de votar no feito e impedir que o ministro que o sucederá, e que ocupará a cadeira de Ministro por longos anos pudesse participar do julgamento da ação que trata do direito mais básico e elementar de todo ser-humano: a vida”, afirmou a CNBB.
https://www.osul.com.br/conferencia-nacional-dos-bispos-do-brasil-pede-que-o-supremo-anule-votos-de-barroso-e-rosa-weber-sobre-descriminalizacao-do-aborto/
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pede que o Supremo anule votos de Barroso e Rosa Weber sobre descriminalização do aborto
2025-11-02
Related Posts
Se for aprovado pelo Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, pode se tornar o 6º ministro mais longevo do Supremo nos últimos 134 anos
Nascido em 1980, chefe da AGU poderia se aposentar até 2055. (Foto: Rosinei Coutinho/STF) Em todo o período republicano, o advogado-geral da União Jorge Messias, de 45 anos, pode vir a se tornar o sexto ministro mais longevo do STF (Supremo Tribunal Federal), caso tenha sua aprovação ao cargo concretizada, mostra levantamento da Folha de …
O governo termina o ano com uma prioridade para 2026: a reeleição do presidente Lula
Escândalos atingem aliados do governo e podem ter desdobramentos na política e na economia no ano eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O governo termina o ano com uma prioridade para 2026: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não vai inventar marola nem novo programa. De agora em diante, tudo o que for …
Julgamento de Bolsonaro: Alexandre de Moraes desafia a ira de Trump e testa a paciência de seus pares no Supremo, diz reportagem da Reuters
Reportagem da Reuters diz que “ninguém sentiu a força dessa fúria (de Trump), nem a desprezou com tanto desdém, quanto Alexandre de Moraes”.(Foto: Luiz Silveira/STF) Com o início da fase final do julgamento de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes desafia a ira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e testa a paciência …
Líder do partido de Bolsonaro cogita novo motim na Câmara dos Deputados se o presidente da Casa não pautar anistia
Sóstenes Cavalcante afirma que Alexandre de Moraes tem “sonho’ de entregar foto de Bolsonaro na prisão para Lula. (Foto: Reprodução) O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a bancada da oposição recorrerá novamente à obstrução e pode organizar até um novo motim no plenário da Casa se Hugo Motta …