“Comprei esse processo”; Polícia Federal rastreia diálogos de lobistas vinculados aos gabinetes dos ministros Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Og Fernandes
“Os diálogos apontam que o envolvimento funcional não se restringia a Daimler, alcançando outros servidores”, diz a PF. (Foto: PF/Divulgação)
Novo relatório da Polícia Federal no âmbito da Operação Sisamnes reforça a suspeita de que servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vinculados aos gabinetes dos ministros Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Og Fernandes mantinham contato com os lobistas Andreson de Oliveira Gonçalves e Roberto Zampieri. Segundo a PF, o grupo articulava um esquema de venda de sentenças que envolvia antecipação de minutas, promessas de influência sobre ministros e contratos milionários de advocacia e consultoria usados para disfarçar o repasse de valores.
Os ministros não são alvo da investigação. Og Fernandes afirmou que “não tem conhecimento desses novos fatos e que, respeitando o direito ao contraditório, quem cometer ato ilícito deve assumir as consequências legais cabíveis”. O gabinete de Nancy Andrighi disse “que os processos de responsabilização encontram-se em andamento, a fim de que os fatos sejam devidamente esclarecidos e os responsáveis, punidos de forma exemplar”.
Isabel Gallotti afirmou que “desconhece o conteúdo da investigação, porque tramita em sigilo”, e que seu gabinete “está à disposição, a fim de que sejam cabalmente apurados os fatos ocorridos e responsabilizados todos os envolvidos”.
Pelo menos três assessores já estão sob suspeita, mas outros podem ser identificados. Eles seriam responsáveis por manipular decisões, interferir em processos e vazar detalhes de investigações que envolviam magistrados ligados à suposta venda de sentenças.
O portal Estadão teve acesso ao documento, subscrito pelo delegado Marco Bontempo. Diálogos entre Andreson e Zampieri
“Eu comprei esse processo, essa briga processual, eu estou nela há mais de dez anos, Andreson. Ninguém imagina o que eu já gastei nisso”
Roberto Zampieri Lobista, foi executado em 2023 indicam como o esquema operava. Segundo os investigadores, as conversas revelam um primeiro fluxo de corrupção, descrito como “de fora para dentro”, no qual as partes interessadas – os “clientes” – buscavam o Judiciário em troca de decisões favoráveis.
O mecanismo fica evidente, segundo a PF, em mensagens trocadas em 20 de junho de 2019, quando os lobistas discutem o pagamento relacionado a um processo que estaria em curso no gabinete de Isabel Gallotti – não há indicativos de que ela soubesse do movimento dos lobistas.
“Assunto novo”, diz Andreson. “Está em segredo de Justiça? É pra negar liminar?”, devolve Zampieri. “Sim. Veja valor”, instrui Andreson. Quatro meses depois, em 16 de outubro de 2019, Andreson orienta Zampieri a cobrar o pagamento. “Manda ele pagar o da Gallotti, que já resolveu”, diz Andreson. “É que tem momentos em que o povo não tem grana”, pondera Zampieri. “Aí é foda… sem grana não anda”, retruca Andreson. Para os investigadores, a expressão “o da Galotti” seria referência ao servidor do gabinete da ministra ligado ao esquema.
Em 10 de outubro de 2019, Zampieri diz: “Eu comprei esse processo, comprei a área, essa briga processual, eu estou nela há mais de dez anos, Andreson. Ninguém imagina o que eu já gastei nisso”. Já em 26 de março de 2022, Zampieri estipulou um valor para supostamente influenciar decisões da Corte: “Vocês têm que preparar uns R$ 20 milhões para investir lá em cima, e aí resolve, caso contrário é perigoso”, escreve Zampieri.
As suspeitas da PF não se limitam aos três servidores já identificados – Daimler Alberto de Campos, que foi chefe de gabinete de Gallotti; Márcio José Toledo Pinto, que trabalhou para a ministra e outros integrantes da Corte e foi exonerado após sindicância; e Rodrigo Falcão, que foi chefe de gabinete de Og Fernandes.
Eles são apontados como peças centrais no esquema, mas os investigadores acreditam que outros assessores também tenham repassado informações sensíveis a Andreson. Procuradas, as defesas dos citados não se manifestaram.
“Os diálogos apontam que o envolvimento funcional não se restringia a Daimler, alcançando outros servidores”, diz a PF. As hipóteses criminais apuradas pela PF, sob condução do ministro Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal (STF), se concentram em processos de falência de empresas do agronegócio.
Andreson cumpre prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT) desde julho. Zampieri foi assassinado a tiros, em dezembro de 2023, em Cuiabá. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/comprei-esse-processo-policia-federal-rastreia-dialogos-de-lobistas-vinculados-aos-gabinetes-dos-ministros-isabel-gallotti-nancy-andrighi-e-og-fernandes/ “Comprei esse processo”; Polícia Federal rastreia diálogos de lobistas vinculados aos gabinetes dos ministros Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Og Fernandes 2025-10-25
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Isabel Gallotti afirmou que “desconhece o conteúdo da investigação, porque tramita em sigilo”, e que seu gabinete “está à disposição, a fim de que sejam cabalmente apurados os fatos ocorridos e responsabilizados todos os envolvidos”.
Pelo menos três assessores já estão sob suspeita, mas outros podem ser identificados. Eles seriam responsáveis por manipular decisões, interferir em processos e vazar detalhes de investigações que envolviam magistrados ligados à suposta venda de sentenças.
O portal Estadão teve acesso ao documento, subscrito pelo delegado Marco Bontempo. Diálogos entre Andreson e Zampieri
“Eu comprei esse processo, essa briga processual, eu estou nela há mais de dez anos, Andreson. Ninguém imagina o que eu já gastei nisso”
Roberto Zampieri Lobista, foi executado em 2023 indicam como o esquema operava. Segundo os investigadores, as conversas revelam um primeiro fluxo de corrupção, descrito como “de fora para dentro”, no qual as partes interessadas – os “clientes” – buscavam o Judiciário em troca de decisões favoráveis.
O mecanismo fica evidente, segundo a PF, em mensagens trocadas em 20 de junho de 2019, quando os lobistas discutem o pagamento relacionado a um processo que estaria em curso no gabinete de Isabel Gallotti – não há indicativos de que ela soubesse do movimento dos lobistas.
“Assunto novo”, diz Andreson. “Está em segredo de Justiça? É pra negar liminar?”, devolve Zampieri. “Sim. Veja valor”, instrui Andreson. Quatro meses depois, em 16 de outubro de 2019, Andreson orienta Zampieri a cobrar o pagamento. “Manda ele pagar o da Gallotti, que já resolveu”, diz Andreson. “É que tem momentos em que o povo não tem grana”, pondera Zampieri. “Aí é foda… sem grana não anda”, retruca Andreson. Para os investigadores, a expressão “o da Galotti” seria referência ao servidor do gabinete da ministra ligado ao esquema.
Em 10 de outubro de 2019, Zampieri diz: “Eu comprei esse processo, comprei a área, essa briga processual, eu estou nela há mais de dez anos, Andreson. Ninguém imagina o que eu já gastei nisso”. Já em 26 de março de 2022, Zampieri estipulou um valor para supostamente influenciar decisões da Corte: “Vocês têm que preparar uns R$ 20 milhões para investir lá em cima, e aí resolve, caso contrário é perigoso”, escreve Zampieri.
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2025-10-25
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