Fux afirmou que existe um acordo na turma sobre os pedidos de “aparte”. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu para não ser interrompido por colegas enquanto vota na ação da trama golpista. A solicitação foi vista como incomum por outros magistrados da Corte.
Basta lembrar do que aconteceu em relação ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja condenação em Curitiba em 2018 terminou anulada pela polêmica de foro, para entender o tamanho da brecha aberta por Fux para que o julgamento de Bolsonaro seja anulado algum dia, caso a composição da corte mude.
Mas a surpresa do bolsonarismo não ficou só nisso. Fux também acatou a preliminar que alegou cerceamento de direito de defesa. É um fortalecimento da narrativa de perseguição que está na coluna cervical da argumentação usada pelo presidente americano Donald Trump para sancionar o Brasil. Justifica até o uso da Lei Magnitsky contra Moraes.
Ao examinar o mérito, Fux foi aderindo uma a uma a todas as teses da defesa de Bolsonaro, em todos os pontos da acusação, mas fixou um entendimento teórico de enorme alcance: desqualificou o enquadramento de tentativa de um autogolpe como tentativa de golpe de Estado, afirmando que isso abriria um “precedente gravíssimo” para a responsabilização de agentes políticos.
Para desqualificar a imputação de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, Fux alegou inconsistências nos testemunhos do coronel Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro) e do brigadeiro Baptista Júnior (ex-comandante da Aeronáutica).
Também avançou bastante em desqualificar as evidências. De fato é difícil justificar a existência da “Operação Luneta”, o documento que falava em “neutralizar Alexandre Moraes”, se tudo que existir em relação a esta trama for o arquivo encontrado em pen drive gerado mais de um mês depois da conspiração ser abortada, como mencionou Fux.
Quando Fux não teve como fazer desconstrução de prova, como foi o caso da “Punhal Verde Amarelo”, inequivocamente impresso pelo general Mário Fernandes no Palácio do Planalto no dia 6 de dezembro, o ministro não se deu por achado: afirmou de que é uma ilação pensar que Bolsonaro tenha visto o documento.
Um voto com a extensão da adotada por Fux, mais do dobro do longo voto de cinco horas de Moraes, começou a gerar consequências antes mesmo do seu final. Um de seus possíveis subprodutos pode ser a mudança de estratégia da oposição em relação ao tema da anistia. Afinal, se a arguição da nulidade do processo se tornar uma alternativa para Bolsonaro, inclusive abrindo espaço para embargos judiciais, um dos argumentos que impulsiona o projeto no Congresso fica enfraquecido.
A outra consequência pode ser o estímulo para a Casa Branca renovar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, com novas sanções de diversa ordem tanto a Moraes quanto a ministros que o acompanhem no voto condenatório, como Flávio Dino. O voto de Fux legitima uma visão de que magistrados no Brasil infringem normas internacionais de direitos humanos. As informações de O Estado de S. Paulo
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“Coisa de quem está inseguro”: ministros comentam pedido de Luiz Fux para não ser interrompido no Supremo
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Basta lembrar do que aconteceu em relação ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja condenação em Curitiba em 2018 terminou anulada pela polêmica de foro, para entender o tamanho da brecha aberta por Fux para que o julgamento de Bolsonaro seja anulado algum dia, caso a composição da corte mude.
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Para desqualificar a imputação de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, Fux alegou inconsistências nos testemunhos do coronel Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro) e do brigadeiro Baptista Júnior (ex-comandante da Aeronáutica).
Também avançou bastante em desqualificar as evidências. De fato é difícil justificar a existência da “Operação Luneta”, o documento que falava em “neutralizar Alexandre Moraes”, se tudo que existir em relação a esta trama for o arquivo encontrado em pen drive gerado mais de um mês depois da conspiração ser abortada, como mencionou Fux.
Quando Fux não teve como fazer desconstrução de prova, como foi o caso da “Punhal Verde Amarelo”, inequivocamente impresso pelo general Mário Fernandes no Palácio do Planalto no dia 6 de dezembro, o ministro não se deu por achado: afirmou de que é uma ilação pensar que Bolsonaro tenha visto o documento.
Um voto com a extensão da adotada por Fux, mais do dobro do longo voto de cinco horas de Moraes, começou a gerar consequências antes mesmo do seu final. Um de seus possíveis subprodutos pode ser a mudança de estratégia da oposição em relação ao tema da anistia. Afinal, se a arguição da nulidade do processo se tornar uma alternativa para Bolsonaro, inclusive abrindo espaço para embargos judiciais, um dos argumentos que impulsiona o projeto no Congresso fica enfraquecido.
A outra consequência pode ser o estímulo para a Casa Branca renovar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, com novas sanções de diversa ordem tanto a Moraes quanto a ministros que o acompanhem no voto condenatório, como Flávio Dino. O voto de Fux legitima uma visão de que magistrados no Brasil infringem normas internacionais de direitos humanos. As informações de O Estado de S. Paulo
https://www.osul.com.br/coisa-de-quem-esta-inseguro-ministros-comentam-pedido-de-luiz-fux-para-nao-ser-interrompido-no-supremo/
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