Ele considera que o Supremo tem tomado decisões que cabem ao Congresso Nacional. (Foto: Fabiano Panizzi)
O cientista político Fernando Schüler avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou um “Poder Moderador”, instância da época do Império que tinha a prerrogativa de interferir nos demais Poderes. Ele considera que o Supremo tem tomado decisões que cabem ao Congresso Nacional.
“O Brasil precisa reencontrar o caminho institucional de retomada do Estado de Direito. O Estado de Direito é a nossa proteção”, afirmou Schüler.
O cientista político avalia ser inegável que houve movimentos para uma virada de mesa após a eleição de 2022, mas vê problemas na condução do processo contra Jair Bolsonaro (PL) feita pelo STF, assim como no caso dos condenados pelo 8 de Janeiro.
“Tudo isso cria um caldo, digamos assim, jurídico e político para uma discussão como a da anistia.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Pela primeira vez temos um ex-presidente sendo julgado no STF por uma tentativa de golpe. O que isso nos diz sobre a democracia brasileira?
Passamos por um momento de instabilidade, de tensão na nossa democracia. Efetivamente, no final de 2022, houve movimentações na direção de uma virada de mesa. Isso é inegável. O próprio advogado do ex-presidente Bolsonaro reconhece isso. E os fatos são conhecidos. Muita gente, não só as pessoas que acampavam na frente dos quartéis, pedindo generais, uma virada de mesa.
Como chegamos nesse ponto? Óbvio que teve problemas nas eleições. Óbvio que há um processo de muita flexibilização das normas do Estado de Direito, teve muita censura no País. E teve esse lado de tentativa, especulação ou cogitação de virada de mesa.
Também há problemas no processo. Aquelas pessoas, especialmente o ex-presidente, não têm foro por prerrogativa de função. Isso parece um detalhe. No Brasil, a gente talvez tenha uma tradição de não nos preocuparmos devidamente, ou darmos a devida atenção, às formalidades republicanas. E as formalidades republicanas são essenciais numa democracia liberal-constitucional. Na minha impressão, e eu me lembro até da avaliação feita pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello, o próprio ministro Fux. Primeiro, deveria ter sido respeitada a instância devida. Me parece básico isso.
Há uma discussão jurídica, que eu acho que é o cerne da discussão do julgamento do Bolsonaro. Que houve articulações, cogitações, conversas, consultas, é inegável. Que isto configure crime no sentido da tipificação no Código Penal, da Lei de Defesa da Democracia? O presidente faz uma consulta aos comandantes militares. A Procuradora-Geral da República interpreta, no fundo, a consulta já como o curso do golpe, o curso da virada de mesa. Há outros juristas que encaram isso como atos preparatórios, atos preliminares. Não teria sido dada a ordem, teria havido um recuo.
Isso não está em questão objetiva no julgamento, porque acho que a decisão está tomada. A Primeira Turma tem uma posição fixada, seja por maioria ou unanimidade. Mas será objeto de muita reflexão no direito, na historiografia, na ciência política brasileira por muito tempo. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/cientista-politico-avalia-que-supremo-se-tornou-um-poder-moderador-instancia-do-imperio-que-podia-interferir-nos-demais-poderes/ Cientista político avalia que Supremo se tornou um “poder moderador”, instância do Império que podia interferir nos demais poderes 2025-09-07
“O fato de Trump ter travado uma guerra comercial para defender seu colega golpista não apenas rompeu as relações EUA-Brasil, como foi feito às custas das famílias americanas impactadas pelo que são, na prática, impostos”. (Foto: Reprodução) Três deputados norte-americanos do Partido Democrata divulgaram uma carta na qual solicitam que o presidente Donald Trump revogue …
Alcolumbre afirmou que o governo terá que “apostar uma corrida” para ver quem serão os primeiros 41 senadores a registrarem o voto no plenário porque encerrará a votação pouco depois do quórum ser atingido. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado) O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a aliados ter 60 votos para rejeitar a …
Barroso comanda o STF desde setembro de 2023 e deixa o cargo na segunda-feira 29 para dar lugar ao ministro Edson Fachin. (Foto: Antonio Augusto/STF) De saída da presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso fez um balanço de sua gestão que a única frustração de seu mandato foi ter afirmado que …
De perfil discreto, Pacheco tem ampla interlocução no mundo político e no Judiciário. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) De perfil discreto mas com ampla interlocução no mundo político e no Judiciário, o senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) intensificou nos últimos dois meses as articulações de bastidor para se apresentar como candidato viável …
Cientista político avalia que Supremo se tornou um “poder moderador”, instância do Império que podia interferir nos demais poderes
Ele considera que o Supremo tem tomado decisões que cabem ao Congresso Nacional. (Foto: Fabiano Panizzi)
O cientista político Fernando Schüler avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou um “Poder Moderador”, instância da época do Império que tinha a prerrogativa de interferir nos demais Poderes. Ele considera que o Supremo tem tomado decisões que cabem ao Congresso Nacional.
“O Brasil precisa reencontrar o caminho institucional de retomada do Estado de Direito. O Estado de Direito é a nossa proteção”, afirmou Schüler.
O cientista político avalia ser inegável que houve movimentos para uma virada de mesa após a eleição de 2022, mas vê problemas na condução do processo contra Jair Bolsonaro (PL) feita pelo STF, assim como no caso dos condenados pelo 8 de Janeiro.
“Tudo isso cria um caldo, digamos assim, jurídico e político para uma discussão como a da anistia.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Pela primeira vez temos um ex-presidente sendo julgado no STF por uma tentativa de golpe. O que isso nos diz sobre a democracia brasileira?
Passamos por um momento de instabilidade, de tensão na nossa democracia. Efetivamente, no final de 2022, houve movimentações na direção de uma virada de mesa. Isso é inegável. O próprio advogado do ex-presidente Bolsonaro reconhece isso. E os fatos são conhecidos. Muita gente, não só as pessoas que acampavam na frente dos quartéis, pedindo generais, uma virada de mesa.
Como chegamos nesse ponto? Óbvio que teve problemas nas eleições. Óbvio que há um processo de muita flexibilização das normas do Estado de Direito, teve muita censura no País. E teve esse lado de tentativa, especulação ou cogitação de virada de mesa.
Também há problemas no processo. Aquelas pessoas, especialmente o ex-presidente, não têm foro por prerrogativa de função. Isso parece um detalhe. No Brasil, a gente talvez tenha uma tradição de não nos preocuparmos devidamente, ou darmos a devida atenção, às formalidades republicanas. E as formalidades republicanas são essenciais numa democracia liberal-constitucional. Na minha impressão, e eu me lembro até da avaliação feita pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello, o próprio ministro Fux. Primeiro, deveria ter sido respeitada a instância devida. Me parece básico isso.
Há uma discussão jurídica, que eu acho que é o cerne da discussão do julgamento do Bolsonaro. Que houve articulações, cogitações, conversas, consultas, é inegável. Que isto configure crime no sentido da tipificação no Código Penal, da Lei de Defesa da Democracia? O presidente faz uma consulta aos comandantes militares. A Procuradora-Geral da República interpreta, no fundo, a consulta já como o curso do golpe, o curso da virada de mesa. Há outros juristas que encaram isso como atos preparatórios, atos preliminares. Não teria sido dada a ordem, teria havido um recuo.
Isso não está em questão objetiva no julgamento, porque acho que a decisão está tomada. A Primeira Turma tem uma posição fixada, seja por maioria ou unanimidade. Mas será objeto de muita reflexão no direito, na historiografia, na ciência política brasileira por muito tempo. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/cientista-politico-avalia-que-supremo-se-tornou-um-poder-moderador-instancia-do-imperio-que-podia-interferir-nos-demais-poderes/
Cientista político avalia que Supremo se tornou um “poder moderador”, instância do Império que podia interferir nos demais poderes
2025-09-07
Related Posts
Deputados dos Estados Unidos chamam Bolsonaro de golpista e apelam a Trump pelo fim do tarifaço
“O fato de Trump ter travado uma guerra comercial para defender seu colega golpista não apenas rompeu as relações EUA-Brasil, como foi feito às custas das famílias americanas impactadas pelo que são, na prática, impostos”. (Foto: Reprodução) Três deputados norte-americanos do Partido Democrata divulgaram uma carta na qual solicitam que o presidente Donald Trump revogue …
Indicação de novo ministro do Supremo: Presidente do Senado ameaça sessão relâmpago para derrotar o escolhido por Lula
Alcolumbre afirmou que o governo terá que “apostar uma corrida” para ver quem serão os primeiros 41 senadores a registrarem o voto no plenário porque encerrará a votação pouco depois do quórum ser atingido. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado) O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a aliados ter 60 votos para rejeitar a …
“Derrotamos o bolsonarismo”: o arrependimento de Barroso ao deixar o comando do Supremo
Barroso comanda o STF desde setembro de 2023 e deixa o cargo na segunda-feira 29 para dar lugar ao ministro Edson Fachin. (Foto: Antonio Augusto/STF) De saída da presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso fez um balanço de sua gestão que a única frustração de seu mandato foi ter afirmado que …
Senador Rodrigo Pacheco está de olho em vaga de ministro do Supremo
De perfil discreto, Pacheco tem ampla interlocução no mundo político e no Judiciário. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) De perfil discreto mas com ampla interlocução no mundo político e no Judiciário, o senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) intensificou nos últimos dois meses as articulações de bastidor para se apresentar como candidato viável …