Articulação coincide com prisão do ex-presidente (E) e unificação de centrão em torno de Tarcísio de Freitas (D). (Foto: Reprodução)
A menos de 11 meses das eleições de 2026, o bolsonarismo vive uma tentativa velada de sucessão em que parte dos atores busca assumir o protagonismo na direita sem repetir o confronto direto que marcou a primeira geração de dissidentes – quase todos politicamente anulados após romperem e baterem de frente com Jair Bolsonaro.
Se de 2019 a 2022 figuras como Joice Hasselmann e Janaina Paschoal desabaram da casa dos milhões de votos para a insignificância eleitoral após colidirem abertamente com o clã Bolsonaro, agora o novo movimento toma o cuidado de manter a reverência ao ex-presidente ao mesmo tempo em que se vende publicamente com um figurino mais ao centro.
A união do centrão – grupo de centro-direita e de direta que controla o Congresso – e de boa parte do empresariado e do mundo financeiro em torno do nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), somada à articulação de colegas governadores de direita correndo por fora, compõem a face mais visível desse redesenho.
A primeira leva de dissidentes trombou com Bolsonaro no poder e com boa perspectiva de reeleição. A segunda tem a seu favor a vantagem de vê-lo condenado e preso.
O atual modelo que busca suceder a liderança do ex-presidente no campo da direita teve a semente plantada na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2024, quando Pablo Marçal quase desbancou o nome oficial do bolsonarismo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Ali constatou-se que, a depender do perfil e do jeito em que a dissidência se dá, não há necessariamente a morte eleitoral ao se descumprir ordens de Bolsonaro.
Em meio a esse xadrez e com o ex-presidente preso, os seus filhos mais velhos, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos, todos do PL, tentam manter o bastão da direita nas mãos da família.
Além de tentar passar a imagem de que o bolsonarismo tem dono e hierarquia e não está aberto a sucessão, cobram publicamente não só apoio como ação em prol do pai.
Flávio Bolsonaro avançou em seus movimentos para se lançar candidato à Presidência da República, cenário de pesadelo para o centrão e seu plano de unificar a direita em torno de Tarcísio.
Em entrevista recente à Jovem Pan, Eduardo voltou a manifestar que vê muita gente na direita tentando se passar pelo que não é.
“Ao se retirar o Jair Bolsonaro da equação, não encontra-se um outro líder que aglutine todo mundo”, afirmou, frisando que vai estar no campo oposto ao de Lula em 2026, mas que o que não quer “é que as pessoas levem gato por lebre”.
A cobrança tem endereço: Tarcísio em especial, mas também os demais governadores da direita (que foram acusados pelos filhos do ex-presidente de agirem como “ratos”) e outras figuras como o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Na visão do entorno da família, por exemplo, Nikolas não usa seu prestígio para pressionar pela reversão da situação de Bolsonaro. O deputado foi o campeão de votos à Câmara dos Deputados em 2022 e tem grande presença nas redes sociais.
“Nikolas quer se livrar do Bolsonaro de vez. Ele está liderando uma dissidência, e vários políticos mais jovens estão com ele. O problema? O de sempre: ‘Temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor’. Eles querem continuar sendo eleitos pelos bolsonaristas, mas não querem mais prestar contas ao Bolsonaro”, diz postagem compartilhada por Eduardo Bolsonaro em suas redes sociais no início do mês.
As críticas dizem respeito à decisão do clã de despachar Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina, o que rachou o bolsonarismo no estado, tendo como porta-voz contrária à mudança a deputada estadual Ana Campagnolo (PL).
Nikolas, que já havia sido criticado antes pelo filho do ex-presidente, não respondeu. Em sua conta no Instagram, postou uma junção de vídeos ao lado de Jair Bolsonaro.
“Se ficar carimbado de traidor, os votos evaporam”, diz Fabio Wajngarten, que foi secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, sem citar nomes específicos. “Nesses três anos e meio de perseguição ao presidente, fica evidente quem esteve ao lado dele e quem não esteve.”
“Creio que eles vão ter um dilema, que vai persistir até o final. Se eles passam o bastão para alguém antes, para o Tarcísio, eles colocam o Bolsonaro no ostracismo total, isso dificulta a eleição de uma bancada de deputados de extrema-direita. Então acho que eles vão ficar com esses fantasmas”, diz o líder da bancada do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/bolsonarismo-e-ameacado-por-tentativa-de-debandada-filhos-do-ex-presidente-reagem/ Bolsonarismo é ameaçado por tentativa de debandada; filhos do ex-presidente reagem 2025-11-17
Advogado-geral da União afirmou que a prioridade é enfrentar o tarifaço e elogiou fala de Lula na ONU. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a revogação de seu visto para os Estados Unidos já é “página virada”. Segundo ele, a prioridade agora é apoiar o presidente Luiz Inácio Lula …
Paulo Sérgio Neves de Souza é acusado de receber propina para ajudar o Master a burlar a fiscalização do Banco Central. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Paulo Sérgio Neves de Souza é acusado de receber propina para ajudar o Master a burlar a fiscalização do Banco Central. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O ex-diretor de …
O encontro entre os dois presidentes durou 45 minutos e foi o primeiro desde uma rápida conversa durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. (Foto: Reprodução) A reunião entre o presidente do Brasil, Lula, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia, neste domingo (26) pode ser frutífera, apesar de ainda …
Ministra da Secretaria de Relações Institucionais pede indenização por danos morais e remoção de conteúdo. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, entrou com uma ação nessa segunda-feira (16), contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por um vídeo em que ela é associada a organizações …
Bolsonarismo é ameaçado por tentativa de debandada; filhos do ex-presidente reagem
Articulação coincide com prisão do ex-presidente (E) e unificação de centrão em torno de Tarcísio de Freitas (D). (Foto: Reprodução)
A menos de 11 meses das eleições de 2026, o bolsonarismo vive uma tentativa velada de sucessão em que parte dos atores busca assumir o protagonismo na direita sem repetir o confronto direto que marcou a primeira geração de dissidentes – quase todos politicamente anulados após romperem e baterem de frente com Jair Bolsonaro.
Se de 2019 a 2022 figuras como Joice Hasselmann e Janaina Paschoal desabaram da casa dos milhões de votos para a insignificância eleitoral após colidirem abertamente com o clã Bolsonaro, agora o novo movimento toma o cuidado de manter a reverência ao ex-presidente ao mesmo tempo em que se vende publicamente com um figurino mais ao centro.
A união do centrão – grupo de centro-direita e de direta que controla o Congresso – e de boa parte do empresariado e do mundo financeiro em torno do nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), somada à articulação de colegas governadores de direita correndo por fora, compõem a face mais visível desse redesenho.
A primeira leva de dissidentes trombou com Bolsonaro no poder e com boa perspectiva de reeleição. A segunda tem a seu favor a vantagem de vê-lo condenado e preso.
O atual modelo que busca suceder a liderança do ex-presidente no campo da direita teve a semente plantada na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2024, quando Pablo Marçal quase desbancou o nome oficial do bolsonarismo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Ali constatou-se que, a depender do perfil e do jeito em que a dissidência se dá, não há necessariamente a morte eleitoral ao se descumprir ordens de Bolsonaro.
Em meio a esse xadrez e com o ex-presidente preso, os seus filhos mais velhos, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos, todos do PL, tentam manter o bastão da direita nas mãos da família.
Além de tentar passar a imagem de que o bolsonarismo tem dono e hierarquia e não está aberto a sucessão, cobram publicamente não só apoio como ação em prol do pai.
Flávio Bolsonaro avançou em seus movimentos para se lançar candidato à Presidência da República, cenário de pesadelo para o centrão e seu plano de unificar a direita em torno de Tarcísio.
Em entrevista recente à Jovem Pan, Eduardo voltou a manifestar que vê muita gente na direita tentando se passar pelo que não é.
“Ao se retirar o Jair Bolsonaro da equação, não encontra-se um outro líder que aglutine todo mundo”, afirmou, frisando que vai estar no campo oposto ao de Lula em 2026, mas que o que não quer “é que as pessoas levem gato por lebre”.
A cobrança tem endereço: Tarcísio em especial, mas também os demais governadores da direita (que foram acusados pelos filhos do ex-presidente de agirem como “ratos”) e outras figuras como o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Na visão do entorno da família, por exemplo, Nikolas não usa seu prestígio para pressionar pela reversão da situação de Bolsonaro. O deputado foi o campeão de votos à Câmara dos Deputados em 2022 e tem grande presença nas redes sociais.
“Nikolas quer se livrar do Bolsonaro de vez. Ele está liderando uma dissidência, e vários políticos mais jovens estão com ele. O problema? O de sempre: ‘Temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor’. Eles querem continuar sendo eleitos pelos bolsonaristas, mas não querem mais prestar contas ao Bolsonaro”, diz postagem compartilhada por Eduardo Bolsonaro em suas redes sociais no início do mês.
As críticas dizem respeito à decisão do clã de despachar Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina, o que rachou o bolsonarismo no estado, tendo como porta-voz contrária à mudança a deputada estadual Ana Campagnolo (PL).
Nikolas, que já havia sido criticado antes pelo filho do ex-presidente, não respondeu. Em sua conta no Instagram, postou uma junção de vídeos ao lado de Jair Bolsonaro.
“Se ficar carimbado de traidor, os votos evaporam”, diz Fabio Wajngarten, que foi secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, sem citar nomes específicos. “Nesses três anos e meio de perseguição ao presidente, fica evidente quem esteve ao lado dele e quem não esteve.”
“Creio que eles vão ter um dilema, que vai persistir até o final. Se eles passam o bastão para alguém antes, para o Tarcísio, eles colocam o Bolsonaro no ostracismo total, isso dificulta a eleição de uma bancada de deputados de extrema-direita. Então acho que eles vão ficar com esses fantasmas”, diz o líder da bancada do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). (Com informações da Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/bolsonarismo-e-ameacado-por-tentativa-de-debandada-filhos-do-ex-presidente-reagem/
Bolsonarismo é ameaçado por tentativa de debandada; filhos do ex-presidente reagem
2025-11-17
Related Posts
Ministro Jorge Messias minimiza perda de visto para os Estados Unidos e diz que o assunto é “página virada”
Advogado-geral da União afirmou que a prioridade é enfrentar o tarifaço e elogiou fala de Lula na ONU. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a revogação de seu visto para os Estados Unidos já é “página virada”. Segundo ele, a prioridade agora é apoiar o presidente Luiz Inácio Lula …
Ex-diretor do Banco Central cooptado pelo Master vendeu fazenda a cunhado de Vorcaro por R$ 3 milhões
Paulo Sérgio Neves de Souza é acusado de receber propina para ajudar o Master a burlar a fiscalização do Banco Central. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Paulo Sérgio Neves de Souza é acusado de receber propina para ajudar o Master a burlar a fiscalização do Banco Central. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) O ex-diretor de …
Para especialista, o diálogo entre Lula e Trump pode ser frutífero, “mas ainda não dá para falar em vitória”
O encontro entre os dois presidentes durou 45 minutos e foi o primeiro desde uma rápida conversa durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. (Foto: Reprodução) A reunião entre o presidente do Brasil, Lula, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia, neste domingo (26) pode ser frutífera, apesar de ainda …
Gleisi Hoffmann processa Flávio Bolsonaro por causa de vídeo em que é associada a organizações criminosas
Ministra da Secretaria de Relações Institucionais pede indenização por danos morais e remoção de conteúdo. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Gleisi Hoffmann, entrou com uma ação nessa segunda-feira (16), contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por um vídeo em que ela é associada a organizações …