Auditor afirmou que é mais fácil investigar crime organizado do que autoridades públicas. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Em nota divulgada após o depoimento, a associação que representa os auditores fiscais da Receita afirmou que Kleber Cabral foi intimado apenas em razão das declarações concedidas à imprensa após operação contra quatro funcionários do órgão.
O depoimento foi feito por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que teve sua atuação criticada pelo presidente da Unafisco.
Em entrevista à Folha na quinta (19), Cabral disse que “se você perguntar dentro da Receita se alguém quer fiscalizar o crime organizado, aparece meia dúzia”, mas se você for fiscalizar pessoas politicamente expostas, “não vai aparecer ninguém”.
O presidente da entidade relembrou uma fiscalização da Receita de 2018/2019 que foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, também dentro do inquérito das fake news. Na época, auditores teriam acessado dados de parentes dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes em meio a um trabalho de malha fina sobre diversas pessoas. Dois servidores foram afastados, acusados de vazamentos, o que não se confirmou.
Sobre a situação atual, ele disse na quinta que a apuração que a Receita fez a pedido de Moraes só mostrou que houve acessos. Pelo menos em um dos casos, apenas de dados cadastrais. “E já foi imposto à pessoa o cumprimento de pena final, com tornozeleira eletrônica, como se já tivesse sido condenada. Estou criticando essa falta de proporcionalidade, de razoabilidade.”
Em nota, outra entidade, Sindifisco Nacional, diz ver com estranheza a intimação para prestar esclarecimentos à Polícia Federal.
“Caso o filiado tenha sido intimado por conta de suas declarações, na condição de presidente da Unafisco Associação, à imprensa sobre a atuação do STF, consideramos que esta iniciativa é inaceitável pois fere o direito, previsto na Constituição Federal, à liberdade de opinião”, diz a entidade.
A PF também apura se há conexão entre um dos servidores acusados de acesso a dados de ministros do STF e Ricardo Pereira Feitosa, que foi chefe da inteligência da Receita no início do governo Jair Bolsonaro (PL). A relação entre Feitosa e o presidente da Unafisco também será investigada. (Com informações da Folha de S.Paulo)
O gabinete de Moraes foi procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, mas não respondeu aos pedidos da reportagem. (Foto: Antonio Augusto/STF) O Banco Master contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição. …
Avaliação é de que não há problema na participação da primeira-dama, uma vez que ela não é formalmente uma autoridade nem ocupa cargo público. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, desfilará em carro alegórico de uma escola de samba do Rio de Janeiro no domingo de carnaval, 15 de …
André Fidelis e o filho, Eric Fidelis, são investigados no esquema das fraudes no INSS. (Foto: Anasps via YouTube e Fidelis Advocacia) O escritório de advocacia de Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), André Fidelis, movimentou mais de R$ 12 milhões desde a a fundação, em junho …
A legislação brasileira não impõe barreiras a esse tipo de acordo.(Foto: Divulgação) Motivada pelos materiais analisados do celular de Daniel Vorcaro, a nova prisão preventiva do chefe do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado na esteira de fraudes, voltou a fomentar a possibilidade de o banqueiro firmar um acordo de colaboração premiada. A …
Auditor da Receita Federal intimado por Alexandre de Moraes é ouvido pela Polícia Federal como investigado
Auditor afirmou que é mais fácil investigar crime organizado do que autoridades públicas. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Em nota divulgada após o depoimento, a associação que representa os auditores fiscais da Receita afirmou que Kleber Cabral foi intimado apenas em razão das declarações concedidas à imprensa após operação contra quatro funcionários do órgão.
O depoimento foi feito por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que teve sua atuação criticada pelo presidente da Unafisco.
Em entrevista à Folha na quinta (19), Cabral disse que “se você perguntar dentro da Receita se alguém quer fiscalizar o crime organizado, aparece meia dúzia”, mas se você for fiscalizar pessoas politicamente expostas, “não vai aparecer ninguém”.
O presidente da entidade relembrou uma fiscalização da Receita de 2018/2019 que foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, também dentro do inquérito das fake news. Na época, auditores teriam acessado dados de parentes dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes em meio a um trabalho de malha fina sobre diversas pessoas. Dois servidores foram afastados, acusados de vazamentos, o que não se confirmou.
Sobre a situação atual, ele disse na quinta que a apuração que a Receita fez a pedido de Moraes só mostrou que houve acessos. Pelo menos em um dos casos, apenas de dados cadastrais. “E já foi imposto à pessoa o cumprimento de pena final, com tornozeleira eletrônica, como se já tivesse sido condenada. Estou criticando essa falta de proporcionalidade, de razoabilidade.”
Em nota, outra entidade, Sindifisco Nacional, diz ver com estranheza a intimação para prestar esclarecimentos à Polícia Federal.
“Caso o filiado tenha sido intimado por conta de suas declarações, na condição de presidente da Unafisco Associação, à imprensa sobre a atuação do STF, consideramos que esta iniciativa é inaceitável pois fere o direito, previsto na Constituição Federal, à liberdade de opinião”, diz a entidade.
A PF também apura se há conexão entre um dos servidores acusados de acesso a dados de ministros do STF e Ricardo Pereira Feitosa, que foi chefe da inteligência da Receita no início do governo Jair Bolsonaro (PL). A relação entre Feitosa e o presidente da Unafisco também será investigada. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Related Posts
Valor de contrato do Banco Master com a banca de advocacia da família de Alexandre de Moraes é visto como alto
O gabinete de Moraes foi procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, mas não respondeu aos pedidos da reportagem. (Foto: Antonio Augusto/STF) O Banco Master contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição. …
Jurídico do Palácio do Planalto não vê problema, e Janja vai desfilar no carnaval por escola que retratará Lula
Avaliação é de que não há problema na participação da primeira-dama, uma vez que ela não é formalmente uma autoridade nem ocupa cargo público. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, desfilará em carro alegórico de uma escola de samba do Rio de Janeiro no domingo de carnaval, 15 de …
Escritório de advocacia de filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, movimentou R$ 12 milhões pouco depois de ser aberto
André Fidelis e o filho, Eric Fidelis, são investigados no esquema das fraudes no INSS. (Foto: Anasps via YouTube e Fidelis Advocacia) O escritório de advocacia de Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), André Fidelis, movimentou mais de R$ 12 milhões desde a a fundação, em junho …
Banco Master: líder de organização criminosa pode firmar acordo de delação criminosa? Entenda
A legislação brasileira não impõe barreiras a esse tipo de acordo.(Foto: Divulgação) Motivada pelos materiais analisados do celular de Daniel Vorcaro, a nova prisão preventiva do chefe do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado na esteira de fraudes, voltou a fomentar a possibilidade de o banqueiro firmar um acordo de colaboração premiada. A …