O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao nível mais alto deste ano. Para 33% dos entrevistados pelo Datafolha nos dias 8 e 9 de setembro, seu desempenho é ótimo ou bom —alta de 5 pontos em relação a junho (28%).
Mas o fato de que só um terço do eleitorado tenha a opinião mais elevada sobre a atuação do presidente indica fragilidade.
As conspirações da família Bolsonaro contra o Brasil podem ter ajudado a lustrar a imagem do petista. No entanto Lula tem dificuldades crônicas em seu terceiro mandato, e a perspectiva para os próximos meses na economia e na política não parece propícia a saltos em popularidade.
O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados —5 pontos percentuais a mais do que ótimo ou bom. Em fevereiro, a diferença chegava aos 17 pontos (41% e 24%, respectivamente).
Apesar da melhora, o indicador positivo está abaixo dos registrados em 2024, sempre entre 35% e 36%; jamais passou da máxima de 38%, atingida em 2023.
A polarização política contribui para esse resultado cronicamente medíocre. A degradação da nota, contudo, começa a ficar evidente no final de 2024, com a inflação de alimentos.
O pânico financeiro de dezembro, com a alta do dólar provocada pelo anúncio de um plano fiscal desastrado e frágil, também pode ter impressionado parcela do eleitorado. Boa parte do desgaste, porém, foi causado por uma campanha de desinformação nas redes sociais a respeito da tributação do Pix e, mais recentemente, pelo escândalo dos descontos fraudulentos no INSS.
O movimento contra o Pix parece atenuado, e as primeiras restituições aos lesados no INSS começaram a ser pagas. O pior da inflação passou, embora ainda pressione orçamentos. O comportamento vil dos Bolsonaros pode ter dado alguns pontos a Lula. Agora, qual é a perspectiva daqui em diante para o presidente?
A atividade econômica desacelera, por enquanto de modo suave. A partir do final do ano, deve ficar um pouco mais difundida a percepção de que é difícil encontrar emprego e de que os salários aumentam menos.
A antecipação da campanha eleitoral deve ter efeitos maiores no Congresso Nacional, com uma oposição ainda mais acirrada pela condenação de Jair Bolsonaro (PL).
A aprovação da isenção do Imposto de Renda seria relevante para Lula, mas mesmo esse projeto popular enfrentará dificuldades.
Por outro lado, a indefinição de candidaturas e projetos no campo da direita tem potencial para facilitar a campanha petista.
Trata-se de cenário cinzento, sem vislumbre de grandes melhoras ou perdas decisivas. A aprovação de Lula 3 nunca foi alta. Perto do final do ano, ainda se recupera da baixa na virada de 2024 para 2025. O ano eleitoral será de economia mais frágil e de ataques da oposição. Até onde se pode ver, o presidente terá dificuldades em recuperar sua popularidade.
(Opinião jornal Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/alta-na-popularidade-de-lula-ainda-e-fragil/ Alta na popularidade de Lula ainda é frágil 2025-09-15
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O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao nível mais alto deste ano. Para 33% dos entrevistados pelo Datafolha nos dias 8 e 9 de setembro, seu desempenho é ótimo ou bom —alta de 5 pontos em relação a junho (28%).
Mas o fato de que só um terço do eleitorado tenha a opinião mais elevada sobre a atuação do presidente indica fragilidade.
As conspirações da família Bolsonaro contra o Brasil podem ter ajudado a lustrar a imagem do petista. No entanto Lula tem dificuldades crônicas em seu terceiro mandato, e a perspectiva para os próximos meses na economia e na política não parece propícia a saltos em popularidade.
O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados —5 pontos percentuais a mais do que ótimo ou bom. Em fevereiro, a diferença chegava aos 17 pontos (41% e 24%, respectivamente).
Apesar da melhora, o indicador positivo está abaixo dos registrados em 2024, sempre entre 35% e 36%; jamais passou da máxima de 38%, atingida em 2023.
A polarização política contribui para esse resultado cronicamente medíocre. A degradação da nota, contudo, começa a ficar evidente no final de 2024, com a inflação de alimentos.
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A antecipação da campanha eleitoral deve ter efeitos maiores no Congresso Nacional, com uma oposição ainda mais acirrada pela condenação de Jair Bolsonaro (PL).
A aprovação da isenção do Imposto de Renda seria relevante para Lula, mas mesmo esse projeto popular enfrentará dificuldades.
Por outro lado, a indefinição de candidaturas e projetos no campo da direita tem potencial para facilitar a campanha petista.
Trata-se de cenário cinzento, sem vislumbre de grandes melhoras ou perdas decisivas. A aprovação de Lula 3 nunca foi alta. Perto do final do ano, ainda se recupera da baixa na virada de 2024 para 2025. O ano eleitoral será de economia mais frágil e de ataques da oposição. Até onde se pode ver, o presidente terá dificuldades em recuperar sua popularidade.
(Opinião jornal Folha de S.Paulo)
https://www.osul.com.br/alta-na-popularidade-de-lula-ainda-e-fragil/
Alta na popularidade de Lula ainda é frágil
2025-09-15
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