Pré-candidatos modulam o tom ao comentar ações dos EUA. (Foto: PR e Câmara dos Deputados)
Diante da disputa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas reações às imposições de Donald Trump ao Brasil, pré-candidatos a governador aliados alternaram, ao longo da última semana, entre o silêncio para não se expor e a defesa de seus padrinhos políticos. No campo bolsonarista, postulantes comemoraram a classificação das facções brasileiras como terroristas, mas não reagiram à ameaça das novas tarifas. Entre governistas, a taxação virou assunto, mas a medida voltada para a segurança pública, tema eleitoral sensível para o campo da esquerda, pouco repercutiu.
Na esteira do encontro de Flávio com o presidente americano, na semana passada, pré-candidatos da direita celebraram a medida conferida ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), atribuindo crédito ao parlamentar pelo anúncio. Foi o caso do senador Sergio Moro, que o elogiou pela articulação durante o evento de lançamento de sua chapa no Paraná.
“Nós tivemos um acontecimento extraordinário, que foi, graças ao trabalho do Flávio Bolsonaro, a colocação do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos”, disse o ex-juiz, emendando críticas a Lula.
Além dele, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB), que terá apoio de Flávio, usou o anúncio para alfinetar a gestão petista. Durante agenda no interior do estado, ele disse que “20 anos de omissão no Brasil acabaram vulnerando o nosso país a uma potência estrangeira”. O argumento também foi usado pelo ex-deputado federal e pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União), que criticou a “omissão do governo federal e estadual”, em referência ao rival e atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), apoiador de Lula.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), elogiou a articulação de Flávio nos EUA, mas mudou o tom com o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos americanos. Para ele, “é algo que prejudica o Brasil, o agronegócio e a indústria”.
Mudança de postura
À exceção de Tarcísio, os outros pré-candidatos aliados, como Moro, ACM Neto e Ciro, evitaram se posicionar publicamente sobre a taxação. A postura difere da adotada por eles no ano passado, quando se manifestaram de forma crítica à imposição das sobretaxas americanas sobre os produtos brasileiros. À época, Moro se posicionou contra as tarifas ao dizer que elas prejudicariam o Brasil, mas usou o tema para criticar o governo. “Foi o Lula que, desde o seu primeiro dia de mandato, antagonizou e hostilizou os EUA”, afirmou à GloboNews.
No mesmo período, ACM Neto também disse, em coletiva de imprensa, “lamentar” a decisão do governo americano e afirmou que o momento seria de “defender a nossa soberania”. Já pelas redes sociais, Ciro criticou bolsonaristas por defenderem Trump de maneira “traiçoeira e burra” e governistas pela “manipulação dos prejuízos por uma espécie de patriotismo de goela”.
Cálculo à esquerda
Já as críticas a Flávio e a defesa de Lula ficaram a cargo de petistas como o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que concorrerá ao governo de São Paulo. Em um post no X, ele disse que o senador “foi beijar as mãos do Trump enquanto ele taxa as empresas brasileiras e ataca o Pix”. Na semana passada, Haddad afirmou que o parlamentar e Tarcísio, seu adversário na disputa paulista, “deram um tiro no pé” e viviam uma “relação de subserviência” com os EUA.
Governadores petistas, como Elmano de Freitas, do Ceará, e Jerônimo Rodrigues, da Bahia, repetiram a estratégia usada e subiram o tom contra os bolsonaristas, assim como Haddad nas duas ocasiões.
Entre pré-candidatos de fora do PT, mas que estarão no mesmo palanque que Lula neste ano, as manifestações vieram somente em reação ao tarifaço e em menor volume comparado aos petistas.
Pelas redes sociais, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que disputará o Palácio Guanabara, escreveu “viva o Pix”, repetindo o lema adotado pelo Planalto após críticas do governo americano ao sistema brasileiro. Paes evitou o tema da classificação de facções em suas redes — segurança pública será um dos principais temas na corrida ao governo do Rio, que teve vitória da direita nos últimos pleitos.
Também pela rede social, o deputado Requião Filho (PDT), postulante ao governo do Paraná, disse “Flávio Bolsonaro se alia aos interesses estrangeiros contra a economia brasileira” e Moro “fica calado”. Já do Rio Grande do Sul, a pedetista e ex-deputada estadual Juliana Brizola não se pronunciou sobre o tema. (Com informações do jornal O Globo)
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Pré-candidatos aliados de Lula e Flávio “pisam em ovos” sobre os Estados Unidos para não se expor e defender padrinhos
Pré-candidatos modulam o tom ao comentar ações dos EUA. (Foto: PR e Câmara dos Deputados)
Diante da disputa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas reações às imposições de Donald Trump ao Brasil, pré-candidatos a governador aliados alternaram, ao longo da última semana, entre o silêncio para não se expor e a defesa de seus padrinhos políticos. No campo bolsonarista, postulantes comemoraram a classificação das facções brasileiras como terroristas, mas não reagiram à ameaça das novas tarifas. Entre governistas, a taxação virou assunto, mas a medida voltada para a segurança pública, tema eleitoral sensível para o campo da esquerda, pouco repercutiu.
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Mudança de postura
À exceção de Tarcísio, os outros pré-candidatos aliados, como Moro, ACM Neto e Ciro, evitaram se posicionar publicamente sobre a taxação. A postura difere da adotada por eles no ano passado, quando se manifestaram de forma crítica à imposição das sobretaxas americanas sobre os produtos brasileiros. À época, Moro se posicionou contra as tarifas ao dizer que elas prejudicariam o Brasil, mas usou o tema para criticar o governo. “Foi o Lula que, desde o seu primeiro dia de mandato, antagonizou e hostilizou os EUA”, afirmou à GloboNews.
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Cálculo à esquerda
Já as críticas a Flávio e a defesa de Lula ficaram a cargo de petistas como o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que concorrerá ao governo de São Paulo. Em um post no X, ele disse que o senador “foi beijar as mãos do Trump enquanto ele taxa as empresas brasileiras e ataca o Pix”. Na semana passada, Haddad afirmou que o parlamentar e Tarcísio, seu adversário na disputa paulista, “deram um tiro no pé” e viviam uma “relação de subserviência” com os EUA.
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