Soma de medidas propostas pelo governo americano inclui tarifa de 25% e adicional de 12,5%
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
A combinação de tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas. O entendimento é de vários órgãos do governo como Itamaraty, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio.
O percentual resulta de investigações conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). O primeiro relatório, divulgado na segunda-feira (1º), prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
Já uma segunda linha, concluída na terça-feira (2), aponta que 60 países — entre eles o Brasil — falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs uma taxa adicional de 12,5%.
Com isso, a sobretaxa total chegaria a 37,5%, percentual próximo aos cerca de 40% impostos no ano passado, caso entre em vigor. As medidas foram tema de um breve encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, nesta quarta-feira (3), durante reunião da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na França.
Segundo interlocutores, Greer afirmou que os Estados Unidos seguem abertos ao diálogo sobre as tarifas, enquanto Vieira defendeu a intensificação das negociações diante das recomendações do USTR.
De acordo com pessoas que acompanharam a conversa, há um canal de comunicação ativo entre os dois governos, e as negociações continuam dentro do prazo de 30 dias acertado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump em encontro realizado em Washington.
O diálogo ocorre em meio à escalada das tensões comerciais, após a divulgação das medidas tarifárias. Ainda assim, a avaliação de integrantes da delegação brasileira é de que os canais de negociação permanecem abertos.
Reação de Lula
Nesta quarta-feira, o presidente Lula endureceu o discurso em reunião com ministros no Palácio do Planalto. Ele criticou o tratamento dado pelos EUA ao Brasil e mirou o secretário de Estado americano: “Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana.”
Lula também afirmou que pretende enviar nova carta a Donald Trump para contestar as tarifas e defender que os americanos estão “equivocados”. Nos bastidores do encontro, o presidente orientou o governo a reforçar a defesa da soberania e do PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central —, alvo de críticas dos EUA e citado como exemplo de prática comercial questionada.
Na ocasião, Lula discursou em frente de um slide com a frase: “O PIX é do Brasil”, mesma mensagem contida em um cartaz que ele levantou durante um evento em Catalão, Goiás, nesta terça-feira.
Durante a reunião, o petista sinalizou que pode buscar outros parceiros comerciais caso as negociações não avancem. Inclusive, afirmou que mudou de ideia quanto a participar da reunião da Cúpula do G7, que ocorrerá dia 15 e 17 de junho, na França. Primeiramente, Lula disse que não iria.
Clima no governo
A reunião ministerial foi dominada pelo tema, e o episódio passou a ser tratado como uma crise comercial com impacto político, em meio ao calendário eleitoral.
Mesmo com o tom mais duro de Lula, auxiliares ainda veem espaço para negociação e interpretam a manutenção do diálogo com os EUA como um sinal de que as tarifas ainda podem ser revistas. A ideia, segundo interlocutores do governo, é negociar as tarifas de forma separada com o intuito de reverter, se não as duas, uma delas.
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Governo federal diz que taxas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5%
Soma de medidas propostas pelo governo americano inclui tarifa de 25% e adicional de 12,5%
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
A combinação de tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas. O entendimento é de vários órgãos do governo como Itamaraty, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio.
O percentual resulta de investigações conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). O primeiro relatório, divulgado na segunda-feira (1º), prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
Já uma segunda linha, concluída na terça-feira (2), aponta que 60 países — entre eles o Brasil — falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs uma taxa adicional de 12,5%.
Com isso, a sobretaxa total chegaria a 37,5%, percentual próximo aos cerca de 40% impostos no ano passado, caso entre em vigor. As medidas foram tema de um breve encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, nesta quarta-feira (3), durante reunião da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), na França.
Segundo interlocutores, Greer afirmou que os Estados Unidos seguem abertos ao diálogo sobre as tarifas, enquanto Vieira defendeu a intensificação das negociações diante das recomendações do USTR.
De acordo com pessoas que acompanharam a conversa, há um canal de comunicação ativo entre os dois governos, e as negociações continuam dentro do prazo de 30 dias acertado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump em encontro realizado em Washington.
O diálogo ocorre em meio à escalada das tensões comerciais, após a divulgação das medidas tarifárias. Ainda assim, a avaliação de integrantes da delegação brasileira é de que os canais de negociação permanecem abertos.
Reação de Lula
Nesta quarta-feira, o presidente Lula endureceu o discurso em reunião com ministros no Palácio do Planalto. Ele criticou o tratamento dado pelos EUA ao Brasil e mirou o secretário de Estado americano: “Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana.”
Lula também afirmou que pretende enviar nova carta a Donald Trump para contestar as tarifas e defender que os americanos estão “equivocados”. Nos bastidores do encontro, o presidente orientou o governo a reforçar a defesa da soberania e do PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central —, alvo de críticas dos EUA e citado como exemplo de prática comercial questionada.
Na ocasião, Lula discursou em frente de um slide com a frase: “O PIX é do Brasil”, mesma mensagem contida em um cartaz que ele levantou durante um evento em Catalão, Goiás, nesta terça-feira.
Durante a reunião, o petista sinalizou que pode buscar outros parceiros comerciais caso as negociações não avancem. Inclusive, afirmou que mudou de ideia quanto a participar da reunião da Cúpula do G7, que ocorrerá dia 15 e 17 de junho, na França. Primeiramente, Lula disse que não iria.
Clima no governo
A reunião ministerial foi dominada pelo tema, e o episódio passou a ser tratado como uma crise comercial com impacto político, em meio ao calendário eleitoral.
Mesmo com o tom mais duro de Lula, auxiliares ainda veem espaço para negociação e interpretam a manutenção do diálogo com os EUA como um sinal de que as tarifas ainda podem ser revistas. A ideia, segundo interlocutores do governo, é negociar as tarifas de forma separada com o intuito de reverter, se não as duas, uma delas.
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